08
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:27link do post | comentar

A surpresa de Outubro ocupa sempre muitas páginas de jornais em todos os ciclos eleitorais, especialmente em anos de presidenciais. E este ano não tem sido excepção, com vários jornalistas a especular sobre o que acontecerá este mês que poderá mudar o rumo das eleições. Os democratas tinham uma secreta esperança que fosse o desemprego. Hoje foi revelado pela última vez antes das eleições os números de desemprego. E as coisas não são boas para os democratas. Com a taxa de desemprego a manter-se nos 9.6%, perderam-se no mês de Setembro 96 mil empregos. Segundo o New York Times, estes números são piores do que o esperado. E o que isto significa para as eleições?

 

Sendo a economia a principal preocupação dos americanos, a revelação destes números apenas irá aumentar ainda mais o descontentamento em relação aos democratas. No controlo do Congresso desde 2006 e da Casa Branca desde 2008, será díficil, como se tem visto, os democratas convencerem os americanos que são os republicanos os responsáveis pela situação. A onda republicana neste momento parece imparável, e apesar dos ténues sinais que têm surgido de recuperação nas sondagens, parece hoje evidente que teremos um tsunami eleitoral em Novembro. Há vários meses que discutimos, também aqui no blogue, que os republicanos iriam ter grandes ganhos, mas que dificilmente controlariam as duâs câmaras legislativas. O Senado, pelo menos esse, sempre pareceu fora do seu alcance. Mas neste momento a situação é bem diferente: a Câmara dos Representantes parece perdida, e o Senado está bem em jogo. No Real Clear Politics já se coloca o empate de 50-50 como provável, e temos de estar atentos ao estado de Washington. Dino Rossi pode bem ser o 51º senador republicano. Ninguém ficará surpreendido se o GOP conquistar a maioria nas duas câmaras.

 

No entanto, e apesar do cenário negro, vejo aqui uma janela oportunidade para os democratas. O que descrevi são as expectativas convencionais para as eleições. Isto quer dizer que se os democratas perderem menos do que o esperado, haverá margem de manobra para "abafar" a vitória republicana. Imaginemos que o GOP conquista a maioria apenas na Câmara dos Representantes. Ou que até conquista oito lugares no senado e 38/37 lugares na CP. Seriam sempre grandes ganhos, mas continuariam em minoria. Se o Partido Democrata conseguir afastar o cenário de derrocada, e apesar de derrotados, poderão falar em vitória moral. As expectativas contam muito em política, e neste momento, elas não podiam ser piores para os democratas. Isso pode transformar-se numa vantagem em noite eleitoral.


Eu creio que a expressão "October Surprise" surgiu com o anúncio, por parte do Presidente Lyndon Johnson, da suspensão dos bombardeamentos ao Vietname do Norte a poucos dias das eleições presidenciais de 1968, com o intuito - segundo os críticos do "timing" do anúncio - de facilitar a eleição do seu Vice-Presidente, Hubert Humphrey. E a verdade é que a coisa foi renhida, tendo Richard Nixon ganho essa eleição por uma margem quase tão pequena como aquela pela qual tinha sido derrotado por John Kennedy em 1960.

Desde aí, a "October Surprise" faz parte do léxico das campanhas e causa por vezes algum desatino. Em 2004, por exemplo, a nossa compatriota Teresa Heinz Kerry, mulher do candidato democrata John Kerry, chegou a declarar que provavelmente Osama Bib Laden já tinha sido capturado mas a Casa Branca estava à espera do mês de Outubro para o anunciar! : -)

Só de facto uma "very big October Surprise" poderá alterar o rumo dos acontecimentos nestas eleições. E os números do desemorego são apenas "mais do mesmo", pelo que também me não parece que possam afectar as já precárias expectativas democráticas.

Alexandre Burmester a 8 de Outubro de 2010 às 19:34

Eu acho que isto da Surpresa de Outubro já é mais um entretenimento para jornalistas e comentadores :)

Mas não me parece que o rumo vá mudar. A grande dúvida será o Senado. Mas se tivesse que colocar dinheiro neste momento, apostaria numa maioria GOP. E não sei se ficam pelos 51....CT ou CA ainda podem cair.. apesar do que as últimas sondagens dizem..
Nuno Gouveia a 9 de Outubro de 2010 às 00:04

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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