07
Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 12:05link do post | comentar

 

Haverá tempo para analisar com mais calma a forma como Obama foi reeleito, mas desde já ficam aqui algumas notas. Uma vitória presidencial entra no imediato para os livros da história americana. Mas esta reeleição irá certamente conquistar um lugar especial: pela capacidade organizativa da máquina de campanha, pela dimensão da vantagem que obteve, mas também por alguns recordes que bateu de algumas décadas, como ter sido reeleito com menor vantagem do que na primeira eleição ou o facto de ter ultrapassado a taxa de desemprego mais elevada desde os anos 30. A vitória de Obama acabou por ser mais simples do que era expectável. Se no voto popular, vence por 2%, no colégio eleitoral acaba com uma confortável vantagem de 332-206. A mobilização em redor do Presidente foi impressionante, e a sua coligação eleitoral de minorias, jovens e mulheres aguentou-se de uma forma fantástica. David Axelrod e David Plouffe já lá tinham garantido um lugar, mas depois desta vitória entram directamente para o topo dos grandes consultores políticos da história política americana. Barack Obama é reeleito depois de um mandato muito complicado, onde a sua popularidade nem sempre esteve acima da linha de água. Apesar de ter enfrentado uma dura batalha com os republicanos durante quatro anos, que incluiu uma severa derrota nas intercalares, acabou por ser reeleito com relativa facilidade, conseguindo com isso alargar também a maioria no Senado (uma das surpresas da noite). Obama acaba o ciclo eleitoral com a legitimidade reforçada pelo povo americano, e adquire margem de manobra para implementar as reformas prometidas. E, talvez mais importante, valida o que fez no primeiro mandato, como a reforma da saúde, que agora será implementada a partir do próximo ano. Veremos se neste mandato irá conseguir trabalhar com os republicanos, que saem desta eleição muito enfraquecidos, apesar de manterem a maioria confortável na Câmara dos Representantes. 


Outro grande vencedor da noite: Nate Silver
Acertou 50 em 50

Derrotados:
Dick Morris, Luntz, Joe Scarbourough (este último durante dias pôs em causa o trabalho do Silver)
HCarvalho a 7 de Novembro de 2012 às 14:30

À parte de concordarmos ou não, e discutirmos um pouco, posso fazer o pedido de dedicarem um post, ou um pouco de atenção ao referendo em Porto Rico?

Estou especialmente curioso sobre, se sendo dado o estatuto de estado ao terrirório, a quantos membro no Colégio Eleitoral terá direito e como isso poderá ter influência no futuro
João Davim a 7 de Novembro de 2012 às 14:30

Nuno,

como aqui foi mencionado pelo HCarvalho, foi uma vitória estrondosa de Nate Silver, mas também de Sam Wang ou Drew Linzer (que também acertou a 100%). Acima de tudo, é a vitória dos agregattors, gente que usa métodos muito eficazes (baseados em todas as sondagens) e obtém resultados muito seguros. Os pundicts, quem tem a opinião "from the gut", como diz muitas vezes Steven Colbert, definitivamente não deviam estar a fazer previsões! Quem afirmou que a corrida estava renhida perto do final claramente subestimou Silver ou Wang, já que estes afirmavam uma clara vantagem no colégio eleitoral para Obama há 2 semanas. O facto de ser à justa, não invalida que fosse extremamente provável (atribuir 80% de favoritismo quer dizer isso mesmo, que em 5, ganhará 4, muito provável).
Quanto à Gallup, que tanto vi elogiada em Portugal, fiquei decepcionado com o salto incrível que Obama tem a 2 dias da eleição, passando de -6 para -1. Sinceramente, o percurso dos likelly voters da Gallup deixou muito a desejar; como eu afirmei em algumas ocasiões neste blog, é tempo de os profissionais virem fazer previsões e os analistas políticos fazerem análise política e deixarem as estatísticas para quem percebe.
Silver merece os parabéns por ter sido enxovalhado, reduzido à categoria de democrata tendencioso, quando apenas se limitou a olhar para os números e constatar que Obama ia à frente há algum tempo.
Quanto ao GOP, a sua coligação social parece sofrer de problemas graves, começando a denotar-se um ligeiro distanciamento, ao nível das presidenciais, do tecido social americano, mais mesclado e liberal, socialmente.
Gostaria de saber qual a sua opinião sobre alguns dos referendos que acompanharam esta eleição, em que foram aprovados consumo de marijuana e casamento homossexual em alguns estados, e a relação entre estes resultados e a relegação do GOP para uma posição ligeiramente minoritária na América. E ainda, não estará o Tea Party a contribuir para esta menorização do partido?

Abraço e parabéns pelo sucesso do blog
Joao a 7 de Novembro de 2012 às 16:12

Não creio que as minorias se tenham unido em torno de Obama que, manifestamente, desiludiu os seus eleitores do primeiro mandato. As minorias uniram-se, sim, contra Romney e o assustador Tea Party. Estou, no entanto, convencido que se Obama tivesse enfrentado, como há 4 anos, John McCain, desta vez teria perdido.
funes, el memorioso a 7 de Novembro de 2012 às 16:54

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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