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Dez 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:19link do post | comentar

Depois de eliminar os maus porta estandartes que têm prejudicado a imagem do partido, e de apresentar novas faces perante a América, o Partido Republicano irá necessitar de adequar a sua mensagem aos novos tempos. Penso que aqui concordo com o que tem dito o governador da Louisiana, que tem defendido que o GOP não precisa de moderar-se, precisa sobretudo de modernizar-se. E isto implicará necessariamente alguns ajustes ao que têm defendido no passado recente. O Partido Republicano precisa urgentemente de deixar de ser visto como o partido dos ricos. Neste actual debate sobre a redução do défice, o GOP tem aparecido aos olhos dos americanos na defesa incessante do não aumento de impostos para os ricos, enquanto os democratas têm enfatizado a manutenção dos cortes fiscais para a classe média. Isto resume bem os problemas do partido nesta matéria. Como defender baixos impostos para todos e não entrincheirar-se na posição de defesa dos ricos? Talvez passe por deixar expirar os Bush Tax Cuts para os que ganham acima dos 250 mil dólares, como Obama pretende, forçando o corte na despesa que sempre têm defendido. É preciso flexibilidade na defesa de posições, fazendo jus à máxima de Reagan, que numa negociação deve-se obter o máximo de dividendos, sabendo-se que nunca se consegue tudo. Mais, estando o GOP na oposição, será aceitável que tal suceda. 

 

Nas questões sociais, o GOP não precisa de moderar a sua oposição ao aborto. Nunca como agora houve tantos pro-life nos Estados Unidos, pelo menos nas últimas décadas. Mas isso não implica deixar que a defesa desta posição esteja a cargo de extremistas como Todd Akin ou Richard Mourdock. Se o GOP for inteligente nesta matéria, ganhará certamente apoio no eleitorado tradicionalmente moderado. Por outro lado, e numa questão da moda, o casamento homossexual, também não considero que deva haver uma mudança abrupta. Não se devem mudar de convicções por motivos eleitorais, mas é preciso que o GOP deixe que o debate cresça também entre o partido, e que posições minoritárias não sejam tratadas como aberrantes. A Big Tent que Reagan sempre defendeu também deve incluir estes temas. Em relação à imigração, deve ser dado espaço a vozes como John McCain, Marco Rubio, Jeb Bush ou Susana Martinez, que defendem uma abordagem compreensiva ao tema. Há 12 milhões de ilegais a residir nos Estados Unidos e o GOP deverá ser tolerante para aceitar uma reforma da imigração que permita que os imigrantes que trabalhem e que contribuem para o desenvolvimento do país, alcancem um estatuto de legalidade. Na década de 80 Reagan fez o mesmo. 

 

Por fim, o GOP precisa de ter um discurso virado para as novas gerações. A questão da liberdade na Internet, que tem vindo a ser debatida nos Estados Unidos, pode ser uma grande bandeira para os republicanos, já que o Partido Democrata é está sob influência dos círculos liberais de Hollywood e da indústria de conteúdos. Este ano já vimos os republicanos no congresso a assumir esta bandeira, mas será necessário fazer mais. Reagan foi o último republicano a vencer no voto jovem, com a sua mensagem optimista e crente no futuro do país. O fiscal conservativism é cada vez mais popular entre os jovens, e terá que ser por aqui que os republicanos terão de atacar. 

 

A modernização que Bobby Jindal defendeu também passará por modernizar as técnicas eleitorais do partido. Como vimos nestas eleições, o famoso ground game de Obama permitiu-lhe vencer as eleições, pois no terreno a máquina democrata, assente sobretudo nos contactos pessoais e nas novas tecnologias, foi extremamente eficaz. O GOP tem alguns profissionais das novas tecnologias brilhantes, mas necessita de lhes dar voz e liberdade, que foi o que Obama e os democratas fizeram nestes dois últimos ciclos eleitorais. Basta ler os relatos sobre esta última campanha de Obama e de Romney para verificar isso. 


E quanto ao partido democrata? Não dá pra se contentar com apenas 39% do voto branco. Até porque não há garantia alguma de que as minorias continuarão a aderir em massa ao partido. O que fazer pra melhorar entre os brancos?
Joao Felipe a 3 de Dezembro de 2012 às 20:19

Boa questão. Até porque num futuro próximo nada lhe garante que manterá o elevado share de voto das minorias, especialmente das latinas. E poucos candidatos terão a capacidade para ter tamanha elevada participação do eleitorado afro-americano.

Também dedicarei em breve um posta a este tema.
Nuno Gouveia a 3 de Dezembro de 2012 às 20:25

Sobre o GOP dar mais espaço a vozes divergentes acho que é por aí mesmo. Os democratas conseguiram eleger desde Tammy Baldwin a Joe Manchin. Há algo errado em um partido quando gente como Barry Goldwater se considera pertencente a sua ala liberal (como ocorreu em 1996).
Joao Felipe a 3 de Dezembro de 2012 às 20:26

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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