09
Jan 13
publicado por Alexandre Burmester, às 17:09link do post | comentar

 

 

 

 

Nesta série de apontamentos acerca da carreira de Richard Nixon, acho que o famoso "Debate da Cozinha" não podia faltar.

 

Com efeito, tratou-se, muito possivelmente, da única discussão pública de que há memória entre dois políticos de países diferentes. Richard Nixon, então Vice-Presidente (1953/1961), e o mais conhecido combatente da Guerra Fria americano, deslocara-se a Moscovo para a inauguração da Exposição Nacional Americana, em 1959.

 

Durante a digressão pela exposição, e ao chegarem à zona onde se demonstrava as modernas técnicas ao serviço das donas de casa americanas nas cozinhas de suas casas, Nixon e o líder soviético Nikita Khrushchev travaram-se de razões e protagonizaram uma acesa discussão. Parte do debate, em tom já mais moderado, chegou a ser gravado em vídeo. Mas talvez a mais famosa tirada de Nixon nesta discussão tenha sido quando Khrushchev, minimizando a tecnologia americana exposta na "cozinha", disse a Nixon que, também eles, soviéticos, gozavam de grandes padrões de vida e que desde já o convidava a visitá-lo no Kremlin quando ele, Khrushchev, festejasse 90 anos, ao que Nixon famosamente retorquiu: "Não me diga que, nessa altura, ainda vai estar no poder sem eleições!" E isto em público, e traduzido inclusivamente para o público soviético.

 

O "Debate da Cozinha" aumentou a popularidade de Nixon nos E.U.A. e tê-lo-á tornado o inevitável candidato republicano às eleições presidenciais de 1960.

 

 

PS: Deixo aqui um relato de uma testemunha deste debate: William Safire, à época representante do fabricante da casa-modelo em exposição e, mais tarde, "speechwriter" do Presidente Nixon.

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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