09
Jan 13
publicado por Alexandre Burmester, às 13:36link do post | comentar

 

 

Conforme o Nuno abaixo refere, celebra-se hoje o centenário do nascimento de Richard Milhous Nixon, 37º Presidente dos Estados Unidos (1969/74).

 

Quando Nixon morreu, em Abril de 1994, a revista Time quebrou a sua tradição de só publicar fotografias de pessoas vivas na sua capa, salientando que, àquela data, o antigo presidente era a pessoa que mais vezes ali surgira. Isto dá bem uma ideia da presença dominante de Nixon na política americana, desde que foi eleito para a Câmara dos Representantes em 1946, e mesmo para além da sua demissão em 1974, pois teve um ressurgimento uns anos mais tarde, tendo terminado a sua vida no papel de estadista veterano que os políticos - e o público - gostavam de ouvir.

 

Na realidade, pode dizer-se que houve dois "Nixons": o político combativo, que em campanha tinha o dom de irritar os adversários, que o alcunharam de "Tricky Dick", aspecto que culminou no caso Watergate, que fez com que Nixon, enredado numa comédia de equívocos, se tornasse o primeiro presidente dos E.U.A. a demitir-se. O mais irónico do caso Watergate é que, se as famosas gravações da Casa Branca em alguma coisa ajudaram Nixon, nos milhares de horas de conversas do presidente não há um único segundo que mostre que Nixon tivera conhecimento antecipado do assalto à sede do Partido Democrático no edifício Watergate. Mas ao incentivar o encobrimento do caso, viu-se acusado de obstrução de justiça, e a sua impugnação pela Câmara dos Representantes parecendo inevitável, Nixon demitiu-se.

 

Além deste Nixon "de campanha", tivemos o Nixon estadista, o homem de grande visão estratégica, a qual culminou na sua famosa iniciativa em relação à China e não menos famosa visita àquele país em 1972, a qual deixou o Mundo positivamente embasbacado. Começou aí o processo de abertura da China ao Mundo.

 

Figura complexa e que não deixava ninguém indiferente (as pessoas ou o adoravam ou o detestavam), Nixon detém o "recorde" de presenças no "ticket" presidencial americano (5), pois foi três vezes candidato presidencial e duas vezes candidato a vice-presidente.

 

Na sua extensa e monumental biografia de Nixon, em três volumes, o historiador americano Stephen E. Ambrose começa por dedicar a obra aos seus dois irmãos, "que asseguraram que, entre os irmãos Ambrose, Nixon ganhou sempre por 2-1", e termina-a  com esta sintomática frase: "Quando Nixon se demitiu, a América perdeu mais do que ganhou".

 

 

Na foto: Fevereiro de 1972: Mao Tsé Tung recebe Nixon em Pequim

 


Um Estadista impar, com facetas de personalidade muito difíceis e intrigantemente destrutivas, que tendo governado ao centro e de forma moderada, delineou a estratégia eleitoral do GOP, que, aproveitando o progessivo liberalismo "cosmopolita urbano " dos democratas, foi ganhando terreno no sul e entre os brancos. Mas o GOP é hoje muito mais conservador que Nixon era.
miguel direito a 9 de Janeiro de 2013 às 14:42

Sim, caro Miguel, o GOP será hoje muito mais conservador que Nixon era, mas os seus dois últimos candidatos presidenciais, John McCain e Mitt Romney, estavam basicamento dentro dos parâmetros ideológicos "nixonianos".

Quatro anos antes da sua segunda nomeação como candidato presidencial republicano, Nixon vira o Partido Republicano nomear Barry Goldwater, possivelmente, até hoje, o candidato mais à direita que o GOP apresentou. Pelo que, diria eu, há que ter perspectiva.

Um abraço

Também considero Nixon um dos grandes nomes da política americana. Mas não há o que diminuir na sua participação no caso Watergate. O que ele fez foi CRIME, Sua demissão foi justíssima. Não há passado glorioso que possa diminuir o que fez.
Joao Felipe a 9 de Janeiro de 2013 às 22:35

Aliás, consta que o tal Goldwater teria dito a Bob Dole em meados da década de 90: \"Nós somos os liberais do partido republicano de hoje, dá pra acreditar?\" Isso foi em 1996, imagina hoje.
Joao Felipe a 9 de Janeiro de 2013 às 22:38

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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