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Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:49link do post | comentar

Ora bem, não custa nada fazer uma previsão, até porque, para além dos expectáveis comentários mais ou menos trocistas de alguns dos nossos estimados e pacientes leitores, nada de grave se perfila no horizonte em caso de erro na previsão:

 

Faltam 10 dias para as eleições, e pondo de lado qualquer imponderável do género "October Surprise", eu atrevo-me a prever uma vitória de Mitt Romney com entre 50,5% e 52% do voto popular. Se isso se traduzir numa vantagem superior a 1% da votação popular (não esqueçamos que há vários outros candidatos, nomeadamente o libertário Gary Johnson) tenho poucas dúvidas de que também no Colégio Eleitoral Romney prevalecerá.

 

Em que me baseio? Pois bem, as principais sondagens têm nos últimos dias vindo a dar a Romney uma vantagem de 3%/4%, e em nenhuma delas o Presidente Obama consegue atingir os 50%, um número fulcral para um "incumbente", já que, maioritariamente, os indecisos tendem a decidir-se a favor do "challenger".

 

Já sei que choverão os argumentos de que, supostamente, Obama estará à frente no Colégio Eleitoral, mas esse argumento cai pela base se, como atrás disse, Romney vencer por mais de 1%. As sondagens a nível estadual são sempre menos fiáveis, e a ponderação de afluência partidária que a maioria delas tem vindo a utilizar parece-me demasiado cautelosa. Ninguém, no seu perfeito juízo, achará que Obama consiga as afluências de jovens, negros e hispânicos - ou de democratas pura e simplesmente - que obteve em 2008.

 

Finalmente, mais uma previsão: em 2012 o Wisconsin provavelmente substituirá o Ohio como estado decisivo.

 

 

PS Brevemente farei aqui previsões para o Senado e para a Câmara de Representantes. 

 

 


Confesso que, numa postura mais calculista, ainda não me atrevo a fazer previsões :)
Nuno Gouveia a 27 de Outubro de 2012 às 01:25

Eu entendo, Nuno, mas se não me despachava, daqui a pouco estava a "fazer o totobola à 2ª feira"!:-)

Eheh. Vou fazer como o Nate Silver e muitos outros. Vou fazer uma previsão no dia anterior as eleições, e depois se acertar ou ficar perto, como é normal, irão dizer que sou um grande expert nisto :)))

Por acaso, ele foi o que se mais aproximou do resultado final em 08, só falhou em 4 votos eleitorais, veremos como se sai este ano.
HCarvalho a 27 de Outubro de 2012 às 14:43

Devia tentar verificar o que diz para evitar este tipo de asneiras. Por exemplo, Larry Sabato falhou apenas por um voto eleitoral (Obama ganhou 1 no Nebraska) o resultado final em 2008. A previsão dele foi 364-174. Já agora, em 2008, Sabato também previu correctamente todos os resultados no Senado e nas corridas para governador. Na House ficou-se pelos 98%. Nada mau. E penso que até terá havido mais cientistas políticos com o mesmo score ou até melhor.

Bem, longe de mim comparar-me ao Larry Sabato!:-) Por isso escrevi o meu comentário numa 6ª feira!;-)

Uma coisa é certa: não pode ignorar-se os números de instituições como a Gallup ou a Rasmussen.

Ah, esqueci-me de Tennessee, Kentucky e Arkansas na coluna de Romney. Já vamos em 33 estados seguros...

Em 2008 o Silver acertou em 49 dos 50 estados, mas deve relativizar-se tal "cometimento": de olhos fechados, qualquer pessoa com um conhecimento mediano da política americana e do estado da corrida acertava em 40 estados.

Posso, por exemplo, desde já garantir que Obama vencerá Maine, Massachusetts, Connecticut, Rhode Island, Delaware, Vermont, New Jersey, New York, Illinois, New Mexico, California, Oregon, Hawaii e Washington, e que Romney é o vencedor certo em Utah, Montana, North Dakota, South Dakota, Wyoming, Kansas, Oklahoma, Idaho, Texas, Mississippi, Missouri, Alabama, Louisiana, Georgia, Alaska e South Carolina. Portanto, assim de uma só penada, e sem olhar para o mapa nem para as sondagens, já listei 30 estados seguros para um dos lados...

Com uma vantagem na ordem dos 4/5 pontos percentuais Romney dada pela Gallup e Rasmussen estaria à frente em practicamente todos os swing states.Algo não está a bater certo.

O RealClearPolitics dá neste momento +2.3 no Ohio e +2.3 no Wisconsin a favor de Obama.É preciso recuar ao ínicio de Outubro e ao ínicio de Agosto para encontrar alguma sondagem que dê uma vantagem a Mitt Romney nestes respectivos estados.É evidente uma discrepância entre as sondagens nacionais e as sondagens estaduais embora concorde que as sondagens nacionais transmitem à partida uma tendência de votos dos eleitores mais fidedigna.

Falo no Ohio e no Wisconsin porque parece-me que a eleicão se vai decidir aqui.Obama continua nos estados do Nevada,Pensilvânia e Michigan com uma vantagem sólida.O Iowa também me parece com boas perspectivas de cair para o lado democrata.

Carlos Pereira a 27 de Outubro de 2012 às 18:25

E também convém não desvalorizar as circustâncias específicas de cada estado.Não tenho dúvidas que por exemplo o apoio federal à indústria automóvel está a ser um trunfo eleitoral no Ohio a favor dos democratas.Para um eleitor da Florida ou da Carolina do Norte isso pouco importará e não será relevante.Muitos aliás até terão sido contra tal como Mitt Romney. Mas num estado onde 1 em cada 10 empregos estão relacionados com a indústria automóvel pode ser um "pormenor" fundamental na atribuição dos votos para o colégio eleitoral.
Carlos Pereira a 27 de Outubro de 2012 às 19:11

Um facto parece certo: Os numeros nacionais da Gallup e da Rasmussen não podem estar a bater certo com os numeros do Ohio, Wisconsing, Nevada...Se romney ganhasse com cerca de 3,5 pontos de avanço ganharia de certeza no colégio eleitoral, por isso algo está errado.
A Gallup não faz sondagens estaduais?
Miguel Direito a 27 de Outubro de 2012 às 21:57

De facto, caro Miguel, há uma discrepância, até mesmo na própria Rasmussen, que hoje dá uma vantagem de 6 pontos a Romney nos "swing states" (51/45) e, simultaneamente, persiste em dar empates em estados como Ohio e Wisconsin. É caso para perguntar onde vai Romney buscar a referida vantagem, tendo também em atenção que os números dos "swing states" incluem estados, como Michigan e Pensilvânia, onde ninguém duvida que Obama lidera com alguma margem de segurança.

Mas os dados históricos de certo modo autorizam que demos mais importância às sondagens nacionais.

Quanto à sua questão acerca da Gallup, não digo que essa empresa não faça sondagens estaduais mas tende a concentrar-se na "big picture".

"Ninguém, no seu perfeito juízo, achará que Obama consiga as afluências de jovens, negros e hispânicos - ou de democratas pura e simplesmente - que obteve em 2008".

Caro Alexandre Burmester,

Vai-me desculpar, mas, mais uma vez, vou ter de discordar de si. Actualmente, a discussão é precisamente se o eleitorado vai ser semelhante a 2008 ou, como sugere a campanha democrata, se vai contar com maior peso das minorias étnicas. Se a composição do eleitorado for semelhante a 2008, então isso será uma boa notícia para Romney, já que, com o grande crescimento da população hispânica, poder-se-ia esperar um aumento substancial dos eleitores de origem latina.

Sobre este assunto, deixo aqui um bom artigo:

http://www.usnews.com/news/articles/2012/10/26/gallup-predicts-voter-turnout-will-remain-unchanged-in-2012-election

Outro ponto do seu post que me coloca algumas dúvidas é a afirmação que as sondagens estaduais são menos precisas do que as nacionais. Porque diz isso? Normalmente, as sondagens Estado a Estado têm uma menor margem de erro, porque têm uma amostra proporcionalmente muito superior às sondagens nacionais. Por exemplo, uma amostra de 800 LV no Ohio, com 1,5 M de habitantes, é muito maior do que uma amostra de 3000 LV no total dos EUA, com mais de 310 M de cidadãos.
João Luís a 28 de Outubro de 2012 às 14:03

Caro João Luís,

A afluência "latina" e "afro-americana é sempre baixa. 2008 foi uma excepção. Mais importante, este ano, será a relativa afluência democrática/republicana.

Quanto à sua segunda questão: as sondagens nacionais, com dierenças como as que estamos a ver neste momento, não costumam enganar-se. E decerto que uma amostra de 800 LV no Ohio deveria ser mais importante que uma de 3000 LV no total do pais, mas a questão - que não é deste ano - é que as empresas de sondagens têm muito mais dificuldade em fazer ponderações de afluência estado a estado.

Cada um puxa a brasa à sua sardinha, mas com a Gallup a dar 5-6-7- pontos de vantagem a Romney, quem se arrisca a dizer que Obama ganhará o Colégio Eleitoral? Com esses números da Gallup, isso será pura e simplesmente impossível.

Mais uma coisa, caro João Luís: A Gallup não diz apenas isso, como decerto terá reparado. Também prevê uma grande reviravolta na afluência de republicanos e democratas, e será decerto isso que está a fazer com que as sondagens dessa organização estejam a dar uma folgada margem de vitória a Romney.

PS Tentei comentar algumas das suas opiniões no seu site - não que seja meu hábito fazer incursões noutros blogues de natureaza semelhante, mas apenas em jeito de resposta - mas as chaves que o blogger me pede saem sempre erradas, até porque dificilmente legíveis,

Bem sei que o Nevada não garante muitos "Electoral votes", mas acho que as sondagens não refletem um aspeto importante: o Nevada tem uma população mórmon de 9%. Ora, esses 9% votarão massivamente (abstenção deste grupo será muito baixa) e massivamente em Romney (Apesar de ser o estado de Harry Reid, que também é mórmon). Por isso, acho que os 9% serão entre 16 a 19% dos eleitores, o que dará de bandeja o estado a Romney.
Fábio a 1 de Novembro de 2012 às 01:37

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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