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Nov 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:01
José Gomes André em 09/11/2012 às 00:41link do post | comentar

Estes são números sempre interessantes de ler, até porque, na Europa, não estamos habituados a ver semelhante análise dos eleitorados.

 

Mas vamos ao que interessa:

 

Votos por escalão etário:

 

18/29 anos: Obama 60%, Romney 37%

30/44 anos: Obama 52%, Romney 45%

45/64 anos: Obama 47%, Romney 51%

65 anos ou mais: Obama 44%, Romney 56%

 

Voto étnico

 

Brancos: Obama 39%, Romney 59%

Hispânicos: Obama 71%, Romney 27%

Negros: Obama 93%, Romney 6%

Asiáticos: Obama 73%, Romney 26%

Outros: Obama 58%, Romney 38%

 

Voto por género

 

Homens: Obama 45%, Romney 52%

Mulheres: Obama 55%, Romney 44%

Homens Brancos: Obama 35%, Romney 62%

Mulheres Brancas: Obama 42%, Romney 56%

 

Voto por rendimento

 

< USD 30.000: Obama 63%, Romney 35%

< USD 50.000: Obama 60%, Romney 38%

> USD 50.000: Obama 52%, Romney 43%

>USD 100.000: Obama 44%, Romney 54%

 

Voto por religião

 

Protestantes: Obama 42%, Romney 57%

Católicos: Obama 50%, Romney 48%

Judeus: Obama 69%, Romney 30%

Outros: Obama 74%, Romney 23%

Ateus: Obama 70%, Romney 26%

 

Principais contrastes com 2008:

 

Obama perdeu 6% do voto jovem (18/29 anos), 4% do voto das mulheres brancas, e Romney ganhou 5% no voto dos homens brancos (face a John McCain) e 3% nas mulheres brancas; Romney ganhou 9% no voto judaico e 3% no católico. Obama ganhou 4% no voto hispânico e perdeu 3% no voto negro (com pouco significado, pois passou de 96% para 93%).

 

Tudo isto contribui para uma análise sociológica das eleições, e para se aferir da posição dos dois partidos nos vários segmentos sociais, étnicos e etários.

  

Fonte (por estranho que pareça!): Le Figaro


Por este andar da carruagem, no dia em que as actuais minorias étnicas se consolidarem como maiorias (o que não à de faltar muito tempo: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2145687/Non-white-births-outnumber-white-Ethnic-minorities-surpasses-whites-US-time.html), temo que o partido Republicano esteja condenado a perpetuar-se eternamente fora do poder.
Carlos a 8 de Novembro de 2012 às 21:01

Meu Caro,

Entendo o seu ponto de vista, só que nada disto é estático: nem o Partido Republicano - dantes, por exemplo excluído dos votos do Sul, nessa altura esmagadoramente democrático - nem as actuais minoria étnicas. Há cerca de 30% de hispânicos que votam consistentemente nos republicanos. E trata-se de um grupo populacional largamente com aspirações de ascenção social. À medida que vão ascendendo irão votando cada vez mais no Partido Republicano, com o qual até partilham, em larga medida, os seus valores sociais.

Mas é evidente que os republicanos têm de ir ao encontro dessa gente, e não apenas esperar que ela vá ao seu encontro.

O Partido Republicano persiste em combater o futuro. Subestimou e desprezou o peso das minorais. Principalmente a hispânica.Foi um erro estratégico grave nesta campanha.A época de Reagan já faz parte da história.

Nos dias de hoje e no futuro, é um suícidio político o partido republicano nomear candidatos presidenciais que acham a famosa lei do arizona sobre a imigracão um modelo a seguir.E nesse aspecto, Obama esteve muito bem no 2º debate ao encostar às cordas Romney nesse ponto.O extremismo em que o Partido Republicano se tornou em certas matérias é algo sem futuro.


Um outro segmento do eleitorado em que o Partido Republicano precisa de fazer uma reflexão profunda são as mulheres.Ver o GOP nomear candidatos ao senado que consideram a gravidez fruto de uma violacão um acto de Deus (!) ou a utilização dos mais elementares métodos contraceptivos uma aberração custou-lhe uma clara rejeicão deste grupo.

Foi uma clara vitória dos Democratas.Mas mais do que isso, foi uma estrondosa derrota dos republicanos.Sobretudo nas eleições para o Senado.

















Anónimo a 9 de Novembro de 2012 às 00:18

O "extremismo" da famosa lei do Arizona consiste em dar à polícia a autoridade para pedir os documentos a quem suspeite de ser um imigrante ilegal. Pelo que, concluo, a Europa é um continente de extremistas, onde todas as forças policiais têm esse poder.

Eu acho que a imoderação, neste caso, vem precisamente do campo democrático "politicamente correcto".

Quanto às mulheres, caro anónimo, não estou tão certo do que diz a "sabedoria convencional". Há que não esquecer que vários destes grupos se sobrepõem, e assim as mulhres hispânicas ou negras estão no campo das mulheres e, simultaneamente, no das minorias. Mas a verdade é que Mitt Romney conquistou o voto de 56% das mulheres brancas, pelo que essa questão de género me parece estar a ser mal interpretada.

Igualmente importante, como a cor da pele:

http://tribuneofthepeople.com/2012/11/08/election-infographic-shows-most-educated-states-voted-for-obama-happy-place/
João Davim a 9 de Novembro de 2012 às 10:41

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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