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Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 23:24link do post | comentar

 

Passados dois dias do anúncio já se pode fazer uma análise ao modo como Paul Ryan foi recebido na corrida. A primeira conclusão (aparente) é que todos ficaram satisfeitos. Poucos nomes teriam o condão de unir o Partido Republicano como o congressista do Wisconsin. Desde os moderados, como David Brooks, que anteriormente já tinha apoiado o seu famoso Path to Prosperity, os media conservadores da Weekly Standard ou Wall Street Journal que tinham pedido o seu nome, até aos sectores mais conservadores afiliados com o Tea Party, todos apoiarão a escolha de Mitt Romney. Ao contrário de 2008, quando John McCain escolheu Sarah Palin, houve uma reacção inicial de surpresa, de agrado da base conservadora, mas também uma quase revolta nos sectores moderados e intelectuais contra a opção, que cresceu durante a campanha eleitoral. Desta vez ninguém espere que vozes próximas do Partido Republicano se insurja contra Paul Ryan, como aconteceu há quatro anos. Ryan é, talvez juntamente com Chris Christie, o único republicano que consegue recolher simpatias em todo o espectro conservador. Ao contrário do que vou lendo em alguns espaços, o problema não é o conservadorismo de alguns candidatos. Em 2010 alguns candidatos afiliados do Tea Party perderam eleições, mas não por serem muito conservadores. Foi precisamente porque eram incompetentes e sem qualificações. Pelo contrário, Marco Rubio na Florida  e recentemente Scott Walker no Wisconsin venceram em swing-states porque, apesar de pertencerem à ala conservadora do GOP, demonstraram qualidades  e souberem apresentar a sua agenda aos eleitores. Mitt Romney poderá perder as eleições, mas não acredito que seja por causa do conservadorismo de Paul Ryan. Diria que muitas vezes na América as qualidades dos candidatos são bem mais importantes do que a sua ideologia mais ou menos conservadora ou liberal. Como é que é possível que Barack Obama tenha ganho um estado tão conservador como o Indiana em 2008?

 

Conforme apontam os estudos académicos efectuados sobre os candidatos a Vice Presidente, raramente estes tiveram influência directa no resultado final. Os eleitores acabam por decidir sobretudo sobre o candidato presidencial. No entanto, esta opção de Romney terá sempre algum impacto na sua campanha: grande entusiasmo, mais dinheiro a entrar e um candidato que sabe, acima de tudo, apresentar a agenda republicana de forma articulada e sem a "raiva" ou o "radicalismo" de outros republicanos. Ninguém espere que Paul Ryan cometa erros infantis como Sarah Palin ou até Joe Biden. O debate entre Vice Presidentes será extremamente interessante, e apesar de ser o menos decisivo dos quatro, será uma oportunidade para Ryan se superiorizar perante Biden e conquistar pontos para o seu lado. Apesar desta expectativa, convém não menosprezar Biden, que já provou que consegue ser um político eficaz. Será um grande momento desta campanha.

 

O Partido Democrata também ganhou aqui um balão de oxigénio, como os diversos ataques lançados ao Plano Ryan o demonstram. Como sempre tentaram fazer desta eleição uma opção entre duas visões diferentes para a América, em vez de ser um referendo aos quatro anos de Obama, ter Ryan no ticket adversário irá ajudar nesse plano. Os cortes defendidos por Paul Ryan nas despesas sociais são também eles galvanizadores para a base democrata, até agora pouco entusiasmada com esta eleição. Os media afiliados com os democratas não se têm cansado de lançar para a opinião pública dados e informações sobre o pretenso radicalismo de Paul Ryan, numa tentativa de assustar os eleitores. Pode ser uma estratégia que tenha sucesso em alguns importantes swing-states, como na Florida, Ohio e Pensilvânia, mas recordo que em 2010 também utilizaram a mesma táctica e acabaram por ser derrotados em larga escala.

 

Com o quase empate técnico em que esta campanha se encontra (hoje saíram três sondagens: Gallup empate, Rasmussen, +2 para Romney e Politico + 1 para Obama), todos os pormenores vão contar e é difícil prever o que vai decidir esta eleição. Mas ainda é cedo para dizer se Paul Ryan irá ajudar ou prejudicar Mitt Romney, e sequer, se terá uma real influência nesta eleição. Como dizia alguém na imprensa americana, o mais certo é que daqui a dois meses Ryan tenha o mesmo destaque do que Biden tem tido nesta campanha. Ou seja, nenhum. Os números que li das sondagens assinalam que Paul Ryan ganhou popularidade depois da sua selecção, mas também indicam que é o candidato a VP que menos aprovação recebeu desde 2000. O que obteve melhores respostas foi John Edwards em 2004. Diria que é de esperar que Mitt Romney suba ligeiramente nas sondagens nos próximos dias, sendo até expectável que venha a assumir a liderança até ao final do mês (tempo da Convenção de Tampa). Mas depois virá a Convenção Democrata e a partir de Setembro é que teremos de olhar com atenção para as sondagens. 


Está ganho. E não é para o Romney/Ryan. Obama vai ganhar, salvo alguma grande catástrofe daqui até ao dia das eleições.

E a escolha para vice conta pouco ou nada na decisão final. Caramba, é preciso lembrar que Dan Quayle, a segunda pessoa mais idiota do mundo (a seguir a Sarah Palin), foi vice de George HW Bush?

João Lima a 14 de Agosto de 2012 às 01:04

1-O idiota Dan Quayle ganhou!!!
2-Não acho que Romney alcançará a liderança, ficará tudo como está.
3-Ainda é preciso esperar para ver o impacto Ryan, ele Tem uma importáncia maior que outros candidatos a vice tiveram
4-É Esperavel que a primeira reação seja positiva, isso ocorreu até com Sarah Palin.
5-Acho que essa escolha foi ótima para a campanha.
Joao Felipe a 14 de Agosto de 2012 às 02:15

2008 foi um ano extremamente democrata e 2010 um ano extremamente republicano. O que explica essas vitórias surpreendentes. Esse ano tudo está voltando o normal. Obama deve perder em Indiana, e muito desses governadores ultraconservadores sofrem de impopularidade crônica.
Joao Felipe a 14 de Agosto de 2012 às 02:20

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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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