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Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 00:54link do post | comentar

Após a derrota estrondosa que o Partido Republicano teve no passado dia 6 de Novembro, muito tem sido dito nos Estados Unidos sobre o futuro deste partido. Concordo basicamente com o que disse o Alexandre Burmester neste post. Não há maiorias eternas, e a democracia americana já nos ensinou que devemos ter cuidado com os óbitos apressados a partidos políticos. Mas há uma verdade inquestionável: o Partido Republicano enfrenta grandes desafios para os próximos anos, e algo terá que fazer para contrariar a evidente crise que enfrenta. Certo, há a questão demográfica, que terá sido decisiva para o desfecho final desta última eleição. O GOP terá de ter uma mensagem mais atractiva para as minorias étnicas, sobretudo para os hispânicos. Marco Rubio, Susana Martinez, Brian Sandoval, Ted Cruz ou Bobby Jindal terão certamente uma palavra importante no futuro. Mas parece-me que há outro problema, e este mais grave. E será aqui que devem atacar primeiro.

 

Nas duas últimas eleições para o senado, o GOP perdeu cinco lugares quase certos por terem escolhido nas primárias candidatos absurdos. Em 2010 no Colorado, Delaware e Nevada, aqui impossibilitando a derrota do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e este ano no Indiana e Missouri. Estes cinco lugares dariam o empate no Senado. Além disso, é evidente que a prestação nacional destes candidatos prejudicou imenso a performance do Partido. Ninguém poderá ficar insensível ao facto de terem nomeado uma Christinne O'Donnel ou um Todd Akin. Além disso, declarações bombásticas de alguns republicanos prejudicaram seriamente a brand do partido. Como disse esta semana Bobby Jindal, os republicanos precisam de modernizar-se, e isso inclui afastar definitivamente os "maluquinhos" da ribalta. Estes existem em ambos os partidos, mas no GOP eles têm-se destacado em grande medida. Mitt Romney conseguiu sistematicamente obter melhores resultados do que os candidatos ao Senado, o que também atesta das fragilidades do partido. Ao contrário do que tenho lido em alguns fóruns, isto não resulta necessariamente de mudar os princípios do conservadorismo do GOP. Está certo que em matérias da imigração ou até nas questões sociais, é preciso moderar a mensagem. Se George W. Bush tivesse conseguido aprovar a sua reforma da imigração, provavelmente Romney não teria tido apenas os 27% entre os hispânicos. Mas o que é necessário é afastar estas vozes sem qualidade da arena nacional. Republicanos conservadores como Marco Rubio, Bobby Jindal, Pat Toomey, Ron Johnson ou Rand Paul já demonstraram que o problema não é serem muito ou pouco conservadores. O problema é possuírem capacidades políticas ou não. É saber se conseguem ter uma intervenção positiva na discussão nacional ou não. Depois de resolverem o problema deste género de candidatos, aí sim, poderão começar a discutir que mensagem devem apresentar ao povo americano. 


Um problema a ser resolvido, pelo menos nas primárias, é a falta de um segundo turno. Se bem me lembro, Akin conseguiu a nomeação republicana com cerca de 30% dos votos. Talvez um segundo em primárias republicanas e democratas poderia eliminar radicais das disputas.
Joao Felipe a 17 de Novembro de 2012 às 22:35

Akin, sim. Mas por exemplo, a Donnel não precisava de uma segunda volta :) O que os líderes republicanos precisam de fazer é cair claramente em cima deste tipo de candidatos, como fizeram com Akin, aquando das suas declarações. Mas precisam de fazer isso logo nas primárias, e precisam de deixar claro que esse tipo de gente não tem lugar no Partido. Enquanto estes tipos conseguirem ganhar primárias, a sua "brand" continuará seriamente afectada...

Cumprimentos.
Nuno Gouveia a 17 de Novembro de 2012 às 23:26

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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