08
Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:15link do post | comentar

Começam a ser conhecidas várias sondagens realizadas após o debate presidencial de quarta-feira, e se não podemos concluir ainda sobre o seu efeito global, uma coisa é verdade: Mitt Romney inverteu o rumo desta campanha, e colocou enorme pressão sobre Barack Obama. Na média do Real Clear Politics Mitt Romney está a apenas 0,5% de Obama, e é bem provável que o republicano assuma a liderança durante o dia de amanhã, pela primeira vez desde Outubro de 2011. E, acrescido do facto que esta média contém duas sondagens da Gallup, uma delas que dá 5 pontos de vantagem a Obama e que inclui ainda três dias de recolha de dados antes do debate. A outra, que foi realizada após o debate, dá um empate a 47%. Nas várias sondagens dos swing-states que têm sido publicadas, Romney viu a sua desvantagem reduzida, e estados que já estavam considerados perdidos, como a Pensilvânia e Michigan, dão apenas uma curta vantagem a Obama. Mais, e não por acaso, hoje Paul Ryan realizou um comício no Michigan, de onde os republicanos tinham retirado no inicio de Setembro. A grande dúvida neste momento é o Ohio, mas amanhã deverão ser publicadas sondagens deste estado fundamental para os republicanos.

 

Estes números significam que Mitt Romney passou a ser o favorito? Não. A matemática nos swing-states continua a ser favorável a Barack Obama e ainda estamos a enfrentar a euforia dos republicanos pelo debate de quarta-feira, aliada a um pessimismo reinante nas hostes do Presidente. Mas ainda haverá mais dois debates, e a acrescer ao debate entre candidatos a vice-presidentes, nesta quinta-feira, que poderão contribuir para baralhar novamente as contas. A vitória de Romney na semana passada foi importante para abanar a corrida e elevar a sua candidatura. Desconfio que até Novembro não voltaremos a ler criticas vindas do campo republicano, agora que está unido em redor do seu candidato. Mas Romney precisa de provar que a sua prestação do debate não foi um caso isolado, e para isso, precisa de voltar a brilhar nos próximos debates. Obama continua com os cofres bem recheados (irá atingir em breve a fantástica soma de mil milhões de dólares) e ainda lidera na maioria dos swing-states. Mas se Romney for eleito Presidente, os livros de história irão todos eles apontar o debate de Denver como a principal momento dessa vitória. 


As sondagens do Ohio também estão bastante renhidas, como sabemos. Eu estava na expectativa de ver números pós-debate relativos a Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, e estes que agora saíram colocam de novo os três estados na coluna dos "toss-ups" (há uma sondagem do Wisconsin da PPP, alinhada com os democratas, com trabalho de campo entre 4 e 6 de Outubro, que dá a Obama uma vantagem de 49%/47%).

Entretanto, uma sondagem nacional da Pew dá a Romney uma vantagem de 49%/45%. A última sondagem desta organização, efectuada em meados de Setembro, tinha dado a Obama uma vantagem de 51%/43%.
Alexandre Burmester a 9 de Outubro de 2012 às 14:13

Vê o relatório dessa sondagem da PEW, 85% dos inquiridos são brancos e desses 75% tem mais de 50 anos.
HCarvalho a 9 de Outubro de 2012 às 17:39

O bom é que o debate vai obrigar Obama a ser mais efetivo e apresentar propostas críveis. É importante que ele não use os números do desemprego para ajudar, pois como foi mostrado, se acrescentados as pessoas que pararam de procurar emprego, o desemprego não caiu, mas aumentou. Romney vai estar com essa resposta na ponta da língua.

PS.: Vocês já ouviram falar de Peter Shiff?
Pedro Valadares a 10 de Outubro de 2012 às 04:48

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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