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Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:37link do post | comentar

Esta pergunta tem duas respostas e o conteúdo dependerá sobretudo de quem a responde e quais as suas preferências. E o pior é que não consigo ter argumentos suficiente válidos para desqualificar qualquer das respostas, pois ambos os lados têm boas razões para a sustentar. Eu, como não tenho dotes visionários, diria que ambos estão certos, portanto neste momento estamos num puro empate técnico. 

 

Do lado republicano, há bons argumentos, quase todos eles baseados nas sondagens nacionais. Ontem nas tracking polls da Gallup, Rasmussen e ABC News/Washington Post Romney aparecia com 50%, sinal claro da sua vantagem nacional. E com essa dinâmica, se as eleições fossem hoje, o mais certo seria uma vitória de Romney por 53%-47%, naquilo que Newt Gingrich ontem chamou da "Carville Rule": o incumbente normalmente não tem mais do que as últimas sondagens lhe atribuem, indo um pouco ao encontro do que Dick Morris tem vindo a dizer, que os indecisos nos últimos dias da campanha tendem a cair para o lado do challenger. Se as sondagens nacionais estão correctas, e a vantagem de Romney é esta que estas tracking polls indicam, então é provável que Romney esteja à frente. É que ninguém acredita que se Romney vencer por mais de 1% no voto popular não tenha a maioria no colégio eleitoral. 

 

Mas os democratas que têm vindo a dizer que Obama está à frente também têm bons argumentos para o afirmar. Nos swing-states, Obama tem mantido uma importante vantagem nos decisivos estados do Ohio, Nevada, Iowa e Wisconsin. Assumindo até que a Virginia, a Florida, o Colorado e até o New Hampshire tombam para o lado de Romney, este precisará sempre de vencer o Ohio ou o Wisconsin ou o Nevada e o Iowa juntos. E nestes quatro estados, nos últimos dias nenhuma sondagem colocou Obama atrás do republicano, o máximo que tivemos foram empates, ao contrário dos outros swing-states que referi. Estes parecem-me ser argumentos convincentes para afirmar a vantagem de Obama actualmente, que mesmo assim ainda compete nos restantes estados com Romney. 

 

Diria que se matemática das sondagens nacionais favorece Romney, nos swing-states o favoritismo é de Obama. São estes que irão decidir o vencedor, ao mesmo tempo que se Romney vencer por mais de 51%, será quase certo que irá ser eleito. Recordo que em 2000, quando George W. Bush venceu Al Gore com menos votos, o resultado foi 47,9-48,4. Nesse ano houve o factor Ralph Nader, com 2,74%. Será Gary Johnson o candidato que pode retirar a vitória a Romney? Será que as sondagens nacionais destas empresas estão erradas? Será que nos swing-states Obama não tem assim tanta vantagem como parece? Tudo questões de difícil resposta neste momento. 


Esqueceu dois pormenores importantes, o early voting, que já começou e que tem dado grande vantagem ao Obama. Outro aspecto é as Ground Operations, aí a vantagem é do obama, tem uma rede já estabelecida e tem investido mais dinheiro nisso, isso pode ser muito importante porque leva às urnas gente que de outro modo poderia estar com pouca vontade de votar.
O bailout de Detroit e a sua condenação por parte do Willard vão decidir esta eleição.
HCarvalho a 26 de Outubro de 2012 às 18:28

Acho que devia abrir um blogue e chamar-lhe "os talking points da equipa de Obama".
Nuno Gouveia a 26 de Outubro de 2012 às 19:21

Nuno,

O Colégio Eleitoral, já algum tempo, apresenta uma dinâmica favorável aos democratas. Ainda em 2004, Kerry perdeu o voto popular por expressivos 2,5 %, mas se tivesse 150 mil votos a mais em Ohio, teria sido eleito Presidente.

Em 2012, Virginia e Carolina do Norte, outrora republicanos, são swing states. O Novo México, que Bush ganhou, é hoje solidamente democrata. As mudanças demográficas recentes nos estados favoreceram quase exclusivamente os democratas. Com a possível excessão do Wisconsin, Romney não tem chance em nenhum estado que tenha votado em Kerry em 2004.

Além disso, há o early voting, que em Ohio também tem favorecido os democratas.

Então eu creio que Romney terá de ganhar por bem mais de 1 % no voto popular, de forma a ser vitorioso no Colégio Eleitoral. Minha impressão, neste momente, é que Romney ganharia no voto popular, mas perderia no Colégio Eleitoral.
Nehemias a 26 de Outubro de 2012 às 20:58

Uma perspectiva aceitável. Mas repare em 2004 Bush ganhou por 2% a Kerry a nível nacional (cerca de 3 milhões de votos), e se tudo se decidiu pelos 110 mil votos de vantagem no Ohio, repare que perdeu no Wisconsin por cerca de 10 mil votos (0,4%) , Pensilvania por 120 mil votos (2%), Minnesota por 100 mil votos (2,5%), New Hampshire por 9 mil (1,5%) votos. Seria muito difícil não ter ganho no colégio eleitoral com essa vantagem. Ganhou no Ohio, mas bastava ter ganho num destes que perdeu.

Eu também acho que se a eleição fosse hoje, esse seria o resultado mais provável. Mas se a tal "Carville Rule" que Gingrich falou ontem fosse uma realidade, e que não displicente de pensar que tem lógica a regra dos challengers levarem os indecisos na parte final da campanha, Romney ganharia por uns 52/53% contra os 47%48& de Obama. E isso daria-lhe a vitória certamente.
Nuno Gouveia a 26 de Outubro de 2012 às 21:26

Outro aspecto, se fizermos a média das 8 tracking polls que saíram hoje dá uma vantagem para o Obama de 0.2%, por isso não sei aonde é que o Romney têm vantagem.
HCarvalho a 26 de Outubro de 2012 às 21:23

Oito tracking polls. Ehehe.. Depois diga-me sff qual o endereço do seu blogue.

Quando escrevi tracking polls, referia-me obviamente a National Polls, ontem saíram 8 e dá um verdadeiro empate
http://fivethirtyeight.blogs.nytimes.com/2012/10/26/oct-25-the-state-of-the-states/
HCarvalho a 26 de Outubro de 2012 às 23:08

Desconheço a sondagem da Google e da UPI/C Voter. A da Rand Corporation está a utilizar uma metodologia diferente, e por isso ninguém lhe está a prestar muita atenção. Um dos problemas que estão a apontar ao Nate Silver é que ele dá a mesma ponderação a todas as sondagens, algumas com uma credibilidade reduzida. Aliás, a sua credibilidade é seriamente colocada em causa quando continua a dar mais de 70% de possibilidades de vitória a Obama. Ninguém seriamente pode dizer isso, e ninguém o diz. Apenas ele. Nem a equipa de Obama, como se pode ver pelo que têm dito, pensam isso.

De resto, a esmagadora maioria da imprensa americana, biased ou nao biased, parece respeitar os critérios do Real Clear Politics. Eu também o sigo. Por isso, não dou grande credibilidade a essas sondagens, como a imprensa não dá. Aliás, essas três que referi não as vi em nenhum órgão de comunicação social de prestigio. Aceito que seja possível que me tenham escapado.

O Nate Silver nas suas previsões usa as national polls, as state polls e uma série de dados, incluindo informações sobre economia. Não se esqueça que em 2008 ele foi o que mais acertou nas previsões que fez. incluindo as eleições para a House e Senado. Ele não dá a mesma importância a todas as sondagens, ele primeira analisa a metodologia e sampling.
O RCP pode ser usado por muita gente, mas é pró-republicano, basta ler isto http://web.archive.org/web/20001212163700/realclearpolitics.com/Polls/polls-Electoral_11_06_EC.html
HCarvalho a 27 de Outubro de 2012 às 09:37

Você nem se deve perceber o quão incongruente é. Em 2008 muitos acertaram o resultado final. Por exemplo, a sondagem mais próxima do resultado final foi a Rasmussen, mas você não gosta dela, por isso não é credível.

Nunca em lado algum ouvi falar que o RCP é pro-republicano, e você saca um um texto de 2000. Acredito que deve haver maluquinhos no lado democrata a dizer isso, como também deve haver no lado republicano a dizer o contrário. Eu não ligo ao que os malucos dizem. Mas Nate Silver, que esse sim, é considerado pró-democrata já é um santo no altar para si. Parece que o problema não é ser imparcial ou parcial. Só quem tem é pro-democrata tem credibilidade. Assim é difícil manter uma conversa minimamente séria.
Nuno Gouveia a 27 de Outubro de 2012 às 12:14

Tenham por favor em atenção a composição da amostra das diferentes sondagens. A maior parte das sondagens sobrerepresenta os democratas em relação à média populacional.

Na verdade, a não haver um movimento muito favorável ao Obama, ou maciça fraude, (de 3 a 4%) o Mitt Romney ganhará por margem inequívoca as eleições, tanto em número de delegados como em número de votos.

Existe um sítio que faz essa destrinça: http://www.unskewedpolls.com

Já agora, viram aquela imagem em câmara escondida onde os da campanha do Obama ensinam os potenciais votantes a votar duas vezes?
Francisco Colaço a 26 de Outubro de 2012 às 21:48

Uma ou outra poll pode fazer oversampling da base democrata, mas a maioria delas faz a sampling de forma equitativa, algumas polls têm uma elevada participação de Brancos com mais de 65 anos e pouca representação das minorias.
Outro aspecto que se esqueceu de falar, é que a maioria das polls, especialmente as que dão mais vantagem ao romney, usa somente números de telefone fixo nos seus inquéritos, e dado que quase ninguém abaixo dos 30/35 nos EUA tem um telefone fixo, esse grupo demográfico não é representado com muita exactidão nas sondagens.
Esse site não é financiado pelo RNC, mas bem que parece.
HCarvalho a 26 de Outubro de 2012 às 23:15

Não diria isso, pois faltam ainda alguns dias para as eleições. Seguindo a história das eleições presidenciais, as sondagens nacionais apontam nesse sentido. Só que as estaduais apontam noutro sentido, daí a a contradição neste momento das sondagens. Alguém está a falhar...

Esse site de conservadores e, pelo que tenho lido, não tem credibilidade a sua metodologia.

Atenção que a grande parte da metodologia do sítio é aplicação da matriz das próprias sondagens aos modelos aceites de composição da população nacional. Assim, o que eles chamam detendenciar é apenas o que fazemos quando corrigimos uma amostra qualquer em termos estatísticos.

Não creio que a sondagem da QStarNews seja verdadeiramente credível. As outras não o são, de certeza, ao serem tendenciosas na sobrevalorização dos democratas. Seria como saber as preferências futebolísticas dos portugueses quando se amostram pessoas saídas de um jogo de futebol do Estádio da Luz.

Ora, como aqui em Portugal se falou em «empate técnico» para empatar tecnicamente a revelação de que o Sócrates estava a ser trucidado aquando do fim do seu mandato, pode crer que, para não perderem a face, as empresas de sondagens irão convergir, dando os 52% ao Mitt Romney que provavelmente ele irá ter na eleição, salvo fraude maciça (o que foi já apanhado em câmara escondida).

Estarei mais preocupado com o que vai acontecer quando os resultados forem conhecidos por parte de alguns estouvados, especialmente da comunidade negra dos estados do Illinois, do Ohio e de Nova Iorque.

Acredito que possa acontecer casos de fraude, mas serão relativamente pouco importantes no resultado final. No Illinois e em Nova Iorque, não interessará assim muito, porque esses estados estão à partida entregues a Obama. No Ohio, e noutros swing-states, cada campanha terá a sua máquina no terreno para impedir qualquer fraude em larga escala. Não me parece que seja caso de preocupação.

Pelo que tenho lido, o grande problema das sondagens é precisamente a escolha da amostra. Saber qual o tipo de eleitorado que vai votar é extremamente complicado. Por outro lado, acredito que haja algumas empresas que tendam a escolher amostras segundo as suas preferências, mas no final, a maioria procura acertar verdadeiramente a tendência de voto. Este é o seu negócio e ninguém deseja colocar a sua credibilidade em causa. Refiro-me sobretudo às grandes empresas, como a Gallup ou à Rasmussen, por exemplo. Claro que não coloco a mão no fogo por ninguém, mas quero acreditar que a maioria estará a tentar fazer um trabalho sério.
Nuno Gouveia a 28 de Outubro de 2012 às 22:36

«The Democratic National Committee has terminated the employment of Houston, Texas, Organizing For America Regional Field Director Stephanie Caballero after she was caught on camera calling voter fraud “cool” and “so funny” while advising a presumably-liberal voter how to vote twice.» aqui (http://dailycaller.com/2012/10/11/dnc-fires-obama-campaign-staffer-for-assisting-voter-fraud-attempt/)

Este foi descoberto. Outros terão passado despercebidos.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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