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Set 10
publicado por Nuno Gouveia, às 13:12link do post | comentar

Barack Obama fez um discurso competente. Faltou-lhe a chama e o brilho dos tempos da campanha, mas este não era um tema fácil para ele. O Presidente foi um opositor da guerra do Iraque, e apesar de ter prosseguido a politica de George W. Bush, prometeu acabar com a guerra nos primeiros dois anos do seu mandato. E Obama cumpriu, também porque seguiu o plano Bush. Num discurso onde elogiou as forças militares americanas que “cumpriram a missão que lhes foi destinada”, não deixou de recordar as diferentes opiniões sobre a decisão de invadir o Iraque em 2003. Ao referir que tinha telefonado a George W. Bush, e logo depois, ter dito que patriotas tinham concordado e discordado sobre a sua decisão, Obama quis dar um passo em frente e terminar com as divisões do passado. Nesse momento fez-me recordar o Obama da campanha, que falava para o povo americano acima dos interesses partidários. Foi, talvez, o melhor momento da noite.


Mas houve alguns sinais para o futuro: em primeiro lugar, que as missões de combate no Iraque podem estar terminadas, mas o compromisso com o povo iraquiano não acabou. Isso quer dizer que os EUA poderão continuar no Iraque depois de 2011, caso o governo iraquiano o peça, conforme o acordo assinado entre os EUA e Iraque. A parte surpreendente do discurso, para mim, foi o elogio do excepcionalismo americano, consubstanciado  na defesa dos Estados Unidos como líderes do mundo livre e na defesa da “spreading democracy”, conceitos até ao momento sempre estiveram ausentes em Obama. O Afeganistão não foi esquecido, e a comparação com o que foi feito no Iraque. Obama chegou mesmo a falar numa retirada baseada nas condições do terreno, apesar de reafirmar a sua intenção acabar com com essa guerra, pois a "paciência dos Estados Unidos não é ilimitada".


Na parte final do discurso, abordou a economia americana, o assunto que mais preocupa os cidadãos. Obama foi inteligente, pois tentou transmitir a seguinte mensagem: a guerra do Iraque faz parte do passado, é tempo de olharmos para o futuro e centrarmos os nossos esforços na economia. E também não deixou, implicitamente, de relacionar a crise com as guerras de Bush.


Obama discursou ao centro: por um lado terá desagradado à esquerda anti-guerra por não ter elaborado uma crítica à intervenção americana. Mas também recebeu criticas à direita, por não ter atribuído crédito a George W. Bush pela “surge” de 2007. Como já referi, este não era um discurso fácil. Mas parece-me, até pelas reacções que já li, que cumpriu o seu objectivo: a guerra acabou, vamos em frente.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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