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Nov 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:37link do post | comentar

As sondagens nacionais neste último mês deram ligeira vantagem a Mitt Romney, enquanto Barack Obama liderou as sondagens em alguns dos principais swing-states. Nos últimos dias, talvez à boleia do efeito Sandy, Obama voltou a empatar a corrida nacional. Atente-se à Gallup: nos últimos 15 dias em que publicou a sua tracking poll, Romney esteve sempre com mais de 50 por cento. Nas sondagens estaduais da Quinnipiac, e não só, Obama tem quase sempre aparecido com vantagem, principalmente no Ohio, Wisconsin e Iowa, três dos mais importantes estados para esta eleição. 

 

Qual é a principal questão relativa a estas sondagens? Elas podem estar todas correctas, mas a diferença é que tipo de eleitorado estão a prever. A maioria parte das sondagens estaduais prevê uma adesão às urnas de democratas semelhante a 2008, enquanto a Gallup prevê que o número seja mais ou menos idêntico entre democratas e republicanos. Em 2004 a percentagem de democratas que votou foi a mesma do que republicanos. Em 2008, numa eleição atípica, Obama conseguiu levar às urnas mais 8% de democratas em relação aos republicanos. Nas eleições intercalares de 2010, os republicanos ultrapassaram os democratas em termos nacionais.

 

Claro que não tenho certezas nenhumas, mas se considerarmos que a verdade estará no meio entre estas duas previsões, os democratas não terão a vantagem que tiveram em 2008, mas também não será equiparada a 2004, quando os republicanos “empataram” com os democratas. Hoje em dia há menores eleitores registados republicanos do que em 2004. Ou seja, pelos dados que tenho recolhido de diversas análises, o saldo final poderá ficar a meio termo, com ligeira vantagem dos democratas, até pelo facto que a demografia das minorias os favorece. Dado que a maioria dos estudos indica que Mitt Romney recolhe a maioria das preferências do eleitorado independente, que em 2008 deu vantagem a Obama em mais sete pontos, acredito que o desfecho destas eleições vai ser ditado pelo tipo de eleitorado vamos ter. Se os democratas representarem 3 ou mais pontos em relação aos republicanos, é provável que  Obama seja reeleito. Mas se a vantagem democrata for menor, e a superioridade entre os independentes que votar em Mitt Romney for significativa, como a esmagadora maioria dos estudos têm apontado, então acredito que este será eleito. 

 

Expectativas das campanhas:


Em 2008 o eleitorado foi composto por 76% de eleitores brancos, 12% de negros, 8% de hispânicos e de 2% de asiáticos, segundo números da Gallup. A esperança para Obama manter uma representação de eleitores democratas que lhe permita vencer, e que tem sido defendido pelos seus estrategas, é que o voto dos brancos irá baixar um ou dois pontos, com ganhos entre as minorias. Como este tipo de eleitorado tenderá a favorecer Obama, pode fazer a diferença e conter maior entusiasmo entre os republicanos. Por outro lado, esperam manter o nível de entusiasmo elevado entre os jovens e as mulheres, que impeça o natural crescimento dos republicanos. 

 

Os republicanos esperam que o maior entusiasmo que as sondagens têm indicado leve um número recorde dos seus eleitores às urnas, esbatendo a diferença de 2008. Por outro lado, se a vantagem nas preferências dos eleitores independentes for grande, do tipo de 5 ou mais pontos, isso poderá inclinar a corrida decisivamente para eles. Normalmente a maioria do eleitorado independente decide o vencedor. Excepção desde 1976? John Kerry, mas que apenas venceu por 1% neste segmento dos eleitores. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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