03
Set 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:46link do post | comentar

A resposta a esta pergunta estará subjacente à Convenção Nacional Democrata, que se inicia amanhã em Charlotte, na Carolina do Norte. E por enquanto, os democratas parecem não ter afinada uma resposta coerente. Ontem, David Axelrod não conseguiu responder de uma forma assertiva e o governador de Maryland, Martin O'Malley (apontado como candidato a 2016) disse que não estavam. Hoje já corrigiu a declaração, mas o mal estava feito. Quando olhamos para as sondagens, existe um claro sentimento que não estão. Mas não se espera que seja essa a principal mensagem da Convenção: a esperança e a mudança de 2008 darão lugar às críticas contra o Partido Republicano e os seus líderes, tentando-os caracterizar como inelegíveis. Depois de há quatro anos Barack Obama ter prometido reduzir a dívida pública para metade, a sua administração aumentou-a mais do que qualquer outro Presidente, e durante um mandato (metade com total controlo no Congresso) não conseguiu aprovar sequer um orçamento. Com o estado do país a definhar, o desemprego muito superior ao prometido e o divisionismo, que Obama prometeu acabar, mais elevado do que nunca, ninguém espera que a principal mensagem desta convenção seja positiva. Aliás, depois de quatro anos com tantas promessas por cumprir (Eastwood perguntou como estava a situação de Guantánamo, por exemplo), o Partido Democrata pouco pode prometer. Não, a principal mensagem que os democratas vão tentar transmitir será tentar mostrar ao eleitorado independente que com o GOP a situação ficará pior. Como sempre tenho dito, a única oportunidade que a equipa de Obama tem para ser reeleita é desqualificar o adversário, o que tem sido feito com algum sucesso, pois só isso tem mantido a corrida empatada, com ligeiro ascendente para o Presidente. 


Vejo agora na CNN uma boa linha de resposta a essa questão: explorar o dramatismo na chegada ao poder, o desafio do maior problema económico "desde a grande depressão", falar nas reuniões infindáveis no início do mandato. É como dizer: podia ter corrido muito mal.
pedrop a 4 de Setembro de 2012 às 01:12

"Podia ter corrido pior"

Esse seria um slogan que a campanha de Mitt Romney iria adorar.
Nuno Gouveia a 4 de Setembro de 2012 às 10:33

De perder +700000 empregos mês a ganhar empregos, Obamacare, a não falência e alguma regulamentação do sector bancário (ainda timida), a salvação da indústria automóvel, aposta nas energias renováveis..
Avanço para o fim das guerras..

Foi um mandato dificil, mas muito positivo.. Estou bastante seguro que um segundo mandato será melhor..
Se a economia continuar segura provavelmente irá dar mais ênfase às questões sociais, caasmento gay, ganhar a war on women dos republicanos.. E possivelmente preparar o terreno para a Hillary 2016..

PS: A campanha ainda mal começou, eu estou a prever que Obama depois da convenção vai descolar, seguramente vai ganhar os debates e vai ganhar com alguma calma..
João Davim a 4 de Setembro de 2012 às 10:55

Vendo por esse angulo, fica díficil entender porque Romney não está com 10-12 pontos de vantagem...

Normalmente, um presidente na situação de Obama seria presa facíl de um desafiante. Acho, porém, que o Partido Republicano radicalizou tanto o discurso que diminui significativamente suas chances de vitória.

Com todas as dificuldades, Obama pode contar com uma vantagem de 10 pts no eleitorado feminino, como outra muito maior entre os hispânicos. Romney tem ainda grande chances de vitória, mas sua situação poderia ser bem melhor.
(Mas, pensando bem, quando nos lembramos que alguém como Rick Santorum chegou a liderar por mais de um mês a corrida republicana, e que podia ser o candidato hoje...)

Se a imagem que Obama projeta é de um liberal (embora os liberais o chamarão de centrista), os republicanos deveriam ter aproveitado para tomar de assalto o centro politico, relegando Obama e seu partido a condição de agremiação de liberais e minorias, como chegaram a ser vistos anos antes de Bill Clinton. Esse erro pode lhes custar caro.

Como já esta custando. A maioria dos prognósticos era de que os Republicanos conquistariam o Senado. Rejeitando um Richard Lugar aqui, ou mantendo um Todd Akin ali, os republicanos vão jogando fora a oportunidade de tomar de vez o Congresso.
nmonteiros1@yahoo.com.br a 4 de Setembro de 2012 às 17:45

O comentário acima é meu. Errei ao preencher os campos.

Nehemias.
Nehemias a 4 de Setembro de 2012 às 17:49

Nehemias, os democratas também cometem seus erros. Tammy Baldwin e Elizabeth Warren são populares na base democrata, mas despertam desconfiança entre os independentes. Mas nada que se compare aos republicanos: Dakota do norte, Indiana, Maine e Missouri são vagas importantissimas que o partido pode perder por pura incompetência.
Joao Felipe a 4 de Setembro de 2012 às 18:22

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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