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Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:54link do post | comentar

Com uma eleição tão renhida, as contas para o Colégio Eleitoral tornam-se cada vez mais importantes. Os mais recentes números médios do site Real Clear Politics dão a Barack Obama uma vantagem de apenas 10 votos nesse colégio - 201 v 191.

 

Os republicanos nunca ganharam a Casa Branca sem ganharem o Ohio - e isto não é uma superstição, mas uma questão de aritmética - se bem que, em anos de vitórias folgadas, como as de Richard Nixon em 1972 e Ronald Regan em 1984, o Ohio tenha sido perfeitamente dispensável. Mas este não é um ano de vitória folgada para nenhum dos lados.

 

Por sua vez, os democratas também costumam necessitar do "Buckeye State" - o último vencedor democrático a não ganhar o Ohio foi John Kennedy em 1960.

 

Pois bem, como estão as contas no Ohio? Ainda segundo a média do Real Clear Politics, Obama lidera com uma vantagem de 2,2%. Esta média, contudo, inclui uma sondagem do PPP (D), a qual, como o "D" indica, está ligada ao Partido Democrático, que dá uma vantagem a Obama de 51%/46%. Seja como for, 2,2% não é uma margem confortável para ninguém.

 

Mas será que os republicanos - e neste caso Mitt Romney - conseguirão quebrar a "síndrome Ohio" e chegar à Casa Branca sem vencerem esse estado? Façamos umas contas, baseadas no Real Clear Politics:

 

- Romney teria, portanto, neste momento, 191 votos, conforme já referi. Para chegar aos 270 que dão a maioria no Colégio Eleitoral necessitaria, portanto, de mais 79 votos. Há algum modo plausível de lá chegar sem o Ohio? Teoricamente, sim: se aos 191 votos juntarmos, de entre os "toss-ups", Colorado (9 votos), Florida (29), Iowa (6), New Hampshire (4), Carolina do Norte (15), Virgínia (13) e Nevada (6), o candidato republicano atingiria 273 votos. E a verdade é que, em nenhum destes estados Romney está sequer a 3% de distância nas referidas médias do Real Clear Politics. E note-se que deixei de fora o Wisconsin (10 votos), onde Obama também lidera por menos de 3%.

 

- Perguntar-se-á: qual a plausibilidade de vitória de Romney em todos os estados que enumerei para ele atingir o "número mágico" de 270? Pois bem, Florida, Carolina do Norte e Virgínia inclinam-se neste momento para ele; Colorado, Iowa, New Hampshire e Nevada estão praticamente empatados.

 

- Pelo que, não me parece absurdo que Romney consiga vencer sem o Ohio.

 

Mas, se me perguntarem se o candidato republicano conseguirá mesmo vencer a eleição sem o Ohio, a minha resposta tenderá a ser "não". Teria tudo de correr muito bem nos outros estados que referi.

 

Assim sendo, neste momento Obama ainda será o favorito ao triunfo no Colégio Eleitoral, mas temos também de considerar que raramente os vencedores do voto popular e do Colégio Eleitoral não coincidem (apenas três vezes tal sucedeu e, em duas delas, a diferença no voto popular entre os candidatos foi inferior a 1%).

 

Muitas contas destas serão feitas daqui até 6 de Novembro - e, decerto, na própria noite de 6 de Novembro. 


Na realidade, são 4 as eleições em que o vencedor do voto popular não venceu no colégio eleitoral:
1824, 1876, 1888 e 2000.
Sobre a PPP, ela tem dado resultados bem parecidos com os de outros institutos. Não acho que seja um instituto desqualificavel.
Joao Felipe a 15 de Outubro de 2012 às 20:36

Errado: na eleição de 1824 houve quatro candidatos e nenhum deles teve a maioria absoluta do voto popular nem a maioria no Colégio Eleitoral, e é deste último caso que aqui se trata. Andrew Jackson, o mais votado, teve 41% do voto popular e 99 votos no Colégio Eleitoral, quando eram precisos 131 para ganhar.

Por isso a eleição foi decidia pela Câmara dos Representantes, conforme a Constituição.

Os casos a que aludi foram casos em que candidatos que não venceram o voto popular venceram no Colégio Eleitoral.

Quanto à PPP, não a desqualifiquei, apenas chamei à atenção para a sua inclinação partidária, o que, no contexto do meu artigo, creio ser razoável.


Na verdade me expressei mal. Queria dizer que foram 4 às vezes em que o perdedor no voto popular venceu a eleição. Relendo o texto, porém, percebi que esta intervenção não era nescessária. Uma dupla mancada :-)
Joao Felipe a 15 de Outubro de 2012 às 22:28

Caro Alexandre

No seu post refere que o estado do Ohio este ano a vitória não será folgada para nenhum dos lados, acha que poderá a haver o mesmo problema que houve no estado da Florida na eleição Bush – Algore e que seja decisivo para a vitória de obama ou de romney?

E se romney ganhar o próximo debate como ganhou o 1º debate acha que a corrida esta ganha a favor de romney?
Márcio David a 15 de Outubro de 2012 às 23:05

Caro Márcio,

Eu acho - e espero - que os problemas da Florida em 2000 não se repetirão. O Ohio é sempre um estado renhido - ou não fosse o "swing-state" por excelência. Mesmo em 2004 chegou a haver uma tentativa de levantar dúvidas sobre os resultados nesse estado por parte do candidato democrático a Vice-Presidente, o agora caído em desgraça John Edwards.

Quanto à sua pergunta final direi isto: os próximos dois debates só terão algum relevo se algum dos candidatos ganhar claramente.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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