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Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 19:18link do post | comentar

Uma sondagem da AP revela que 47 por cento dos democratas pensa que Barack Obama merece ser desafiado nas primárias de 2012, enquanto 51 por cento defende que o Presidente não deve ter oposição. Esta sondagem demonstra o nível do descontentamento que existe neste momento entre Democratas pela actuação de Barack Obama. Apesar de ser muito improvável que surja um opositor credível nas primárias, Obama vai ter de esforçar-se pare recuperar o capital de confiança, não só nos independentes mas também nos apoiantes do seu partido.

 

A história ensina-nos que quando um Presidente em exercício enfrenta uma dura oposição nas primárias, a derrota é certa. Em 1968, Lyndon Johnson acabou por anunciar que não se recandidataria depois de terem aparecido vários opositores à sua nomeação, entre eles Robert Kennedy e Eugene Mccarthy. Em 1976, Ronald Reagan desafiou o Presidente em exercício, Gerald Ford, que apesar de ter vencido as primárias, foi derrotado por Jimmy Carter nas eleições gerais. O mesmo destino sofreu Carter quatro anos depois, quando o senador Ted Kennedy o enfrentou pela esquerda, contribuindo decisivamente para a vitória esmagadora de Ronald Reagan. Recentemente foi George H. Bush que bateu Pat Buchanan nas primárias, e posteriormente derrotado por Bill Clinton. Pelo contrário, os últimos presidentes reeleitos em segundo mandato, Reagan, Clinton e W. Bush, não sofreram qualquer desafio nas primárias.



Essa sondagem dá que pensar...

Em 1968 foi Eugene McCarthy ( "the good Senator McCarthy ";-)) que deu o golpe fatal em Lyndon Johnson ao conquistar 42% dos votos na primária de New Hampshire, contra os 49% de LBJ. Quatro dias depois, Robert Kennedy, ao ver a fraqueza do Presidente, anunciou a sua candidatura ( o jornalista liberal Murray Kempton comentou: "Kennedy portou-se como um homem que vem pelo monte abaixo depois da batalha aos tiros aos feridos").

A campanha de 1968 foi decerto das mais fascinantes desde a 2ª Guerra Mundial. Teve drama (a Convenção Democrática em Chicago), tragédia (o assassínio de Robert Kennedy), argúcia política da mais requintada (a vitória de Nixon na Convenção Republicana de Miami, apesar de "encurralado" à direita por Ronald Reagan e à esquerda por Nelson Rockefeller) e imprevisibilidade até ao último voto, ajudada pela presença de um forte terceiro candidato (George Wallace, democrata temporariamente dissidente e defensor da segregação racial, conquistou 13% dos votos e 5 estados). Aos interessados recomendo dois excelentes livros sobre esta campanha: "Miami and the Siege of Chicago", de Norman Mailer, e "An American Melodrama", dos jornalistas britânicos Lewis Chester, Godfrey Hodgson e Bruce Page.
Alexandre Burmester a 31 de Outubro de 2010 às 23:19

Encomendei na semana passada o "The Selling of a President" do Joe McGinniss sobre a campanha do Nixon. Acho que essa campanha deve ter sido mesmo a mais dramática de toda a história americana.... Vou ver se compro um desses livros, pois nunca li muito sobre ela...

E há ainda os clássicos de Theodore H. White "The Making of the President", neste caso "The Making of the President 1968" (White escreveu livros com este título acerca das campanhas de 1960 a 1972, inclusive).
Alexandre Burmester a 1 de Novembro de 2010 às 00:08

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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