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Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:55link do post | comentar

Hoje de manhã os meios de comunicação em Portugal pareciam ter descoberto a pólvora: Mitt Romney queria abrir as janelas dos aviões. Alguns meios diziam mesmo que o candidato republicano estava indignado porque não o podia fazer. Estava instalada a comédia. Eu tinha lido ontem a notícia num site americano, e logo me pareceu que tinha sido apenas uma piada. Confirmei. Claro que a esquerda americana tentou pegar no assunto, sem grande sucesso. E nem a campanha de Obama o fez. Na verdade poucos meios tocaram no assunto, pois era evidente que tinha sido uma piada, como agora o Público relata na peça publicada esta noite, com declarações de jornalistas que estavam presentes na sessão de angariação de fundos. Mas qual a razão para isto ter tido tanto destaque nos media portugueses? Incompetência? Parcialidade? Irresponsabilidade? Talvez um misto dos três, mas a verdade é que não ficam bem na fotografia. Para cúmulo do jornalismo, cheguei mesmo a ver vídeos de Rachel Madow (um baluarte televisivo da esquerda americana), como uma representante do jornalismo isento americano a falar sobre o episódio. Ou não sabiam quem era ou então quiseram enganar as pessoas. Um jornalista competente teria ido procurar fontes fidedignas. Não teria publicado nada sem ter confirmado a veracidade do assunto. Se querem ser credíveis, não cometam erros infantis. Hoje podem ter tido bastante sucesso nas partilhas das redes sociais, mas quem está atento a este tipo de fenómenos não gosta de ser enganado. Eu, consumidor de imprensa, rádios e televisão, considero que este triste episódio mostra-nos, cada vez mais, que muitos não são confiáveis. Especialmente quando não gostam do tema ou da pessoa. Depois fazem estas tristes figuras. 


A Rachell Maddow é actualmente das melhores jornalistas americanas.
HCarvalho a 25 de Setembro de 2012 às 23:33

Um blogger competente também teria procurado fontes fidedignas como... deixa ver... já sei: que tal o próprio video do próprio Mitt Romney a proferir as ditas alarvidades? Nunca te ocorreu ver isso antes de referires as pessoas que referiram as outras pessoas que presenciaram aquilo que podes simplesmente ver no video? E depois de constatar o óbvio, a manipulação talvez já te pareça mais de quem escreveu as linhas que acabaste de citar do Público, do que de quem apenas se riu da ignorância clara do legítimo herdeiro de Sarah Palin, George W.,...
Alexandre a 26 de Setembro de 2012 às 02:01

Eu vi o vídeo, "alexandre". Uma polémica que não existiu nos Estados Unidos, mas que alguns media portugueses quiseram que existisse. E de facto, colocar o Público e uma jornalistas do NY Times a manipular em favor de Romney só pode vir mesmo de alguém muito ignorante. O anonimato também serve para esconder a ignorância de alguns.

Se Mitt Romney andasse a fazer campanha pelos 57 estados americanos a falar austríaco, talvez lhe pudesse chamar ignorante, não sei.

caro Nuno,

também acho que esta "questão" foi muito mediatizada em Portugal, agora soue aravés desta blog que foi uma piada... se realmente foi isso acho , sinceramente, uma piada de mau gosto. Este episódio para mim é insignificante mas aquele do video dos famosos 47% acho que lhe correu muito mas muito mal. Pode ainda vencer as eleições? claro que pode. Esta cada dia dia que passa mais difícil de as vencer? Clara que sim.
Romney faz-me lembrar Manuela Ferreira Leite que em 2009 tinha tudo para derrotar Sócrates mas fez tudo para parder as eleições tal como viria a acontecer. Tenho uma opinião que há pessoas no GOP que não querem que Romney vença o vídeo dos famosos 47% é bem elucidativo para mim. Gostava de saber a sua opinião

PS: Não percebi o seu último parágrafo mas os EUA têm 50 estados, não 57, e se na austria fala-se austriaco no brasil fala-se brasileiro. foi engano seu ou alguma indirecta para o Alexandre?
André a 26 de Setembro de 2012 às 11:01

O Obama é que falou em 57 estados dos EUA e, numa viagem à Europa, referiu uma inexistente língua austríaca. Mas, é claro, nenhum jornalista chama ignorante ou inculto ao Obama por isso. Aliás, os jornalistas também não referiram ao facto de Obama ter considerado os recentes acontecimentos nos países muçulmanos como "bumps in the roads", acontecimentos esses que incluíram a morte do embaixador norte-americano na Líbia. Mas, enfim, ao Obama tudo os jornalistas perdoam.

Nos EUA, os políticos dão milhares de discursos durante as campanhas eleitorais. São dois anos na estrada. E não raras vezes dizem disparates. Muitas vezes até por cansaço natural. O Obama uma vez disse que tinha feito campanha em 57 estados e outra que na Áustria de falava austríaco. Os media portugueses só dão destaque a algumas e quase sempre do mesmo lado, o que me parece errado. Mas neste caso simplesmente enganaram as pessoas redondamente.
Nuno Gouveia a 26 de Setembro de 2012 às 11:29

Mitt, the silly 3rd class entertainer...

Washington não é Las Vegas...
Southern Confederated Gentleman a 26 de Setembro de 2012 às 11:16

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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