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Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 14:34link do post | comentar

No editorial do Público de hoje escreve-se sobre a surpresa Mitt Romney e o facto deste ter uma real possibilidade de vencer as eleições de 6 de Novembro. Tenho lido bastante deste tipo de argumentário nos últimos tempos, especialmente no nosso país. Esta é uma manifesta declaração de falta de conhecimento da parte de quem o afirma. Bastaria ter estado atento à imprensa americana e aos pormenores desta campanha para ter verificado que esta eleição sempre foi bastante competitiva, aliás, como sempre o dissemos por aqui. O ligeiro favoritismo que Obama sempre teve nunca foi mais do que isso. Dizer agora, a duas semanas das eleições, o que sempre foi dito por analistas imparciais americanos, como se isso fosse uma grande surpresa, é simplesmente assumir que andaram distraídos.  As sondagens neste momento apontam para números contraditórios. Nos estudos nacionais, Romney lidera por 0,9% na média do Real Clear Politics. No Ohio, o estado mais decisivo, Obama está na frente com uma vantagem de 1,7%. Mais do que nunca, está tudo em aberto. 


caro Nuno Gouveia,

no dia 26 de Setembro você escreveu isto: http://eraumaveznaamerica.blogs.sapo.pt/285345.html

Portanto não critique o Público, você a 26 de Setembro escreveu isto "Se há uns meses daria 50/50 de hipóteses de vitória para cada candidato, Obama hoje já estará na casa dos 60%. E a subir...
André a 24 de Outubro de 2012 às 18:20

Disse isso e muito mais ao longo destes meses. Se foi ler esse post, pode ler todos os outros. Mas nessa própria frase que cita está tudo bem explicado: desde as primárias que considerei que Mitt Romney tinha grandes possibilidades de vencer. 50% não será isso mesmo? Mas claro que houve variações na dinâmica da corrida. Não é por ter dito em Setembro que Obama estava a ganhar vantagem (facto nessa altura) que agora ou alguma vez nesta corrida alguém possa dizer, com base na realidade, que seria surpresa alguma Romney poder vencer as eleições, como diz o editorial do Publico.

Nuno Gouveia a 24 de Outubro de 2012 às 18:45

Nem o Público, nem os media portugueses de um modo geral têm andado "distraídos". Apenas são facciosos. A Direita europeia morreu, ou encostou-se ao centro-esquerda, de tal modo que um homem pragmático e sensato, como Mitt Romney, é por cá pintado como se do próprio Belzebú se tratasse.

Caso Romney vença as eleições, o consumo de Rennie nas redacções de Público, etc., etc., por essa Europa fora - com duas honrosas excepções dentro daquilo com que estou familiarizado, os britânicos Daily Telegraph e Daily Mail - vai ser fantasmagórico!

E, já agora, The Economist costuma anunciar o seu apoio a um dos candidatos. Ainda o não fez este ano, mas tem de estar para breve, e não me surpreenderia que optasse por Romney.
Alexandre Burmester a 24 de Outubro de 2012 às 22:24


Sondagem de hoje na Time

Obama a frente 5 pontos no Ohio

Obama: 49%
Romney: 44%



Márcio David a 24 de Outubro de 2012 às 22:51

Romney sensato? Foi uma boa piada.

Entretanto a job aproval do Obama vai acima dos 50%.

A direita europeia não morreu, apenas é bastante mais sensata e civilizada que os lunáticos da direita americana, felizmente na Europa os políticos de direita, pir muitos defeitos que possam ter, sabem separar o estado da igreja, acreditam na evolução, sabem reconhecer os méritos do estado social, são a favores de um controlo na venda de armas, etc, etc
HCarvalho a 24 de Outubro de 2012 às 23:35

Romney sensato? Foi uma boa piada.

Entretanto a job aproval do Obama vai acima dos 50%.

A direita europeia não morreu, apenas é bastante mais sensata e civilizada que os lunáticos da direita americana, felizmente na Europa os políticos de direita, pir muitos defeitos que possam ter, sabem separar o estado da igreja, acreditam na evolução, sabem reconhecer os méritos do estado social, são a favores de um controlo na venda de armas, etc, etc
HCarvalho a 24 de Outubro de 2012 às 23:35

A palavra "lunático" tem tudo a ver com este comentário. De facto.

Pode negar que a maioria do Partido Republicano, desde que foi tomado em assalto pela extrema direita evangélica e pelo Tea Party, é um partido muito mais radicalizado do que há 15/20 anos atrás? E que algumas propostas são podem ser consideradas lunáticas? E que políticos como a Bachman, Pallin, Aiken, Murdock, Santorum etc na Europa não teriam lugar em nenhum partido?
HCarvalho a 25 de Outubro de 2012 às 09:22

Está a falar numa Europa onde existem políticos como Francisco Louçã, Jean Luc Melenchon, Le Pen, os nazis gregos ou a extrema esquerda grega? Nota-se que sabe muito pouco do que fala. Você demonstra uma cegueira quando fala da política americana. Ambos os partidos se afastaram do centro político nos EUA, mas como você não gosta de uns, acha que apenas aconteceu ao GOP. Onde estão os blue dogs de Bill Clinton? Pois, todos derrotados e afastados do centro do poder. E políticos da ala mais à esquerda dos Dems, como Nancy Pelosi, a Debbie" Wasserman Schultz, têm posições de destaque nos Dems.
Tenho pouca paciência para aturar essas visões infantis sobre os bons e maus da política americana.

Eu não disse que não havia extremistas europeus, mas os daqui estão bem identificados, os seus partidos não enganam ninguém, quando se fala da Aurora Dourada ou PNR qualquer pessoa atenta sabe o que eles defendem, o mesmo para o PCP e BE, enquanto que o partido republicano apregoa que é um partido de direita mas cada vez mais são de extrema direita. E a Nancy Pelosi e companhia são quase centristas comparados com a ala mais radical dos Republicanos. Pode haver uma faixa mais radical nos Democratas, mas comparados com Tea Party e afins, essa franja é bem mais moderada. Não vê nenhum democrata a exigir nacionalizações, colectiviziações, etc. Até se vê poucos a defender um SNS, uma medida de esquerda moderada. A verdadeira esquerda nos EUA não existe. Apenas Centro e Direita.
HCarvalho a 25 de Outubro de 2012 às 09:51

Pois, tem uma visão que a extrema-esquerda europeia tem sobre o panorama político americano. Assim percebo-o melhor.

Talvez, mas eu não sou de extrema esquerda, quando muito sou de centro-esquerda. Mas a ideia que não existe uma verdadeira esquerda americana não é exclusiva da extrema esquerda europeia, é algo que já foi referido por comentados políticos do centro, pessoas como Nuno Rogeiro.
HCarvalho a 25 de Outubro de 2012 às 10:28

Se é de centro-esquerda, presumo que o seu apoio tão entusiasta a Obama seja afinal um gosto pelo mal menor, segundo consigo depreender das palavras.

Quem diz que não há esquerda nos EUA evidencia um profundo desconhecimento da realidade americana, que é extremamente diferente da europeia. É verdade que os EUA são um país de centro-direita, onde a esquerda, segundo a visão tradicional europeia, está mais ao centro do que a nossa. Mas na verdade há uma esquerda bem vincada na política americana, que ganhou imenso peso no Partido democrata nos últimos 40 anos. Os movimentos sociais, muitos deles radicais, que apoiam os Dems (organizações anti-guerra como a MoveON, os sindicatos, os grupos feministas, etc) conquistaram também um enorme peso. São de direita? Please... Agora há uma grande diferença: é que na esquerda mainstream americana o marxismo nunca foi uma grande influência para eles, ao contrário da Europa.

Já agora, se alguma vez tiver oportunidade de falar com alguns "liberais" da base democrata, e que dividem muitas primárias no partido pergunte-lhes se eles concordam com essa visão que lá e tudo direita...

O Sr HCarvalho confunde ser de esquerda com ser marxista leninista. Nos USA o marxismo leninismo e a colectivização dos meios de produção e estatização nunca tiveram grande apoio, é certo...
Acontece que o fenómeno das escolhas de candidatos entre os partidos, por método aberto de primárias, levou a uma radicalização aparente dos partidos, pois são os mais radicais de cada partido que votam e se manifestam nas primárias. Não podemos é confundir o partido republicano somente com a sua facção evengélica de conservadores sociais. Estes estão fortes, é certo, mas mesmo estes não se podem confundir com o Tea Party, por exemplo. E a maioria dos votantes republicanos somente é conservador a nivel fiscal, sendo mais moderado nos aspectos sociais.
No lado dos democratas, que é feito dos moderados sulistas, como eram, no seu tempo, Gore e Clinton? O partido tambem está tomado pelos liberais, ocupas, etc...
Outra coisa: Os partidos americanos são gongregações de interesses muitas vezes diversos e até antagónicos, com poua estrutura, ao contrário da europa, em que cada grupo social e ideológico tende a ter um partido somente para si. Nos USA, o caso tipico é dos democratas, que durante decadas albergaram os liberais de esquerda e os sulistas do KKK...
miguel direito a 25 de Outubro de 2012 às 12:29

O Partido Democrático chegou a ter - se é que ainda não tem - um lugar de observador na Internacional Socialista. As suas políticas não diferem grandemente das dos partidos social-democratas escandinavos e alemão ou das dos trabalhistas britânicos, e ninguém chamaria a estes centristas.

O movimento Tea Party é alvo de caricaturas dos dois lados do Atlântico, mas mais do lado de cá. Basicamente, trata-se de uma "revolta de contribuintes", daí o seu nome. E tem um estrito respeito pela democracia, ao contrário de, por exemplo, o movimento "Occupy Wall Street", típico da esquerda radical americana.

Bill Clinton conseguiu voltar a tornar o Partido Democrático capaz de vencer a Casa Branca por ser um político - ele, sim - centrista. Mas democratas como Clinton são cada vez menos.

Se ser-se contra o aborto é ser de "extrema direita", que dizer dos democratas americanos que favorecem até o chamado "partial-birth abortion", no qual o feto sobrevive e é deixado morrer?

Finalmente, acho que os rótulos são mais importantes no vinho que na política: entre Bill Clinton e Rick Santorum, eu provavelmente votaria Clinton.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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