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Jan 13
publicado por Nuno Gouveia, às 22:43link do post | comentar

 

Zero Dark Thirty, um filme de Kathryn Bigelow que está nomeado para os Óscares, está desde já envolto em polémica devido ao tema da tortura e das técnicas de interrogatório utilizados pela CIA durante os anos que se seguiram ao 11 de Setembro. O filme conta a história de alguns elementos da CIA na caça de Osama Bin Laden, que culminou em 2011 com a eliminação do líder da Al-Qaeda no Paquistão. Zero Dark Thirty, que contou com a colaboração de informações vindas da Administração Obama, esteve para estrear antes das eleições presidenciais, mas acabou por ser exibido apenas recentemente nos Estados Unidos devido às criticas de sectores conservadores na época, que temiam fosse um acto de propaganda em favor de Barack Obama. Na realidade, essas críticas mostraram-se completamente infundadas, pois o que é relatado no filme, a acreditar na sua história, é apenas a história dos elementos da CIA que desde 2001 lideraram a caça a Bin Laden e poucas referências são feitas às administrações Bush e Obama.

 

O inicio do filme é poderoso e marcante, e que provoca a polémica actual. Nessas primeiras cenas vemos um elemento da Al-Qaeda a ser interrogado por dois operativos da CIA num seus dos famosos black sites, sendo que um deles recorre ao Waterboarding, à privação do sono e à música de heavy-metal para quebrar o prisioneiro. Não sendo bem claro no filme se foram estes métodos que levaram à informação sobre o correio de Bin Laden, a realidade é quem visiona o filme fica claramente com a sensação que o prisioneiro cede ao interrogatório e revela o nome da pessoa que viria a levar a CIA, anos depois, até à casa onde Bin Laden se refugiava no Paquistão. E é aqui que a polémica rebenta: os senadores John McCain (R), Diane Feinsten (D, e Carl Levin (D) criticaram violentamente o filme por mostrar que as técnicas de interrogatório da CIA contribuíram decisivamente para eliminar Bin Laden. Na verdade, as informações que têm saído sobre este tema nos últimos anos têm sido contraditórias: vários membros da Administração Bush, como o antigo director da CIA, Michael Hayden ou o Procurador Geral, Michael Mukasey, têm afirmado que esses métodos foram importantes para o processo Bin Laden, o que tem sido negado por vários políticos com acesso à informação privilegiada, como os referidos senadores. E em quem acreditar nesta história toda? Isso fica para cada um decidir de acordo com as informações conhecidas publicamente.

 

Que houve elementos da Al-Qaeda que foram submetidos a actos questionáveis, como o Waterboarding ou a privação de sono, isso é um facto. Se esses métodos foram eficazes na obtenção de informação relevantes, penso que nunca saberemos com toda certeza. O que temos assistido é que quem defende a utilização desses métodos em situações extremas afirma que foram eficazes. Quem é contra, diz que o inverso. Estes métodos deixaram de ser sancionados pelo governo americano nos últimos anos de Bush. A luta contra o terrorismo prosseguiu nos últimos anos, com a Administração Obama a aumentar a utilização de Drones para eliminar terroristas da Al-Qaeda, com grande sucesso, sendo que a sua captura deixou de ser uma prioridade. O que seria melhor? Capturá-los para retirar informações ou simplesmente eliminá-los? Um debate que ganha contornos ainda mais interessantes, quando Obama nomeou para a CIA John Brennan, que esteve directamente envolvido na espionagem da agência nos anos Bush. Zero Dark Thirty estreia esta semana em Portugal, sendo que tem recebido boas críticas. A ver e retirar ilacções. 


Caro Nuno,

Entendo a posição dos conservadores em relação ao filme, caso este tivesse estreia agendada para antes das eleições, quando supostamente Obama e Romney estavam "taco a taco", se fosse ao contrário os Democratas agiriam da mesma forma.
Quanto as técnicas de tortura por parte da CIA é um assunto complicado pois se vivesse-mos no mundo ideal não havia guerras, ataques terroristas, serviços secretos, tortura etc.
Mas sejamos coerentes será só a CIA que pratica tortura os outros serviços secretos são todos homens de bem?
Anónimo a 14 de Janeiro de 2013 às 12:16

Longe disso. Não sendo ingénuo, acredito que em situações extremas este tipo de métodos de interrogatório já tenham sido utilizados por diversos serviços de inteligência ocidentais. mas sempre em segredo e sem conhecimento público. A diferença neste caso terá sido mesmo o nível de conhecimento e a autorização oficial por parte das autoridades competentes.

pô agente ouvia pouco né...


viva sandino.....como se abre um sandinista?

com uma lata de ananás....

quanto tempo o sendero luminoso alumia el sendero?

depende de com quanto pitroil o regarmos...



a guerra às drogas do us army torturava mais às claras

que the war on terror

i s'pose que as drogas ajudavam mais a suportar o cheiro meu...

é queles cagam-se todos...
e o cheiro a carne queimada de uma semana é putreficante ou diz-se estupidificante?
ó filho sem conhecimento a 19 de Janeiro de 2013 às 04:13

atiravam os pretos do savimbi do helicóptero

ou os meninos pra dentro da fogueira para ficarem bem passados

ou fritavam os eritreus anti mengistu hailé mariam...

siade barre pra tu puto
ao menos os cubanos eram mais humanos a 19 de Janeiro de 2013 às 04:15

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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