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Dez 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:23link do post | comentar

O "Abismo Fiscal " ("Fiscal Cliff") tem posto a América em transe. De facto, se não houver um acordo orçamental até 31 de Dezembro, entram automaticamente em vigor aumentos de impostos (para todos) e cortes de despesa, que significarão uma redução de cerca de 5% do PIB dos EUA, um montante assombroso.

 

De um lado perfilam-se os democratas, encabeçados por um presidente "redistributivo" e que acha que a América está cheia de "milionários e bilionários" com os seus jactos privados, e do outro os republicanos, para os quais nenhum aumento de impostos é aceitável e toda a despesa pode ser cortada com a excepção da Defesa.

 

A verdade é que a Administração Obama tem acrescentado diariamente à dívida pública uma média de US $ 3.000.000.000 (escrito assim, por extenso, causa mais impacto). Outra verdade, é que não há "milionários e bilionários suficientes" para suprir o deficit federal. Ainda outra verdade é que os 5% que mais auferem já pagam cerca de 85% do imposto federal sobre o rendimento. Uma verdade mais é que nada custa "carregar-lhes" mais um bocado (na versão Plano B do Speaker da Câmara dos Representantes, John Boehner, aliás chumbada pelos seus correligionários republicanos.).

 

Olhando para situçações semelhantes no passado, eu diria que, até ao fim do ano, pelo menos um acordo parcelar será atingido, uma espécie de adiamento do problema. Mas, ao ver declarações dos dois lados, como a do Senador republicano John Barrasso, do Wyoming, segundo o qual o Presidente Obama deseja ver o país despenhar-se no tal abismo por achar que terá alguma coisa a ganhar com isso politicamente lá do fundo do abismo, não sei se não estaremos na véspera de um muito desagradável acontecimento.


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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