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Set 12
publicado por José Gomes André, às 17:06link do post | comentar

Infelizmente, os cronistas de maior audiência em Portugal são profundamente ignorantes acerca da política americana. O que não os coíbe de se manifestarem sobre o tema, como qualquer bom "tudólogo" deve fazer. Os disparates tornam-se portanto frequentes. Que o diga Miguel Sousa Tavares, que afirma, entre várias tolices, ser desejo da dupla Romney/Ryan "fazer a guerra aos árabes, russos, chineses e aos pretos", proibir o aborto até mesmo em caso de violação, extinguir o IRS para os mais ricos e defender "o direito inalienável de todos os cidadãos andarem armados e dispararem livremente". Até dava para rir, se não fosse sério.


Ontem à noite, Marcelo Rebelo de Sousa resolveu juntar-se à festa e alinhar na lógica do comentário desinformado. Dizia o Professor que a Convenção Democrata tinha sido um insucesso e que correra francamente mal a Obama em particular ("que está uma sombra" do que foi), prevendo que a Convenção tenha um impacto nulo nas eleições. Curioso. A maioria dos comentadores elogiou a Convenção Democrata. O público americano gostou da Convenção, que teve maiores audiências do que a Republicana. Todas as sondagens mostram uma subida de Obama durante e após a Convenção. Nate Silver, um dos maiores especialistas eleitorais americanos, escreveu, ainda no Sábado, que a Convenção Democrata pode mesmo ter marcado um momento decisivo na campanha, catapultando Obama para a condição de "claro favorito" (front-runner).


Mas o que interessa tudo isto? Todas estas sondagens, comentários e dados estatísticos? Marcelo acha que não correu bem. E se Marcelo acha que não correu bem, quem se atreve a dizer o contrário? Como bem dizia o saudoso Gore Vidal, "the biggest problem of our time, is that everyone has an opinion, but nobody has a thought".


Mas em termos do Obama propriamente dito, tudo o que eu li é que o discurso dele não empolgou.
Miguel Madeira a 10 de Setembro de 2012 às 19:32

Não empolgou, mas foi eficaz. Não se pode criticar o homem por ser demasiado retórico e agora criticar porque não o foi. A verdade é que os dados mostram que a Convenção foi bem-sucedida. E o comentário de Marcelo não era sobre Obama, mas sobre a Convenção no seu todo...

Abraço!

A retórica oca (embora envolvente e até comovente, em 2008) de Obama pode-lhe até ser prejudicial nestas eleições, dado o seu fraco histórico de quase nenhuns resultados concretos durante estes 4 anos.
Em Portugal os tudólogos sã profundamente ignorantes da história e geografia socio politica americana e muito preconceituosdos face aos republicanos.
Miguel Direito a 10 de Setembro de 2012 às 21:13

Vamos a ver:
- Salvar a Indústria Automóvel
- Matar Bin Laden
- Acabar com a descriminação de gays nas forças armadas
- recomeçar investigação em células estaminais
- Maior reforma do sistema de saúde da história americana
- Criação de 500 000 empregos na manufacturação, a primeira subida deste tipo de emprego desde os anos 90
- Nomear duas mulheres para o Supremo
- Criação da Agência de Protecção do Consumidor
- Acabou com a Guerra no Iraque
- Recapitalizou os bancos
- Acabou com as técnicas de torturas usadas no tempo do idiota Bush
- Melhorou imenso a imagem dos EUA nos estrangeiro

Isto são só uns exemplos do que ele fez em 4 anos, fez mais neste mandato do que o idiota do Bush em 8 anos.
HCarvalho a 10 de Setembro de 2012 às 21:46

Não é uma corrida equilibrada nesta altura. É uma corrida claramente a pender para Obama. Já o era antes das duas convenções, apesar de muito boa gente nos dizer que estava tudo muito renhido. Não estava. E depois das convenções, menos está.

Eu não estou a dizer que Obama vai ganhar de certeza. Não sou adivinho. Estou a dizer que Obama é hoje, dia 10 de Setembro de 2012, o claro favorito. Pode sempre acontecer uma calamidade qualquer na economia, pode sempre espalhar-se ao comprido nos debates, pode sempre descobrir-se um qualquer escândalo relacionado com o atual presidente. Pode. O problema, para Romney, é que também não está imunes destes mesmos desastres.

Veja-se isto, por exemplo: http://www.publico.pt/Mundo/flynt-oferece-um-milhao-de-dolares-em-troca-de-informacoes-sobre-impostos-de-romney-1562302

Obama vai perder estados que ganhou há 4 anos, mas ganhará a eleição, arrisco, se nada de anormal acontecer. Faz-me alguma confusão como se liga tanto à diferença percentual entre os dois candidatos nas sondagens para indicar que isto está renhido. Vejam-se é as contas/sondagens estado a estado. Gore vs Bush não ensinou nada? Gore obteve 48,4% da votação popular, Bush 47,9%...

É ler-se o blog do Nate Silver e ir aprendendo alguma coisa sobre a eleição: http://fivethirtyeight.blogs.nytimes.com/
Guilherme N a 10 de Setembro de 2012 às 21:14

Bem, Nate Silver, além de ter errado em eleições anteriores, é um antigo consultor democrata. Vale pouco mais que os opinadores portugueses,

A Rasmussen é que é boa...
Guilherme N a 11 de Setembro de 2012 às 14:18

The accuracy of his November 2008 presidential election predictions—he correctly predicted the winner of 49 of the 50 states—won Silver further attention and commendation. The only state he missed was Indiana, which went for Barack Obama by 1%. He also correctly predicted the winner of all 35 Senate races that year.

http://en.wikipedia.org/wiki/Nate_Silver
Guilherme N a 11 de Setembro de 2012 às 17:14

E, contudo, Marcelo é uma daquelas luminárias da direita portuguesa que torce - vá lá saber-se porquê - pelos democratas, versão USA dos socialistas europeus.

Ainda bem que quem elege o Presidente dos EUA são os americanos e não os imbecis dos europeus!
Alexandre Burmester a 10 de Setembro de 2012 às 23:18

Olha que comparando com o eleitorado americano o eleitorado europeu está ao nível de um Einstein. Basta pensar que o eleitorado americano elegeu o Bush duas vezes, um símio que têm uma inteligência ao nível de um cepo. Além de que 50% dos republicanos acreditam que o seu presidente nasceu no Quénia e que é muçulmano. E depois os europeus é que são imbecis?

E sem falar dos foragidos de um hospício que dão pelo nome de Tea Party, enganados em toda a linha pelos irmãos Koch para votarem contra os seus próprios interesses.
HCarvalho a 11 de Setembro de 2012 às 11:23

Eu acho que você é que deve estar foragido de um hospício. Ou já há Internet no que está internado?

"Take your government hands of my medicare"

Pode negar que a maioria dos membros do Tea Party, os chamados Teabaggers, são extremistas e fanáticos e sendo que alguns tem pouco contacto com a realidade?
E que esse próprio movimento foi criado e financiado pelos Koch para ajudar as grandes empresas em detrimento das pessoas comuns?
E que o Bush era um idiota, responsável máximo pela actual crise e que levou o país para uma guerra sob falsos argumentos, uma guerra sem qualquer motivo e que levou à morte de centenas de milhar de pessoas?
HCarvalho a 11 de Setembro de 2012 às 12:32

Confirma-se.
Nuno Gouveia a 11 de Setembro de 2012 às 12:37

"E sem falar dos foragidos de um hospício que dão pelo nome de Tea Party, enganados em toda a linha pelos irmãos Koch para votarem contra os seus próprios interesses."

O Tea Party é um movimento da classe alta/média-alta (todos os estudos indicam isso); não acho que estejam a votar contra os seus próprios interesses.
Miguel Madeira a 11 de Setembro de 2012 às 13:23

A desinformação também é grande no Brasil. Aqui um analista falou a grande pérola ao criticar Romney. Disse ele tem aversão a pagar impostos... E quem não tem? Alguém vai a sorrir entregar seu dinheiro aos cofres públicos?
Pedro Valadares a 11 de Setembro de 2012 às 04:34

Adoro ver europeus a auto-classificarem-se "idiotas" em contraponto com os "americanos que sabem sempre em quem votar".

E que tal falarmos de que, lá como cá, são cada vez mais os que não se revêem em nenhum das "ofertas" políticas tradicionais?


renato Gonçalves a 11 de Setembro de 2012 às 16:49

"Bem, Nate Silver, além de ter errado em eleições anteriores, é um antigo consultor democrata. Vale pouco mais que os opinadores portugueses"

Esta é "mind blowing"..então quem é que conta???
renato Gonçalves a 11 de Setembro de 2012 às 18:17

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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