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Set 12
publicado por José Gomes André, às 18:35link do post | comentar

É como os americanos chamam ao acto de seleccionar, a partir de um conjunto muito variado, uma sondagem particular favorável ao nosso argumento ou interesse. Assim como, perante uma taça com muitas cerejas, escolhemos as mais apetitosas. O resultado daquele acto é, naturalmente, pouco científico, impedindo uma análise racional sobre a tendência de um determinado evento político.

A cobertura da eleição presidencial americana tem sido marcada por actos constantes de cherrypickingA imprensa continua a divulgar as sondagens que mais interessam à sua narrativa (e já nem falo dos blogues!), esquecendo todas as outras publicadas no mesmo período. Nas últimas semanas, ora surgem referências a vantagens claras de Obama (7 pontos) ora a um empate técnico. Uns preferem as sondagens estaduais para anunciar Obama como o mais-que-provável-vencedor. Outros agarram-se à Rasmussen para descrever uma luta titânica.

 

Tudo isto é verdadeiro. E tudo isto é falso. Estes intervalos são naturais, se pensarmos que há diversas sondagens diárias nos EUA. Com tantos dados, podemos de facto contar a história que quisermos. A imprensa tenderá a narrar uma história emocionante, para manter vivo o interesse da opinião pública, mas uma análise séria deve sempre procurar olhar para a média ponderada das sondagens, a única forma de decifrar afinal a objectiva tendência da corrida.

É menos emocionante, claro. Não é divertido anunciar que a disputa deste ano tem-se mantido relativamente estável, com ligeira vantagem de Obama, reforçada nas últimas semanas, por factores ainda a determinar (eu aposto em Convenção Democrata e erros tácticos de Romney). Com tantas narrativas de altos e baixos, os leitores ficarão provavelmente surpreendidos ao verificar que Obama lidera as sondagens desde Novembro de 2011 (!) (média RCP).


Se as margens de erro são de 2-3 pts, e as sondagens apontam cenários que vão do empate até uma vantagem de 7 pts em favor de Obama, com a média do RCP entre 3-4 pts, as diferenças estão compreendidas nas margens de erro, além de diferenças metodológicas entre os institutos (automatizados ou não, inclui telefones celulares, ou não, diferenças entre os dados de registro com os das exit polls dos últimos pleitos...).

Eu acho que sempre existe um spin muito grande sobre as sondagens, mas me parece que neste ano, existe uma tendencia de parte da mídia em mostrar Romney como um perdedor antes da disputa. Eu vejo isso entre comentáristas liberais e democratas, o que é previsível, mas também entre alguns republicanos, talvez desejosos de um candidato mais incisivo na defesa dos valores conservadores.

Minha percepção é que temos uma eleição muito parecida com 2004. Temos um presidente que polariza o país em dois grupos equivalentes, cujo popularidade teve ligeiro aumento na época da eleição. Vejo semelhanças entre Kerry e Romney, ambos acusados de serem candidatos ruins, ainda que me pareçam críticas injustas. E acho que Obama, como Bush, ganhará, ainda que por margem pequena.
Nehemias a 3 de Outubro de 2012 às 19:06

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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