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Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 16:29link do post | comentar

Mitt Romney será um dos candidatos republicanos à presidência dos Estados Unidos em 2012. Em relação a outros potenciais candidatos ainda  pode haver algumas dúvidas: Sarah Palin pode esperar por outra oportunidade, pois os seus conselheiros sabem que não tem grandes hipóteses de vencer uma eleição geral, mesmo contra Barack Obama. Newt Gingrich pode recuar novamente, como já o fez no passado. E Mike Huckabee pode perceber que, tal como Sarah Palin, não tem grandes chances de derrotar Obama e solidificar a sua imagem de líder da direita religiosa nos próximos anos. Mas sobre Mitt Romney não há dúvidas: vai mesmo avançar no próximo ano para a sua segunda corrida presidencial. Depois de em 2008 ter emergido como figura nacional, disputando o voto republicano com John McCain, agora que é considerado como o frontrunner nesta fase, não deixará de perder a oportunidade.

 

Os sinais abundam desde 2008. Romney nunca parou a nível nacional, angariando dinheiro para os seus colegas republicanos, mantendo sob sua alçada o núcleo duro de apoiantes, cortejando outros líderes republicanos, e claro, visitando várias vezes o Iowa e New Hamphsire. Hoje o Boston Globe notícia a sua operação para estas Midterms, que irá passar pela visita a 25 estados da União para apoiar candidatos republicanos. Acredito que até Março de 2011 Romney avance. E o que podemos esperar de um Mitt Romney nesta corrida presidencial?

 

Em 2008 Romney disputou com Huckabee o voto conservador, enquanto McCain e Giuliani eram os candidatos moderados e do establishment. Curiosamente, ou talvez não, Romney tinha sido Governador do Massachusetts, e era visto como um centrista no seu estado. Tudo mudou na corrida presidencial de 2008. O seu discurso assentava muito nos valores sociais, muito do agrado do eleitorado conservador do Iowa. Apesar de ter credenciais na área da economia, Romney foi um Social Conservative candidate. Para o próximo ano tudo voltará a mudar. Não irá voltar atrás nas suas posições, mas certamente deixará esse eleitorado para outros potenciais candidatos, como Palin, Huckabee ou até Rick Santorum. Romney irá centrar o seu discurso na economia e na política externa. Um anti-Obama, com credenciais económicas e muito próximo dos sectores tradicionais do Partido Republicano na política externa. Strong National Defense e Fiscal Conservatism vão ser palavras muito ouvidas da sua corrida presidencial. A dúvida é precisamente se seus zig-zags do passado não irão colocar em risco a longa campanha das primárias. Ao contrário de 2008, não acredito que as suas posições sobre o aborto quando foi governador do Massachusetts regressem para o ensombrar. Romney é um adversário fabuloso para os seus potenciais adversários republicanos. Ao contrário de Huckabee e Palin, tem credenciais económicas. Pré-candidatos como Tim Pawlenty, Mitch Daniels ou Santorum não são conhecidos a nível nacional, enquanto Romney tem a vantagem da corrida presidencial de 2008, o que lhe deu visibilidade e reconhecimento. É considerado um tipo brilhante que pode derrotar Obama, e não tem a desvantagem de Palin, por exemplo, que não é considerada presidenciável pela maioria dos americanos. Mas também apresenta fragilidades. Não como Newt Gingrich, que apesar de ser considerado uma das vozes mais influentes do movimento conservador americano, tem muitos esqueletos do seu tempo de Speaker. A reforma da saúde que aprovou enquanto governador, que muitos dizem ser semelhante à ObamaCare, irá estar em força na campanha eleitoral dos seus adversários. E Romney é mórmon. Não foi por isso que perdeu em 2008, mas não sei até que ponto isso lhe retira força em determinados estados.

 

Neste momento, e olhando para os potenciais candidatos, acredito que seja o favorito do establishment republicano, considerado aquele que tem mais possibilidades de derrotar Obama. O GOP tem a tradição de nomear o next in line, e neste ciclo eleitoral, esse candidato seria Romney. Mas vivemos tempos conturbados nos Estados Unidos, e nem sempre o pragmatismo tem moldado o pensamento dos eleitores. Veja-se alguns resultados surpreendentes em várias primárias republicanas do actual ciclo eleitoral. Neste momento acredito que Romney, Pawlenty ou um outro governador, como Daniels, irão disputar o voto moderado, enquanto Huckabee, Palin, entre outros potenciais, irão lutar pelo voto social conservative. Pelo meio está Gingrich, que tem vindo a posionar-se mais à direita nesta corrida eleitoral. Mas devido ao seu passado, também pode tentar ser o candidato do establishment. Do lado libertário, lá surgirá Ron Paul, ou o antigo governador do New Mexico, Gary Johnson, conhecido pelo seu apoio à legalização da Marijuana.


Resta dizer que dos outros nomes que se fala, também tenho poucas dúvidas que Pawlenty irá avançar. O seu mandato termina em 2011 e este é o seu tempo para avançar. Não pode esperar por outra oportunidade. Não é favorito e até é provável que não ganhe, mas uma corrida presidencial agora coloca-o na linha para outros anos. Não por acaso, as suas visitas ao New Hampshire e Iowa têm sido uma constante dos últimos meses.


"Em 2008 Romney disputou com Huckabee o voto conservador, enquanto McCain e Giuliani eram os candidatos moderados e do establishment."

A ideia que eu tinha ficado até era de que Romney era o candidato do establishment republicano (penso que a National Review, p.ex., estava largamente do lado dele), enquanto Paul, Huckabee e McCain, cada qual à sua maneira, se apresentavam/eram apresentados como os outsiders.

Mas também é verdade que o meu conhecimento das primárias republicanas foi sobretudo via "LewRockwell.com" e "American Conservative", que talvez não sejam as fontes mais indicadas para saber a opinião do "establishment".
Miguel Madeira a 31 de Agosto de 2010 às 02:02

O Romney era um desconhecido antes de 2008. Desde que saiu do governo do Massachusetts, em 2007, praticamente mudou-se para o Iowa e New Hampshire, dividindo os seus esforços nestes dois estados. Apostou, sobretudo, em conquistar o voto conservador e religioso do Iowa. Os candidatos com mais apoio em Washington sempre foram Giuliani e McCain (apesar da sua fama de maverick e ter sido declarado "morto" no verão de 2007). Principalmente depois do inicio das primárias em Janeiro de 2008, foi isso que sucedeu: romney e huckabee no lado mais conservador, e McCain e Guiliani do outro lado (Rudy nem chegou a existir quando isto começou a sério). Aliás, notou-se principalmente depois de McCain vencer no New Hampshire, que ele tornou-se o favorito do establishment, pois era o que apresentava melhores números contra os democratas. Romney sempre foi considerado inelegível, dado o seu fraco nível de reconhecimento no país. E o establishment apoia sempre o "cavalo" com mais hipóteses de vitória...
Nuno Gouveia a 31 de Agosto de 2010 às 02:32

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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