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Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:10link do post | comentar

Sim, ainda agora acabou o ciclo presidencial de 2012 e já estou a escrever sobre o próximo. A política americana é um carrossel, e como tal, a especulação em nome dos potenciais candidatos será uma constante nos próximos tempos. E tal como em 2008, as primárias prometem ser explosivas em ambos os partidos. Diria que o Partido Republicano, pelo menos em teoria, parte em ligeira vantagem no que diz respeito aos potenciais nomes. Apesar dos vários políticos desastrados que o GOP gerou nestes dois últimos ciclos eleitorais, na verdade entre 2009 e 2010 surgiram na arena nacional nomes que tem suscitado enorme atenção. O Partido Democrata apresenta um leque de potenciais candidatos mais desconhecidos e com menos "star power". Isto, claro, se Hillary Clinton não for candidata, porque nesse caso penso que partirá como favorita, não só para as primárias como talvez para as eleições gerais. 

 

No Partido Democrata, diria que tudo vai estar condicionado pela opção de Hillary Clinton em avançar. Se ela for candidata, dificilmente haverá concorrência à altura. Depois de em 2008 ter falhado contra o fenómeno Barack Obama, a sua estadia na Secretaria de Estado nestes últimos quatro anos colocaram-na no lugar cimeiro da popularidade entre os políticos no activo. Joe Biden, que parte numa posição de fragilidade (Vice presidente não muito popular, gaffes políticas embaraçosas, pouca ligação com as novas gerações e terá 73 anos em 2016), já deu sinais de desejar concorrer pela terceira vez, depois de 1988 e 2008. Honestamente não acredito muito na viabilidade desta candidatura, mas com a máquina da Casa Branca atrás de si será sempre alguém a ter em conta. Depois, os dois governadores que mais se têm destacado nestes últimos anos: Andrew Cuomo de Nova Iorque, que para mim será o mais forte candidato se Hillary não avançar, e Martin O'Malley do Maryland, que tem vindo a fazer várias incursões nacionais. Outro governador que já demonstrou interesse é o governador do Montana Brian Schweitzer. Fez um grande discurso na Convenção de 2008 e desde então o seu nome ficou ligado a algo "maior". Desde então tem estado apagado, mas é outro dos políticos que de quem se fala. Se Hillary Clinton não avançar, outras mulheres terão a tentação de avançar. Aliás, depois do Partido Democrata ter eleito o primeiro Presidente Afro-Americano, haverá em certos sectores do partido a vontade de eleger uma mulher. E aí há três nomes na linha da frente. A senadora de Nova Iorque, Kirsten Gillibrand, que não esconde as suas ambições, a senadora do Minnesota, Amy Klobuchar, outro dos nomes ventilados e ainda a recém eleita senadora do Massachussetts, Elisabeth Warren. Apesar dos nomes não serem muito sonantes, com excepção de Hillary e Biden, não faltará certamente animação para a sucessão de Barack Obama entre os democratas. 


Em relação ao Partido Republicano, os nomes que aparecem deste já na linha da frente são mais fortes. A começar pelas grandes estrelas em ascensão, que são várias. A começar pelo senador da Florida, Marco Rubio. Hispânico, segmento do eleitorado onde os republicanos desesperadamente precisam de crescer, esteve este fim de semana no Iowa, e poderá ser um candidato fortíssimo. Outro dos nomes mais fortes, e que poderá ter uma palavra a dizer se Rubio avança ou não, é Jeb Bush, antigo governador da Florida e mentor do jovem senador. Se não fosse pelo seu apelido, talvez já tivesse sido candidato este ano. É talvez o preferido do establishment republicano. Paul Ryan é outra das jovens estrelas que estará a pensar nisso. Depois deste ano ter sido candidato a Vice Presidente, é alguém que terá aspirações ao cargo mais alto da nação. Bobby Jindal, que em 2016 estará a terminar o segundo mandato de Governador da Louisiana, e que terá apenas 45 anos em 2016, poderá também ser candidato. Após a derrota deste ano, tem-se desdobrado em intervenções sobre a actual crise do GOP e tem aliados em diversas facções do partido. Chris Christie de New Jersey viu a sua aura entre os republicanos ferida pelo seu "abraço" a Barack Obama no pós Sandy. Mas quatro anos é muito tempo em política, e caso seja reeleito em 2013, terá a tentação de preparar uma corrida à Casa Branca. Rand Paul, filho de Ron Paul, poderá ser o candidato da ala libertária em 2016, pegando no legado de seu pai, agora com mais apoio entre os republicanos tradicionais. Condoleezza Rice deixou meio mundo atento depois da sua intervenção na Convenção Republicana deste ano. Alcançou um estatuto importante dentro do partido e estarei atento ao seu percurso nos próximos anos. É uma figura respeitada em ambos os partidos e poderia ser uma cartada fortíssima entre os moderados do Partido. Por fim dois governadores do Midwest: Scott Walker do Wisconsin e John Kasich do Ohio, ele que em 1999 foi candidato presidencial por um breve período de tempo. Depois haverá alguns nomes que poderão ter a tentação de avançar: senadora Kelly Ayotte do New Hampshire, governador da Virginia, Bob McDonnell ou Jon Huntsman do Utah, que este ano também foi candidato. Uma coisa parece-me claro: os republicanos terão um leque de candidatos muito mais forte do que este ano, onde apenas Mitt Romney, e por breves momentos, Tim Pawlenty, pareciam ter sérias hipóteses de eleição.


Cuomo é o melhor candidato, mas se Hillary quizer, vence a nomeação. Obama está em dívida com os Clinton e certamente a ajudaria. De resto, Gillibrand sofre pela concorrencia estadual, Scheitzer é um bom nome, Biden não tem chances, Klobuchar é desconhecida e Warren seria ótima... pro GOP.
Acrescentaria John Hickenlooper, Jay Nixon, Mark Warner e Deval Patrick como possíveis candidatos.
Joao Felipe a 19 de Novembro de 2012 às 16:38

De Hillary Clinton, meu caro, já se dizia o mesmo em 2008, que era só ela "querer"...

Caros Alexandre e João Felipe,

Creio que, apesar do fantasma de 2008, a condição de favoritismo amplo de Hillary é real.

No meu entender, Obama deve aos Clinton sua eleição. Seja pelo discurso na convenção, pelo engajamento na campanha, por assumir a culpa no caso de Bengazi... É claro que contar com gratidão em política é um erro, quatro anos é muito tempo, Obama pode estar tão fraco em 2016 que seu endosso pouco valeria etc... Mas, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Obama já foi um improbabilidade, outro Obama seria uma improbabilidade dupla. Não é todo dia que o establishment perde como perdeu com Hillary. Então, acho que ela é a grande favorita, e se não for candidata, será a grande eleitora.
nehemias a 21 de Novembro de 2012 às 18:05

Rubio começa bem

http://www.motherjones.com/mojo/2012/11/quote-day-marco-rubio-not-scientist
João Davim a 19 de Novembro de 2012 às 16:42

E você, sabe qual a idade da Terra? E se não souber, será que isso o qualifica como um troglodita, digno de ser gozado pelo insuspeitíssimo Mother Jones?

Não sei a idade da terra, mas não será 6000 anos, nem a discussão/investigação será feita com teologistas..
João Davim a 19 de Novembro de 2012 às 22:24

Kasich e Walker precisam primeiro pensar em se reeleger, o que não será tarefa fácil. Não dá pro Jeb, pelo sobrenome. Ryan terá que ser mais que um simples deputado pra poder competir. Jindal é um bom nome, mas no momento, tudo parece estar correndo para uma candidatura Rubio.
Joao Felipe a 19 de Novembro de 2012 às 16:58

Se calhar já foi aqui falado nesta senhora, mas o que dizer de Nancy Pelosi? Refiro-me, claro está, às eleições de 2016 e suas possíveis ambições.
Abelardo a 19 de Novembro de 2012 às 17:56

Nancy Pelosi? Isso seria a respota às preces do GOP!:-)))

Nancy Pelosi terá 76 anos em 2016... Dificilmente concorrerá..
Mesmo Reagan tinha 70 anos aquando da primeira eleição.. E o cargo de presidente é muito mais desgastante agora...
Até à própria campanha..
João Davim a 20 de Novembro de 2012 às 17:35

Caro Nuno,

Mais dois nomes possíveis do lado republicano

Rick santorum
Sarah Palin

Quanto a Paul Ryan o facto de estar no ticket derrotado nestas eleições de 2012 a sua candidatura poderá não ter hipóteses.

Já agora um pequeno a parte parabéns aos 3 bloggers que aqui escrevem neste blog pela cobertura destas eleições de 2012 e pelo trabalho que aqui fazem mesmo sem ser em ano de eleições.

um abraço
Márcio David a 20 de Novembro de 2012 às 10:46

Se Palin concorrer terá a via mais aberta que Hillary, mas com poucas hipóteses reais de ser eleita.
João Davim a 20 de Novembro de 2012 às 11:02

Márcio
Obrigado. De facto quer Santorum e Palin podem tentar a nomeação, mas com os nomes em perspectiva, poderá ser prejudicial para os seus nomes serem candidatos. É que, se algum dos que referi avançar mesmo, deixam pouco espaço para esses dois, e arriscam-se a ser meros apêndices nessa campanha eleitoral.

Cumprimentos.
Nuno Gouveia a 20 de Novembro de 2012 às 15:34

Nuno,

Eu acho que um elemento importantíssimo para a definição dos candidatos, principalmente entre os republicanos, tem haver com o processo.

Em 2012, o fato de vários estados decidirem seus candidatos por caucuses, somadas as regras bizantinas para definição de delegados em outros, favoreceu os candidatos ligados as alas mais radicais do partido. Ron Paul se beneficiou disso, e sem o beauty contest de Missouri e os caucuses de Colorado e Minñesota, Santorum não chegaria a março.

Se eu fosse um membro do Establishment republicano, minha primeira providência seria eliminar caucuses pelo país e substitui-los por primárias, onde fosse possível.

Primárias implicam em um eleitor diferenciado do que vai a um caucus, mais moderado em geral. Além disso, o custo da campanha aumenta, dificultando a vida dos candidatos com pouco financiamento.

Isso torna a vida dos candidatos mais mainstream.

Outras alterações de processo entre os republicanos talvez estejam em ordem: o fato de partido ter escolhido candidatos como Todd Akin, Richard Mourdock, Christine O'Donnell e Sharron Angle, em lugares tão diferentes como Missouri, Indiana, Delaware e Nevada, mostra que o partido tem escolhido muito mal. Que Mitt Romney tenha tido como principais adversários Newt Gingrich, Rick Santorum e Ron Paul, e não Jon Huntsman e Tim Pawlenty, também é revelador. Pior ainda, os democratas parecem estar sendo mais hábeis na escolha de seus candidatos, conseguindo ser competitivos e, mesmo vencer, em estados vermelhos. Os republicanos precisam urgentemente de uma "barreira anti-malucos".

Nehemias
nehemias a 21 de Novembro de 2012 às 18:31

Nehemias,

Completamente de acordo com o seu comentário. Penso que a questão dos caucuses já foi abordada na altura das primárias, e não me admirava que seguissem isso. Depois do caucus do Iowa, a regra deveria ser a organização de primárias. Pelo que li, alguns estados escolhem realizar caucuses principalmente por uma questão financeira, mas o establishment deveria fazer um esforço para a realização de primárias.

Quanto à barreira, sem dúvida. Aliás, os Dems tiveram um problema semelhante após a era Mcgovern, mas agora estão bem melhores do que os republicanos.
Nuno Gouveia a 21 de Novembro de 2012 às 19:24

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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