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Out 12
publicado por Alexandre Burmester, às 15:28link do post | comentar

Não vou entrar na discussão - algo bizantina - acerca do rigor dos números do desemprego ontem divulgados pelo Departamento de Estatísticas Laborais dos E.U.A., mas direi apenas isto: mensalmente, cerca de 250.000 pessoas chegam ao mercado de trabalho; assim sendo, como é que, num mês em que apenas 114.000 novos empregos (abaixo da expectativa) foram criados, a taxa de desemprego baixou de 8,1% para 7,8%? A resposta só pode ser uma: o número de pessoas que desistiu de procurar emprego e, como tal, deixou de contar para a estatística.

 

Independentemente da discussão em torno dos números do desemprego, o público em geral tende a olhar para o cabeçalho, neste caso, "Desemprego baixa assinalavelmente", e isso só pode ser benéfico para o Presidente Obama, embora possa argumentar-se que, nesta fase da campanha, as descidas ou subidas do desemprego já não alterarão o sentido de voto do eleitorado, o qual já terá incluído essas flutuações na sua decisão. Mas os números de ontem decerto não prejudicarão em nada Barack Obama.

 

Os adeptos do Presidente irão agora observar co0m atenção - e porventura alguma ansiedade - as próximas sondagens, na tentativa de discernirem uma recuperação presidencial depois do desastre de Denver. Em relação a este último, embora ainda seja cedo, a verdade é que a corrida parece estar a ser afectada por aquele quase-cataclismo, com algumas sondagens a darem vantagem a Mitt Romney nos cruciais estados de Florida, Virgínia e, sobretudo, Ohio, um estado sem o qual os republicanos nunca ganharam a Casa Branca. E a nível nacional, a corrida está a tornar-se mais renhida - mas já havia sinais disso antes de Denver.

 

Que esperar daqui para a frente? Bem, é difícil Obama ter mais duas prestações tão fracas como a de Denver nos próximos dois debates. Mas o principal trunfo retirado por Romney do primeiro debate nem foi tanto, a meu ver, a sua clara vitória, mas sim a oportunidade que teve - e aproveitou - de dar-se finalmente a conhecer ao eleitorado em geral. Pelo que, não creio que os próximos dois debates venham a ser tão influentes como este, exceptuando gaffes monumentais, nem, tampouco, o debate vice-presidencial, no qual, contudo, prevejo que o Vice-Presidente Joe Biden vá tentar colocar à defesa o Congressista Paul Ryan.

 

Perante este quadro, acho que a corrida vai permanecer renhida até ao fim e que, precisamente de hoje a um mês, quando os eleitores americanos forem votar, só uma pessoa arrojada ousará prever com um grande grau de certeza o resultado da eleição.


A primeira Rasmussen feita inteiramente após o debate
, parece confirmar uma disputa acirrada. Romney supera Obama na margem de erro (49% a 47%), o inverso de antes do debate. Mas o presidente mantém 50% de aprovação (contra 49% de desaprovação). A esperar outras pesquisas, e também o impacto dos dados de emprego (que para mim, não será muito grande).
Joao Felipe a 7 de Outubro de 2012 às 15:40

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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