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Out 12
publicado por José Gomes André, às 23:12link do post | comentar

1. Com a aproximação das eleições, multiplicam-se os artigos de opinião, as sondagens, os "memorandos" das campanhas e as notícias eleitorais. Não é difícil ficar à toa perante tanta informação. Recomenda-se prudência na leitura dos artigos opinativos (especialmente nos EUA, onde são francamente imparciais) e na interpretação das sondagens - evitando leituras particulares desta ou daquela sondagem (cuidado com o "cherrypicking"). Os dados mais importantes parecem-me ser as "tendências gerais" das sondagens e as decisões estratégicas (públicas) das próprias campanhas.

 

2. E como estamos nesses dados? Vimos uma corrida estável até ao primeiro debate (com vantagem clara de Obama), momento em que Romney conseguiu projectar a imagem de candidato credível e em que Obama surgiu fragilizado. Desde então, as sondagens mostram uma recuperação de Romney, que conduziu a um empate técnico nos números "nacionais". Romney alargou a sua "área de influência" (Pensilvânia e Wisconsin, por ex.) e a campanha de Obama foi obrigada a concentrar os seus esforços no Midwest (deixando para segundo plano o Sudoeste e Estados como a Flórida e a Carolina do Norte).

 

3. O equilíbrio e a incerteza são a nota dominante, mas neste momento continuo a achar Obama ligeiramente favorito, por diversas razões. Falta um debate que à partida lhe é favorável (foca-se na política externa, um dos pontos fortes da sua Presidência). Obama tem mais soluções no Colégio Eleitoral, nomeadamente porque no Midwest as sondagens resistem à incursão de Romney (vide Ohio, Wisconsin, Michigan e Iowa). Obama beneficia ainda da estupenda organização no terreno que montou em 2008. E os mercados electrónicos (mormente o Intrade), que permitem avaliar a reacção imediata da percepção geral do público aos eventos diários, continua a ver Obama como favorito (61,3%). 

 

4. Dito isto, não se deixem enganar pela cobertura jornalística portuguesa. Esta será uma das eleições mais renhidas da história americana. É que as referidas vantagens de Obama são compensadas por outros dados claramente favoráveis a Romney: a desilusão do eleitorado com as promessas da Administração; o desalento da base Democrata; o entusiasmo da base Republicana; o profissionalismo da "máquina" organizativa do GOP; e uma campanha de Romney "em crescendo". Cuidado com as apostas...!


Ainda um destes dias comentava com o Nuno que, se Obama ganhar, fá-lo-á com menor vantagem que a que teve quando foi eleito pela primeira vez, e ele observou que será essa a primeira vez que tal acontece.

Quanto aos trunfos em política externa do Obama, eu acho que eles se baseiam basicamente na morte do Bin Laden. Tem vários pontos por onde decerto Romney pegará, como a questão da cedência à pressão russa no caso do escudo anti-míssil a colocar na Europa de Leste. E os recentes acontecimentos na Líbia estão, como sabes, a causar polémica nos EUA, e vão decerto vir ao de cima no último debate.

De resto, estou de acordo contigo: esta será, juntamente com as de 1960 e 2000, a mais renhida eleição do pós-guerra. E o Midwest será o reduto defensivo final de Obama.
Alexandre Burmester a 21 de Outubro de 2012 às 12:06

Na minha visão, se Obama vencer por uma diferença pequena e se Romney conquistar muitos votos com sua "versão moderada", acho que o GOP estará dois passos a frente para 2018.

Correção: o GOP estará dois passos a frente para 2016.
Pedro Valadares a 21 de Outubro de 2012 às 21:58

Caro Alexandre, James Madison e Woodrow Wilson já se reelegeram com resultados piores do que na sua primeira eleição. Embora este último tenha tido uma votação popular melhor devido a enfrentar menos adversários que da primeira vez.
Joao Felipe a 21 de Outubro de 2012 às 15:19

Wilson teve mais três milhões de votos e e mais 7% dos votos em 1916. A diferença é que em 1912 Teddy Roosevelt partiu o eleitorado republicano a meio, com a candidatura pelo Partido Progressista contra o Presidente Taft.

A verdade é que se Obama vencer, baterá imensos recordes. E esse será mais um. Pelo menos na era moderna.
Nuno Gouveia a 21 de Outubro de 2012 às 19:50

Sim caro Nuno, eu aludi isso no meu comentário, mas vale lembra que Wilson perdeu bastante votos para o socialista Eugene Debs. E muito dos votos que Roosevelt recebeu bem podiam ter ido para ele. No fim, é difícil imaginar como teria sido uma disputa Taft vs. Wilson ou mesmo uma disputa Roosevelt vs. Wilson.
Joao Felipe a 21 de Outubro de 2012 às 22:42

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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