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Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:10link do post | comentar

Com o fim da silly season da campanha presidencial americana, vamos entrar na sua recta final, com os principais pontos de interesse: a escolha do VP de Romney, as convenções e os debates. Até ao momento, os sinais parecem favoráveis a Obama. Lidera ligeiramente nas sondagens nacionais e nos swing-states, e a sua estratégia de Verão tem corrido bem. Mas agora entramos na fase decisiva. Deixo de parte as convenções e os debates, e centro-me sobretudo na escolha de Mitt Romney para seu parceiro no ticket republicano. 

 

A opção de Mitt Romney, mesmo que não tenha grande impacto na decisão final de Novembro (e acredito que terá alguma), será sempre decisiva para a narrativa histórica que se fizer da sua campanha presidencial. E, apesar dessa narrativa revelar-se apenas depois do desempenho da sua escolha durante a campanha, a opção em si acarretará um significado simbólico. Considero que Mitt Romney tem três opções em cima da mesa, com vantagens e desvantagens, e que terão influência no resto da sua campanha. 

 

Convencional

Os nomes mais apontados para esta opção são Rob Portman, senador do Ohio, e Tim Pawlenty, antigo governador do Minnesota. Ambos enquadram-se naquilo que os analistas americanos consideram o "homem branco aborrecido e competente". Com muita experiência política, ninguém colocaria em causa as suas habilitações para ocuparem o cargo de Presidente, reforçariam o epíteto de uma candidatura pronta para governar e poderiam aumentar o apelo do ticket no Midwest. Portman seria uma ajuda para vencer o Ohio (nenhum republicano foi eleito Presidente sem vencer o estado) e Pawlenty poderia colocar o Minnesota em disputa, apesar dos republicanos não vencerem aqui desde 1972. Diria que analisando o percurso político e de vida de Romney, estas são as opções mais fortes.

 

Entusiasmo

Marco Rubio, Bobby Jindal, Chris Christie e Paul Ryan. Qualquer um destes nomes iria transformar esta eleição e iria introduzir uma dose enorme de energia na campanha de Mitt Romney. O senador da Florida, descendente de pais cubanos e favorito do Tea Party, tem uma história de vida formidável e, quase de certeza, ajudaria Romney a conquistar o seu estado natal. É carismático, tem o dom da oratória e tem apenas 41 anos. Seria muito atacado pela sua inexperiência, mas penso que seria extremamente positivo para os republicanos nos hispânicos em alguns swing-states (além do seu estado, Colorado, Nevada e Novo México). Com a mesma idade, Paul Ryan, congressista do Wisconsin, poderia ajudar a transformar o seu estado mais competitivo, e introduziria no debate temas como a reforma estrutural dos programas sociais e o combate ao défice. Os democratas gostariam desta opção, pois consideram que as suas propostas são impopulares no eleitorado independente. Mas Paul Ryan, um dos líderes intelectuais do GOP, teria um impacto extraordinário nesta campanha. Chris Christie, o bombástico governador de New Jersey, é um dos líderes desta nova geração de republicanos. Seria um acréscimo de qualidade no debate político, e o confronto político ganharia com a sua escolha. Além disso, poderia ajudar Romney no seu estado, apesar das possibilidades de vencer são diminutas. Os democratas pensam que poderiam ganhar pontos devido ao estilo conflituoso de Christie, mas basta observar os índices de popularidade dele no seu estado, tradicionalmente democrata, para pensar-se que talvez não seja bem assim. Por fim, Bobby Jindal, que não acrescenta grande coisa em termos regionais, pois a Louisiana, onde é governador, ou o Sul, é território seguro para os republicanos. Mas com a sua experiência aos 41 (já foi congressista, membro da administração e está no segundo mandato) fortaleceria Romney e iria receber amplo apoio da base conservadora. 

 

Surpresa

Sarah Palin em 2008 foi uma enorme surpresa e essa experiência é hoje considerada um fracasso. Não é de prever que Mitt Romney volte a optar num total desconhecido para o cargo, sendo que há duas opções, que têm sido muito pouco faladas e se enquadram nesta categoria: o governador de Porto Rico, Luis Fortuño e Kelly Ayote, senadora do New Hampshire. As hipóteses destes dois nomes são ínfimas, mas nunca se sabe se a campanha de Romney arrisca. Se a opção for de risco total, apostaria nestes dois nomes.  Outras surpresas seriam os nomes de Condoleezza Rice, do general David Petraeus ou do governador da Virgínia, Bob McDonnel. 


E a escolha é: Paul Ryan.

Um ultra-neo-liberal e principal oponente do bi-partidarismo, penso que será um tiro no pé do Willard, mais um.
HCarvalho a 11 de Agosto de 2012 às 09:39

o Romney pode ter dito adeus à Florida, com a escolha para VP do tipo que quer privatizar as reformas, os senior citizens da Florida vão lhe dar o troco.
HCarvalho a 11 de Agosto de 2012 às 09:44

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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