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Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 10:23link do post | comentar


Paul Ryan, congressista do Wisconsin, foi a escolha de Mitt Romney para candidato a Vice presidente. Ryan, de quem ouviremos falar muito nos próximos dias, é considerado um dos líderes desta nova geração de republicanos, tendo apresentado ano passado um plano de combate ao défice que enfrentava de frente os problemas estruturais da despesa federal americana. Se em 2008 os republicanos apostaram no desconhecido (e tiveram azar com Sarah Palin), este ano Mitt Romney apostou no seguro. Ryan tem apenas 42 anos e já está no Congresso desde os 29. Não será uma escolha consensual e certamente receberá muito fogo dos democratas, mas deverá ser uma das grandes surpresas (pela positiva) desta campanha presidencial. 

 

Como ontem escrevi aqui, esta escolha irá injectar uma dose de entusiasmo inacreditável nesta campanha e introduzir na discussão temas como o combate ao défice, a reforma estrutural dos programas sociais e a economia. Apesar de ser uma escolha que agrada à base, há outro tipo de republicanos que vão ficar extremamente satisfeitos. Nos últimos dias, vários conservadores do establishment escreveram artigos a pedir a Mitt Romney para seleccionar Ryan. Na Weekly Standard, Bill Kirstol e Stephen Hayes, aconselharam a escolha de Ryan ou de Marco Rubio, e o Wall Street Journal, esta quinta-feira num editorial, lançou um apelo à selecção de Ryan. Nos meios conservadores, Paul Ryan era, juntamente com Marco Rubio, o nome mais requisitado. Pois bem, Mitt Romney deixou de lado as opções mais convencionais, Portman e Pawlenty, e ambicionou algo mais: mudar radicalmente a campanha desta eleição. Além disso, Romney terá agora mais hipóteses de vencer o Wisconsin, estado onde neste momento Obama tem apresentado ligeira vantagem.

 

Paul Ryan não é um político qualquer. Tendo começado a sua carreira política a trabalhar em Washington para políticos como Jack Kemp, Bob Kasten ou Sam Brownback, aos 28 anos decidiu deixar os gabinetes do congresso e candidatou-se a um lugar na Câmara dos Representantes. É considerado um dos líderes intelectuais do Partido Republicano e as suas intervenções públicas são habitualmente carregadas de elevação e qualidade. Ninguém espere dele declarações bombásticas. Ficou célebre a sua interlocução com o Presidente Obama durante um encontro na Casa Branca para discutir a reforma de saúde. Actualmente é o líder da Comissão do Orçamento da Câmara dos Representantes. O seu orçamento "Path to Prosperity", considerado um plano corajoso mas arriscado, será o principal ângulo de ataque dos Democratas. Mas Mitt Romney, ao escolher Paul Ryan, saberia disso melhor do que ninguém. 

 

Uma nota: Mitt Romney é considerado um político calculista e pouco dado a opções arriscadas. Diria que, entre as opções "entusiasmo", Ryan era a mais segura. Rubio e Christie estão há muito pouco tempo na arena política nacional e Bobby Jindal tem evidenciado falta de "brilho" nas intervenções públicas. Ao escolher Ryan, um político com quem tem uma química muito forte, Romney está a revolucionar esta campanha eleitoral, está a agradar a base republicana, o establishment de Washington e ainda  a aumentar o apelo da sua candidatura no Midwest. Será interessante verificar nos próximos dias a barragem de críticas que vão surgir do lado democrata, mas esta opção não deixa de ser muito estimulante para a campanha. 

 

Em jeito de provocação, o Wall Street Journal dizia esta semana que  Mitt Romney não se atreveria a escolher Paul Ryan. "Too risky, goes the Beltway chorus. His selection would make Medicare and the House budget the issue, not the economy. The 42-year-old is too young, too wonky, too, you know, serious. Beneath it all you can hear the murmurs of the ultimate Washington insult—that Mr. Ryan is too dangerous because he thinks politics is about things that matter. That dude really believes in something, and we certainly can't have that. All of which highly recommend him for the job." Bem, certamente já abriram uma garrafa de champanhe na redacção do WSJ. 

 

A apresentação será às 9h00(hora local) deste sábado em Norfolk, onde a dupla irá iniciar um périplo de quatro dias pelos estados da Virginia, Ohio, Carolina do Norte e Florida. 


Acho que essa escolha animará as duas bases. Quanto ao Wisconsin, acho que as próximas pesquisas mostraram um avanço de Romney, resultando num empate técnico, mas ainda não dá pra dizer se Ryan será influente assim para reverter a vantagem de Obama nesse estado em novembro.
De qualquer forma esta escolha torna esta eleição muito mais interessante.
Joao Felipe a 11 de Agosto de 2012 às 11:58

Correção: onde está escrito \"mostraram\", leia-se, \"mostrarão\"
Joao Felipe a 11 de Agosto de 2012 às 12:09

Penso que poderá também mudar o debate desta eleição, centrando-se talvez nestas questões económicas e sociais, abandonando um pouco os assuntos de carácter. Pelo menos nos próximos tempos :)

Interessante será o debate entre Ryan e Biden.

Isso sim. Bah. Tenho pena que não haja sido o Rand. Assim já sabemos qual o escândalo político no qual qualquer que seja o resultado, os USA se vão meter. Tanto queria visitar Teerão =X
Gustavo a 13 de Agosto de 2012 às 03:00

Romney está de parabens. Sua escolha mostra claramente a diferença das duas candidaturas. Pra um político com fama de não ser claro quanto as suas opiniões, foi uma escolha corajosa. E concordo, o debate deve subir de nível nos próximos dias.
Joao Felipe a 11 de Agosto de 2012 às 13:11

O Filipe Ferreira (que pelo que entendi, simpatiza com os republicanos), do blog EUA 2012 parece não ter gostado da escolha de Ryan
Joao Felipe a 11 de Agosto de 2012 às 13:45

Saiu outra pesquisa mostrando Obama com 7 pontos de vantagem sobre Romney. Pode questionar a metodologia desses institutos, mas não há como negar que esses institutos davam resultados mais apertados mês passado.
Joao Felipe a 11 de Agosto de 2012 às 15:17

E, entretanto, a Rasmussen dá hoje a Romney uma vantagem de 46%/44%.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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