07
Ago 10
publicado por Nuno Gouveia, às 00:52link do post | comentar

Alertado pelo Diogo Moreira, cheguei a esta notícia que dá conta que o RNC mudou as regras das primárias republicanas para 2012. A alteração das primeiras eleições para o mês de Fevereiro e fim do sistema Winner Takes All (WTA) em alguns Estados são as principais alterações aprovadas.

 

Depois do sucesso que foram as eleições primárias democratas, estas alterações eram consideradas urgentes por muitos analistas políticos americanos. Recordo que Barack Obama e Hillary Clinton arrastaram as primárias democratas até Junho de 2008, fazendo com que os candidatos tivessem de competir nos 50 estados. Além da publicidade que deu aos candidatos, especialmente ao nomeado, esta longa campanha permitiu a criação de uma estrutura de campanha em todos os estados mais cedo que John McCain, com óbvias vantagens de Barack Obama. Pelo contrário, John McCain "fechou" logo a nomeação em Fevereiro, depois de derrotar Mitt Romney e Mike Huckabee na Superterça-feira, em Fevereiro.

 

Com estas novas regras, e especialmente com o fim do WTA, é próvavel que a nomeação republicana de 2012 se arraste até ao fim das primárias, permitindo desta forma  aos republicanos ocupar o cenário mediático/político na primeira metade do ano eleitoral. Uma boa jogada do GOP, além de aumentar a democraticidade e a participação dos cidadãos no processo de nomeação.


Mais do que a abolição do sistema WTA, no qual o candidato vencedor de uma primária arrebatava todos os delegados desse estado à convenção do seu partido,o que eu acho que carece de revisão em ambos os partidos é a questão caucuses/primárias propriamente ditas, embora porventura isso se trate de legislação dos estados e não de regulamentação partidária.

Alguns estados organizam "caucuses" (pequenas assembleias) em vez de eleições primárias. Obama espreitou este furo em 2008 e foi aí que cavou a diferença para Hillary Clinton em termos de delegados à Convenção Democrática, porque na realidade, em termos de votos populares, ficou muito aquém da actual Secretária de Estado. Isto sim, representaria um real aumento da democraticidade do sistema de escolha dos candidatos de cada partido.
Alexandre Burmester a 7 de Agosto de 2010 às 17:32

Mas isso seria mexer na tradição de muitos estados. Por exemplo, nunca os habitantes/legisladores do Iowa aceitariam mudar as regras que dão tanta relevância ao Estado no processo de nomeação dos candidatos.

abraço

Nuno Gouveia

Mas o que dá importância ao Iowa não será sobretudo a sua votação ser a primeira ou segundo do ano, e não tanto ser um caucus vs. uma primária?

Também tendo a concordar consigo, caro Miguel Madeira.

Iowa e New Hampshire têm sistemas diferentes ("caucus" e primária, respectivamente) mas a sua proeminência eleitoral deve-se essencialmente ao calendário.

E se as primárias tendem a beneficiar os candidatos "extremistas" (à falta de melhor termo), os "caucuses" fazem-no ainda mais.
Alexandre Burmester a 9 de Agosto de 2010 às 16:41

De facto a relevância dos caucuses do Iowa explica-se por ser o primeiro momento electivo da nomeação. Sinceramente nunca li que existisse algum movimento para substituir o caucus do Iowa. Já sobre o próprio sistema do caucus, isso é outra coisa. Por outro lado, teria que haver alguma mudanças: porque enquanto o Iowa é o primeiro momento electivo do processo de nomeação presidencial, o New Hampshire é que detém o "direito" de ser a primeira eleição primária. E se o Iowa deixasse de ser um caucus, isso poderia entrar em choque com o NH...
Nuno Gouveia a 9 de Agosto de 2010 às 19:33

Já agora, um assunto que talvez fosse interessante discutir é o fim das primárias na Califórnia, substituidas por uma espécie de eleição geral a duas voltas (largamente por instigação da ala moderada dos Republicanos, que estavam fartos de ser derrotados pelos conservadores na primárias, que por sua vez eraam derrotados pelos Democratas na eleição final)..
Miguel Madeira a 9 de Agosto de 2010 às 16:22

Eles nestas últimas primárias até nem têm grandes razões de queixa, pois os candidatos conservadores foram derrotados nas primárias. Talvez a escolha para o senado de Fiorina tenha sido menos moderada que Tom Campbell, mas a Fiorina era bem mais conhecida.

No entanto não me parece que isso vá modificar grande coisa o resultado final na Califórnia. Os democratas continuarão a ser maioritários no Estado. Apesar das vitórias que republicanos têm tido para o cargo de governador desde a década de 80.

Sim, longe vão os tempos em que Nixon e Reagan (com a vantagem de serem filhos da terra) ganhavam a Califórnia nas presidenciais. Em contrapartida, outro grande estado - o Texas, berço de Lyndon Johnson - fez a "viagem" de sentido oposto.

Creio que a última vez que o GOP venceu a Califórnia numa presidencial foi em 1988 com George H.W. Bush. Mas este ano é um ano diferente, e atrevo-me a vaticinar uma "dobradinha" Fiorina/Whitam. No segundo caso, como o Nuno salienta, isso nem seria uma grande novidade (e afinal o actual inquilino da mansão governamental em Sacramento até é republicano), mas no Senado, desde 1991, ano em que Pete Wilson abandonou o seu lugar para assumir o cargo de Governador que curiosamente ganhara em disputa eleitoral com a actual Senadora Diane Feinstein, que lhe sucederia no Capitólio, que não há um membro republicano por aquele estado.
Alexandre Burmester a 13 de Agosto de 2010 às 22:16

lapsus calami: Whitman e não Whitam
Alexandre Burmester a 13 de Agosto de 2010 às 22:17

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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