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Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:06link do post | comentar

Os republicanos vão vencer. Só falta saber a dimensão da vitória. Mas as sondagens continuam a dar sinais contraditórios sobre o sentimento dos americanos. Por um lado vemos uma grande fúria contra os políticos de ambos os partidos. Observe-se os números desta sondagem da CNN. O Partido Democrata é bastante impopular. Apenas 32 por cento aprovam o seu trabalho no congresso, mas a situação do Partido Republicano é ainda pior: apenas 29 por cento aprovam o que têm feito em Washington. Por outro lado, as indicações das intenções de voto continuam a dar uma larga vitória ao Partido Republicano. A Gallup indica que entre os eleitores registados, a vantagem para o GOP é de 47 pontos contra os 44 do Partido Democrata. Mas entre os potenciais eleitores de Novembro, a vantagem é muito maior para o GOP. Com uma abstenção baixa, a diferença poderá ser de 53-41, enquanto com uma abstenção elevada é de 56-39.

 

Destes números podemos retirar várias conclusões:

 

- Os americanos estão mesmo zangados com os partidos políticos. Quando George W. Bush saiu da Casa Branca pensava-se que esse descontentamento era principalmente devido aos anos Bush. Mas passado dois anos de Obama, o problema agravou-se. Há uma desilusão estrutural anti-governo/políticos. Em democracia não há nada mais perigoso que um povo descontente com os seus eleitos.


- O Partido Democrata, apesar de ser ligeiramente mais popular que o seu adversário, será severamente punido nas urnas em Novembro. A falta de capacidade para lidar com uma maioria no Congresso durante quatro anos, aliada à profunda desconfiança que Barack Obama incutiu no eleitorado, agravou a desconfiança dos cidadãos com Washington. A Hope deu lugar à Rage.


- O Partido Republicano vai obter grandes ganhos em Novembro. Mas isso não quer dizer que daqui a dois anos não possa sofrer novamente nas urnas. Por ora os americanos preferem que eles assumam o controlo legislativo para contrabalançar o poder executivo de Obama. Mas se daqui a dois anos não apresentarem resultados visíveis, poderão ser eles as vitimas da fúria dos eleitores. A volatilidade do voto é cada vez maior em menor curto espaço de tempo. Que se cuidem.


- Por fim uma explicação para um tsunami eleitoral que possa suceder: a desmotivação do eleitorado de Obama, que continua a preferir o Partido Democrata. Se a maioria dos eleitores que se identificam com os Democratas fossem às urnas, os resultados seriam muito mais equilibrados. O GOP iria certamente ganhar muitos lugares, mas ficaria longe do controlo das Câmaras. O entusiasmo das bases, como têm dito os analistas políticos, irá fazer toda a diferença nas intercalares. Estas sondagens não enganam.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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