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Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:20link do post | comentar

A votação já começou em 23 estados da União e começam a surgir certezas em relação ao desfecho destas eleições intercalares. Ao longo do último ano desenhou-se uma gigantesca onda republicana que dificilmente será parada até 2 de Novembro. Nesse dia haverá festa em muitas sedes de campanha republicanas espalhadas pelos 50 estados. Mas ainda existem algumas contas para fazer, pois os esforços de última hora podem ser decisivos para algumas eleições mais competitivas.

 

A Câmara dos Representantes parece ter o seu destino traçado, isto a confiar nos analistas independentes: o GOP irá conquistar a maioria e John Boehner deverá ser o próximo Speaker. Não há ninguém a prever que os Democratas consigam aguentar-se, prevendo-se até que o número de lugares conquistados pelos republicanos possa ir até ao espectacular número de 80 congressistas. A grande dúvida que subsiste é saber se o GOP irá obter uma maioria frágil (ganhar entre 40 e 50 lugares) ou uma vitória de proporções históricas. A capacidade de mobilização do Partido Democrata poderá ser aqui o factor decisivo. Barack Obama, Michelle Obama, Bill Clinton e Joe Biden vão andar na estrada nestas próximas duas semanas. As estrelas democratas, em muito maior número e em importância que os seus adversários republicanos, podem ser fundamentais. Em 2006 o Partido Democrata roubou 31 lugares, conquistando dessa forma a maioria. Mas vários analistas e consultores democratas consideraram que a vitória poderia ter sido bem maior se não fossem os esforços de última hora da Administração Bush. Quem sabe se agora não sucede o mesmo?

 

No Senado as perspectivas são bem melhores para os Democratas. Historicamente falando, há aqui uma vantagem para os republicanos: desde a década de 40 do século passado que sempre que a Câmara dos Representantes mudou de maioria, o mesmo sucedeu na câmara alta do Congresso. Mas este ano os republicanos precisam de conquistar 10 lugares. Neste momento o GOP tem praticamente assegurado que não irá perder nenhum lugar. Além disso, tem a vitória quase certa em cinco: Dakota do Norte, Arkansas, Indiana, Pennsylvania e Wisconsin. Precisam de mais cinco lugares. As sondagens indicam que isso é possível em sete estados. No Nevada e no Colorado os seus candidatos lideram com uma curta vantagem, enquanto na Califórnia, Washington, West Virgínia e Illinois estão ligeiramente atrás. Existe ainda o caso do Connecticut, onde o candidato democrata tem uma vantagem relativamente confortável, mas que ainda é considerado passível ao alcance da candidata republicana. Se este fosse um ano normal, diria que os democratas iriam aguentar. Mas poderá mesmo acontecer o tsunami no Senado. E ainda há uma perspectiva de mudança extra-eleições: dois senadores democratas, Ben Nelson do Nebraska e Joe Liebberman do Connecticut poderão sentir-se tentados a mudar de lado caso o GOP fique próximo dos 51 lugares. Improvável, mas não impossível de acontecer.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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