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Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:25link do post | comentar

 

Os republicanos estavam verdadeiramente satisfeitos após o debate, como se pode ler nesta peça do correspondente da Lusa nos Estados Unidos, Paulo Dias Figueiredo (a quem aproveito para agradecer a referência). Segundo o Instituto Nielsen, o debate de quarta-feira teve uma audiência estimada em 67 milhões espectadores, um recorde nos últimos 20 anos. Curiosamente, depois do número de espectadores nas convenções ter descido substancialmente em relação a 2008, este primeiro debate teve mais audiência do que qualquer um de há quatro anos. Nestes números, não estão ainda incluídas as visualizações do debate através da Internet. Estes números são excelentes notícias para Mitt Romney, que obteve uma vitória assinalável contra Barack Obama. A grande questão é esta: que implicações terá este debate para a corrida?

 

Em relação às sondagens, talvez apenas no inicio da próxima semana possamos afirmar com segurança que tipo de movimento resultou deste debate. Até porque hoje o boletim do desemprego apresentou uma descida do desemprego de 8,1 para 7,8%, uma excelente notícia para Obama após o desastre de quarta-feira (palavras de Andrew Sullivan, um apoiante entusiasta de Obama). As primeiras indicações até são positivas para Mitt Romney, pois vi há pouco sondagens no Ohio (+1 BO e +1 MR), Florida (+3 MR, +3 MR), Virgínia (+1 MR e +3 MR) e Nevada (+1BO) que parecem indicar uma recuperação substancial do candidato republicano. Mas nesse aspecto, o mais prudente é esperar por mais números para comentar com mais segurança. 

 

Mas há vantagens claras que a campanha de Mitt Romney já retirou deste debate. Em primeiro lugar, acalmou completamente a base republicana, que suspirava por um candidato assim, inspirador, lutador e que apresentasse um projecto conservador à América com optimismo e visão sobre o futuro. Romney foi esse candidato no debate de quarta-feira. Depois, a sua prestação convincente aplacou por completo os críticos conservadores nos media, que nos tempos mais recentes vinham criticando, por vezes ferozmente, a prestação de Romney enquanto candidato presidencial. Com o debate de quarta-feira, Mitt Romney assegurou os apoiantes que está na corrida para ganhar. E esses agora acreditam bem mais do que há uma semana atrás. isso significa mais entusiasmo  para eleger Romney, mais dinheiro a entrar nos seus cofres e maior capacidade de choque para enfrentar o adversário. E como já se vota em alguns estados, prevejo que muitos destes comecem desde já a votar e a convencer indecisos a fazê-lo também. 

 

A narrativa mediática mudou. Depois de um mês a ser destroçado nos media, Mitt Romney ganhou tempo para respirar depois de Denver. As comparações com Michael Dukakis, Bob Dole ou John Kerry repetiam-se sucessivamente, e estava a ser criada a sensação que era um "derrotado". Presumo que as comparações com Reagan voltarão aos escaparates dos media, e é sempre melhor ser comparado com vencedores do que com derrotados. As sondagens (principalmente as dos swing-states) indicavam que a sua capacidade para vencer estava a ficar cada vez mais reduzida, e eram cada vez menos os analistas que consideravam que Romney tinha grandes hipóteses de vitória. Como o próximo debate entre Obama e Romney apenas acontecerá daqui a duas semanas, o candidato republicano poderá agora explorar a seu favor esta nova situação. E, não tenhamos ilusões, a vitória de Mitt Romney coloca-o agora, mais do que nunca, como presidenciável aos olhos de muita gente que não o apoiava. Como disse antes do debate, Romney precisava de convencer os indecisos descontentes com Obama que ele é capaz de fazer melhor. Quarta-feira foi um excelente passo nesse sentido.  

 

Por fim, esta vitória de Mitt Romney coloca pressão no adversário. Acreditando que o debate entre Vice Presidentes não irá contar muito, mesmo que, por exemplo, Paul Ryan "aniquile" Joe Biden (o que eu não acredito até porque Biden, apesar das barbaridades que por vezes diz, até é bom em debates), o próximo grande momento da campanha será o debate em formato town hall meeting do dia 16 em Nova Iorque. E, desde o inicio da sua carreira na arena nacional em 2004, nunca Obama esteve sob pressão. Sempre liderou as suas eleições, e mesmo contra Hillary Clinton, Obama esteve sempre ao leme dos acontecimentos, e esta é uma situação nova para ele. Depois de ter passado ao lado do primeiro debate, haverá a tendência para Obama surgir ao ataque. Mas é muito complicado fazê-lo com eficácia, sem parecer vingativo ou zangado, como Mitt Romney conseguiu-o fazê-lo e bem esta semana. Nada será pior para o Presidente do que aparecer com um estatuto diminuído no próximo debate perante Romney. Aliás, desconfio que foi isso que fez com que os estrategas de Obama não quisessem que ele atacasse Romney em questões como os 47% ou o seu passado da Bain Capital. 

 

Considero que Obama permanece o favorito, mas depois do debate Mitt Romney recuperou imenso espaço. Mais tarde diremos se este foi um momento decisivo desta campanha, ou, pelo contrário, um balão de oxigénio que não chegou a encher totalmente. 


Caro Nuno,

De que vale vencer debates se Romney copia Manuela Ferreira leite na forma de fazer política?
André a 7 de Outubro de 2012 às 01:34

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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