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Out 12
publicado por Nuno Gouveia, às 20:41link do post | comentar

O debate desta noite surge numa altura em que as sondagens indicam uma ligeira aproximação de Mitt Romney a Barack Obama. Hoje uma sondagem do National Journal coloca-os empatados a 47% e os recentes estudos de opinião, com a notável excepção da Gallup, parecem indicar que a corrida está mais próxima. No entanto, este aparente movimento nas sondagens em favor de Romney não lhe retira pressão, pois esta é considerada uma oportunidade para recuperar algum terreno. Todos os debates são importantes, mas o primeiro, onde se irá discutir sobretudo economia, temas sociais e saúde, poderá marcar o tom do mês de Outubro. Mas não tenhamos ilusões, nos próximos dois debates voltará a dizer-se o mesmo: "esta é a grande oportunidade para..."

 

Obama parte em clara vantagem: nas sondagens, no apoio dos media e sobretudo pelo seu estatuto de Presidente. Além do mais, a narrativa desta campanha presidencial tem-lhe sido amplamente favorável. Em vez de se discutir os resultados do seu mandato, os assuntos mais prementes têm incidido sobretudo em Romney: as suas declarações sobre os 47%, os seus impostos e riqueza, os seus planos económicos e sociais, e até a sua capacidade de liderança. Pelo contrário, lemos os jornais americanos e não se discute muito a situação do desemprego, o frágil crescimento económico, o impopular plano de saúde ou a recente situação na Líbia. Isto para não falar das próprias propostas de Obama para o próximo mandato, que têm estado arredadas da campanha. E reside aqui, talvez, a melhor oportunidade para Romney: terá de conseguir dar a volta à narrativa nestes debates, colocando o mandato de Obama no primeiro plano de discussão. Sem conseguir isso, provavelmente será derrotado.

 

O candidato republicano não é carismático, não é “agradável” aos olhos dos americanos e nem sequer é muito querido na base conservadora. Ora, os Estados Unidos já elegeram Presidentes de quem não gostavam propriamente, um deles duas vezes: Richard Nixon. Mas para o fazerem novamente, têm de estar convencidos de dois aspectos: que o incumbente fez um mau trabalho e que o challenger irá fazer melhor. Se a primeira parte parece relativamente conseguida, a segunda está ainda longe do alcance de Romney.

 

Já de Obama não se espera grandes alterações do que temos visto até aqui. Irá fazer uma defesa realista do seu mandato, tentará culpabilizar os republicanos por alguns dos seus falhanços e recordar alguns dos sucessos. Por outro modo, e sem parecer arrogante, irá reforçar a mensagem que Romney é inelegível para o cargo, explorando alguns pontos que temos visto.

 

No jogo das expectativas Barack Obama surge com vantagem. Com excepção dos apoiantes de Mitt Romney, todos na imprensa acreditam que o Presidente irá sair por cima do debate. O que por vezes prejudica o favorito. Mas a minha aposta também é essa. Mais logo saberemos quem “venceu”, sabendo que à partida, nem sempre isso é claro, mesmo depois das primeiras sondagens conhecidas. Por outro lado, vencer nos debates não é significado ganhar eleições. Perguntem ao presidente John Kerry o que ele pensa sobre isso. 


Muitos falam que a imprensa americana é pró-democrata. Você acha isso mesmo? Por que?
Joao Felipe a 3 de Outubro de 2012 às 23:31

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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