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Jul 10
publicado por Nuno Gouveia, às 15:36link do post | comentar

 

No dia em que foi publicada mais uma sondagem negativa para Barack Obama, regresso ao tema das presidenciais de 2012. Existe neste momento uma euforia quase generalizada entre os republicanos que Obama é um novo Jimmy Carter. E por isso, poderá ser facilmente derrotado. Se é apenas estratégico ou real, isso é outra coisa. Mas na verdade na opinião publicada conservadora têm surgido vários indícios disso, apontado para as fragilidades actuais do Presidente.


Num artigo brilhante, Charles Krauthammer coloca água na fervura, e aponta para os pontos fortes do Presidente. Em política nunca se deve menosprezar um adversário. E se ele chamar-se Barack Obama, então isso poderá ser um erro fatal. Colocando de parte as reservas que manifestei perante o campo de  possíveis candidatos republicanos, Obama é o Presidente. E, como tem sido reafirmado por vários analistas, tem conseguido avançar a sua agenda no Congresso. Impopular e que vai contra a vontade da maioria dos americanos. No entanto, tem feito coisas. Não poderá ser acusado de não fazer nada, o que já é uma vantagem. Além disso, Obama mantém uma considerável boa imagem pessoal perante os americanos, apesar da impopularidade das suas politicas. Até 2012 ainda muito irá acontecer, e nesta segunda parte do mandato, depois das Intercalares, a sua postura tenderá a ser diferente: menos ideológica, menos reformista e mais conciliadora. Provavelmente até irá tomar posições que desagradará a sua base de apoio, para ir de encontro aos republicanos e independentes.


Dois anos em politica são uma eternidade. Se as eleições fossem já em Novembro, provavelmente Barack Obama seria derrotado. Mas ainda tem muito tempo para recuperar o seu capital  de confiança perante o povo americano. Foi assim com Ronald Reagan e Bill Clinton, que não estavam em grande forma a meio dos seus primeiros mandatos. Não quero dizer com isto que não será derrotado. Apenas mantenho as minhas reservas. Claro que o estado da economia poderá ser decisivo. A menos que a situação não melhore substancialmente, Obama mantém hipóteses elevadas de reeleição.



" E, como tem sido reafirmado por vários analistas, tem conseguido avançar a sua agenda no Congresso. Impopular e que vai contra a vontade da maioria dos americanos. No entanto, tem feito coisas. "

A ideia que eu tinha, visto deste lado do Atlântico, era de que, tirando a reforma da Saúde (que só é "impopular" se se somar a oposição "de direita" e "de esquerda", o que não sei se se fará grande sentido) o Obama pouco de diferente do Bush tinha feito.

Mas se calhar as minhas "fontes" (o Krugman para a economia, o Justin Raimondo para a politica externa) também não são as mais indicadas para uma visão imparcial...
Miguel Madeira a 22 de Julho de 2010 às 23:28

A impopularidade das reformas, além de ser uma evidência nas diversas sondagens que têm sido feitas, reflecte-se também na popularidade do Presidente. Isso é um facto. Se os descontentes são de esquerda, direita ou centro, é outra coisa. Mas se ele mantém níveis elevados de popularidade na esquerda e baixíssimos à direita, o mais preocupante para ele é que tem vindo a perder os independentes que nele votaram em 2008.

Além da reforma da saúde, conseguiu passar o primeiro plano de estímulos, onde quase nenhum republicano votou. E passou esta semana a reforma do sector financeiro, onde apenas teve o voto (R) do Senador Brown.

Na política externa há certamente diferenças. A postura mais defensiva em relação a Israel, o resfriamento das relações com o UK, a relação com a América Latina (alguma vez a Administração Bush teria criticado a situação nas Honduras?), deixou cair o termo de guerra ao terror, implementou a surge no Afeganistão (aqui Bush teria feito o mesmo), etc. No entanto, e analisando a história americana, raramente na política externa há mudanças radicais. E por isso concordo que há uma linha de continuidade com a Administração Bush, especialmente se analisarmos o segundo mandato.
Nuno Gouveia a 22 de Julho de 2010 às 23:39

Ir «ao encontro». E nunca «de encontro».
David Gaspar a 26 de Julho de 2010 às 19:08

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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