02
Out 10
publicado por Nuno Gouveia, às 20:00link do post | comentar

 

Depois da HBO ter apresentado três brilhantes temporadas de Deadwood sobre o velho oeste americano, mais concretamente na fronteira entre o Dakota e o Wyoming, e o AMC continuar a brindar-nos com a Mad Men sobre o mundo da publicidade na década de 60, a HBO regressa agora até à Atlântic City dos anos 20. A cidade do estado de New Jersey começou a ganhar a relevância que hoje lhe é reconhecida nessa década, sobretudo com a preciosa “contribuição” do tráfico ilegal de álcool durante a Lei Seca (a agora infame 18ª Emenda da Constituição que foi revogada pela 21ª).  Este é o pano de fundo para esta nova série, que com apenas dois episódios já conquistou a minha admiração. Steve Buscemi está magistral no papel do corrupto politico republicano Nuck Thompson, que, além de ser o tesoureiro da cidade, controla tudo e todos, através do jogo, da prostituição e do álcool. Nesta série já tivemos também a oportunidade para ver grandes mafiosos da história americana, como o jovem Al Capone, Arnold Rothstein ou Charlie “Lucky” Luciano. Não por acaso o nome de Martin Scorsese surge associado a esta série, como produtor e realizador do episódio piloto. Scorsese é desde sempre um apaixonado das raízes da máfia americana, e a Lei Seca foi essencial para o grande “boost” dos mafiosos americanos na primeira metade do século XX. Scorcese não podia estar de fora.


Esta série, pelo que já deu para ver, não irá desaparecer tão cedo da arena. Logo após o primeiro episódio a HBO anunciou a sua renovação por mais uma temporada. A critica rendeu-se completamente, e os espectadores, esses, têm batido recordes de audiência no canal por cabo americano. Os apaixonados do cinema estão mesmo a transferir as suas atenções para a televisão, onde a criatividade e a qualidade estão a superar, em larga margem, o que vai saindo de Hollywood. A história americana também vai sendo contada através destas séries, que apesar de serem recriações ficcionais, representam todo um espírito da época. Através destas horas de televisão também ficamos a conhecer um bocadinho melhor a sociedade americana, as suas raízes e as dificuldades que ajudaram a construir o país que é hoje. Por isso, mas também por puro entretenimento, aconselho esta série. E as outras que referi.


A serie é um luxo em anos de recessão. Gasta milhões por todo o lado. É a resposta duma HBO que ainda se recente por ter passado Mad Man numa inexplicável decisão de gestão!

Pena que não podemos ver pois estamos por cá não é? LOL
jfd a 2 de Outubro de 2010 às 20:49

Nuno,

Concordo absolutamente contigo. Só uma coisa: a grafia correta é "scorsese", right?

Abração e continue o excelente blog.
Gabriel Trigueiro a 6 de Outubro de 2010 às 13:37

Toda a razão :)

Obrigado e um abraço.
Nuno Gouveia a 6 de Outubro de 2010 às 15:54

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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