09
Mar 13
publicado por Nuno Gouveia, às 13:06link do post | comentar

 

Esta semana foi noticia um pouco por todo o mundo, e Portugal não foi excepção, o filibuster de Rand Paul no Senado à nomeação de John Brennan para liderar a CIA. Confesso que nem concordo com a posição de Paul, mas esta colocou em evidência toda a hipocrisia que reina em Washington, onde salvaram-se, além do próprio Paul, alguns republicanos como John McCain e Lindsay Graham, democratas como Ron Wyden e algumas vozes da esquerda americana. Recorde-se: Paul insurgiu-se contra Brennan por este ter sido o responsável pelo sistema de eliminação de terroristas através de Drones, e pelo facto da Administração ter dado a entender que Obama tinha a autoridade para mandar assassinar cidadãos americanos em solo nacional. Não tenhamos dúvidas: a esmagadora maioria dos democratas, incluindo o próprio Presidente Obama, estaria ao lado de Rand Paul se o presidente ainda se chamasse George W. Bush. Isto para não falar do barulho estridente que se ouviria por parte dos media, das organizações americanas “liberais” e da comunidade internacional, incluindo em Portugal. Por outro lado, os republicanos que agora apoiaram, timidamente ou não, Rand Paul, estariam a defender o programa de Drones se o presidente fosse um dos deles. Por isso, o meu aplauso para Rand Paul, que quase de certeza faria o mesmo em qualquer circunstância, e também para John McCain e Lindsay Graham, que não tiveram problemas em defender o Presidente no Senado, mantendo uma coerência que é rara nos dias de hoje. 

 

Em relação ao programa de Drones e à possível eliminação de cidadãos americanos em solo nacional, parece-me que Rand Paul exagerou nos termos em que colocou a situação. Mas este é um debate que a sociedade americana deveria ter, pois é uma questão fundamental sobre o futuro dos Estados Unidos: deverá o Presidente ter a autoridade para eliminar cidadãos sem julgamento? Em que circunstâncias isso pode acontecer? Hoje falamos de terrorismo, mas no futuro poderá ser outro motivo qualquer. E, não esqueçamos, outros países irão ter a mesma capacidade para eliminar alvos deste modo.

 

O filibuster é uma das maravilhas da democracia americana e já não se via um deste género há imenso tempo. Mr Rand Paul went to Washington e agora cuidado com ele em 2016. Não penso que terá força política para vencer a nomeação, mas três anos é muito tempo, e não se sabe para que direcção vai evoluir o Partido Republicano e a sociedade americana, e estas posições são extremamente populares entre os mais jovens. Uma coisa é certa: ninguém pense que Rand Paul irá ter o papel menor que o pai teve nas duas últimas primárias. 


Paul teve toda razão quando disse que o Obama de 2007 estaria ao seu lado. Só acho que se criou um precedente perigoso para nomeações do tipo. No fim, outra questão é: Porque não existe fillibuster na Câmara?
Quanto a Paul, se vencer a nomeação em 2016 isso será ótimo... pros democratas :-)
Joao Felipe a 9 de Março de 2013 às 16:15

Também me parece que impedir a nomeação de um líder da CIA não foi o melhor momento par ao filibuster, pois Paul opõe-se é a à política do Presidente e não propriamente à nomeação de Brennan. Penso que Paul não irá vencer a nomeação, mas pode vencer algumas primárias e ser uma espécie de rick santorum de 2012. O que, seria, uma grande evolução positiva para o GOP :)

Nuno Gouveia a 10 de Março de 2013 às 11:32

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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