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Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:14link do post | comentar

A credibilidade das empresas de sondagens também vai a votos no dia 6 de Novembro. Várias dúvidas têm sido suscitadas por diversos analistas, principalmente republicanos, mas também independentes, como Mark Halperin ainda hoje o fez no Twitter. O comentador da Time questionou porque razão tantas sondagens continuam a dar vantagem a Obama, quando Romney surge sistematicamente à frente entre os independentes, mas também porque razão têm colocado tantos democratas nas amostras. Exemplo flagrante: na última sondagem da Quinnipiac na Florida, Obama aparece com um ponto de vantagem, mas esta tem +7 Dems em relação a Reps (em 2008 foi +3) e Romney está a ganhar nos independentes por 5%, enquanto em 2008 Obama venceu neste segmento do eleitorado por 7 pontos. No final, Obama derrotou John McCain na Florida por 2 pontos percentuais. Este tipo de resultados tem sido usual em diversas empresas de sondagens, principalmente ao nível estadual, o que indica que preveem que um nível de participação superior do eleitorado democrata em relação a 2008, em muitos casos inferior de republicanos, e que a viragem que Romney conseguiu no eleitorado independente (na Florida, segundo esta sondagem, é uma recuperação de 12 pontos) não será suficiente para derrotar Obama. Algo não bate certo neste tipo de sondagens: ou estão mesmo a dar colocar demasiados eleitores democratas ou as preferências dos eleitores independentes não podem estar correctas. Alguns democratas têm dito que muitos republicanos dizem-se independentes quando na verdade não o são, mas confirmar-se esta acepção significaria que haveria um histórico baixo nível de participação entre os eleitores independentes. Por outro lado, nos últimos ciclos eleitorais, os independentes decidiram a nome do vencedor. Excepção? 2004, quando John Kerry venceu George W. Bush por dois pontos. 

 

Questões para verificar após as eleições: a vantagem da participação eleitoral dos democratas em relação aos republicanos aumentou em relação a 2008? Confirma-se que Mitt Romney irá vencer no eleitorado independente, em alguns estados por margens superior a 10%? Quem foram as empresas de sondagens que mais acertaram? Por exemplo, a Rasmussen no Ohio, que prevê mais ou menos a mesma participação de Reps e Dems, e a Quinnipiac, que prevê uma vantagem de +8 dos Dems (em 2008 foi +7). E em relação às sondagens nacionais; quem acertou? A Gallup e a Rasmussen, que tem dado vantagens consideráveis a Mitt Romney, as sondagens que têm dado empate técnico, como a Pew, Politico ou NPR, ou as quem tem colocado Obama sistematicamente à frente, como a da Investor Business Daily?

  

Estas eleições não se esgotam no dia 6 de Novembro. Além da muito previsível confusão pós votação, com contagens e recontagens ou até a divisão entre voto popular e colégio eleitoral, teremos também que analisar quais foram as empresas mais competentes.

 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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