05
Nov 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:00link do post | comentar

O Partido Republicano foi o grande vencedor destas intercalares. Ao conquistar uma maioria recorde na Câmara dos Representantes, e apesar de terem ficado abaixo das expectativas no Senado, os republicanos reconquistaram a influência perdida nos últimos dois ciclos eleitorais. Mas com a vitória vêm também as responsabilidades de governar e impor soluções legislativas aos Estados Unidos. A partir de agora não se podem limitar a apontar as falhas dos democratas.


Individualmente, destaco também alguns políticos e o que essas vitórias representam. Marco Rubio ganhou uma corrida a três na Florida, mostrando que é possível vencer com um discurso conservador num swing state, tornando-se numa das maiores estrelas do seu partido. O seu perfil politico coloca-o já num patamar bastante superior aos restantes eleitos para o Senado, vendo o seu nome assumir-se como potencial VP e até candidato presidencial no futuro. Rand Paul foi outro dos destaques, tendo sido um dos poucos candidatos mediáticos do tea party a vencer. A ala libertária do GOP conquista assim também influência em Washington. A vitória de Mark Kirk no Illinois assume também uma importância acrescida, em contraste com as derrotas de Angle, O´Donnell e Buck, candidatos do tea party. Para vencer em estados democratas, o GOP não pode apresentar candidatos demasiado conservadores. A vitória de Kirk, juntamente com Rob Portman no Ohio, Dan Coats no Indiana, John Boozman no Arkansas, Roy Blunt no Missouri, John Hoeven no Dakota do Norte e Kelly Ayote no New Hampshire, reforça o poder do establishment no Senado, ao contrário do que se chegou a prever quando se afirmava que seriam os candidatos insurgentes a constituir a maioria dos novos senadores. Os moderados não são uma espécie em extinção em Washington. John Boehner, Eric Cantor e Kevin Mcarthy, a nova liderança do GOP na Câmara dos Representantes, foram também os vencedores da noite, ao conquistarem a maior vitória desde 1938. Os olhares a partir de agora recairão muito sobre a acção destes três congressistas. Nas corridas dos governadores, destaque para a vitória de John Kasich no Ohio, talvez o mais importante swing state para 2012 e de Rick Scott na Florida, recuperando o estado para o GOP depois de Charlie Crist ter-se tornado independente. Nikki Haley, talvez a mais emblemática candidata do tea party nos governadores, tornou-se na primeira governadora da Carolina do Sul. Um nome a seguir nos próximos anos.


E como nem tudo foi mau para o Partido Democrata, também alguns surgem como vencedores. Harry Reid à cabeça, que foi dado como “morto” há muito tempo. Contra uma candidata fraca do tea party, Sharron Angle que ele ajudou a escolher durante o período das primárias republicanas quando atacou fortemente os outros candidatos, Reid venceu confortavelmente a reeleição e ainda viu o seu partido manter a maioria no Senado. Mérito para Reid e para a sua campanha. A eleição de Joe Manchin na West Virgínia dá também um importante sinal para eleições futuras: para ganhar em estados republicanos é preciso fazer uma campanha conservadora. Foi isso que Manchin fez e foi premiado pelos eleitores.


Da Califórnia vieram as melhores notícias para os democratas: Barbara Boxer mantêm-se como senadora e Jerry Brown foi eleito de novo governador, depois de ter ocupado o cargo na década de 70. Por fim destaque para Andrew Cuomo, novo governador de Nova Iorque. Está certo que a sua eleição ficou bastante facilitada por ter como opositor o “wacko” Carl Paladino. Mas esta vitória coloca-o como uma das figuras mais importantes do partido a nível nacional. Um possível candidato presidencial no futuro.



«Rob Portman no Ohio, Dan Coats no Ohio»?!

Dan Coats ganhou no Indiana.
Octávio dos Santos a 6 de Novembro de 2010 às 11:52

Octávio, está certíssimo...
Obrigado. Ando a dar muitas gaffes :)

Abraço
Nuno Gouveia a 6 de Novembro de 2010 às 14:35

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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