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Jul 10
publicado por Nuno Gouveia, às 23:20link do post | comentar

Nas últimas semanas os dirigentes do Partido Democrata do Congresso e elementos da Casa Branca têm divergido entre si sobre as eleições intercalares. Por um lado, a Administração tem baixado as expectativas, tendo Robert Gibbs admitido mesmo que os Democratas poderiam perder o controlo da Câmara dos Representantes. Os congressistas e senadores, assustados com esta realidade, têm reafirmado a sua crença que vão manter a maioria. Enquanto Barack Obama pensa sobretudo na reeleição em 2012, os democratas de Washington pensam na sua sobrevivência.

 

O cenário não é positivo para os Democratas. Todas as sondagens apontam para um desgaste enorme no apoio dos independentes à agenda democrata, com estes a aproximarem-se da mensagem republicana. Em contraste ao pouco entusiasmo dos Democratas, os Republicanos estão motivados para irem às urnas em Novembro. Em termos financeiros, os Republicanos têm angariado muito mais dinheiro, e isso poderá marcar a diferença. Este panorama poderá transformar as eleições de Novembro num pesadelo para os Democratas. Mas vamos por partes.

 

Os republicanos precisam de conquistar 39 lugares para derrubarem Nancy Pelosi como Speaker da Câmara dos Representantes.  No Real Clear Politics, 24 lugares democratas são apontados como possíveis conquistas republicanas, enquanto apenas perdem três. Dos 35  colocados em situação de empate técnico, apenas dois são actualmente ocupados por republicanos. Isto quer dizer que bastaria manterem esses dois lugares e vencerem 18 dos restantes 33 lugares em situação de empate. No actual ambiente, é bem possível que tal suceda.

 

No Senado, a situação é bem mais complexa para os Republicanos. Nos últimos três meses, a Califórnia, Wisconsin e Washington, anteriormente considerados seguros para os Democratas, transformaram-se em empates técnicos. Mas também perderam a vantagem que tinham na Florida, onde Charlie Crist tem surgido como frontrunner e no Nevada, onde a candidata republicana, que tem actuado de forma medíocre, se tem afundado perante Harry Reid. Para obterem a maioria, precisariam de vencer nove das dez eleições que neste momento estão empatadas. Um situação improvável, mas não impossível.

 

Regresso à divisão entre a Casa Branca e os Democratas do Congresso. Aos primeiros interessa sobretudo baixar as expectativas. Foi isso que Gibbs fez. Porque as eleições intercalares vão ser consideradas sobretudo um referendo à Administração Obama. Um cenário em que os republicanos obtenham grandes avanços, mas não consigam ganhar nenhuma das Câmaras, seria transformado numa vitória para Barack Obama. O jogo das expectativas é importante, e mesmo que os republicanos ganhem 38 lugares na Câmara dos Representantes e 8 lugares no Senado, isso poderá ser vendido ao povo americano como uma vitória de Obama. Pelo contrário, para os políticos que vão a votos em Novembro, não interessa agora discutir uma possível vitória dos republicanos. O entusiasmo já não é grande, e o pior que podia acontecer aos democratas, é instalar-se o pessimismo nas suas hostes. Mas há muito nervosismo.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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