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Ago 12
publicado por Nuno Gouveia, às 17:04link do post | comentar

Julian Castro: AP Photo/Pat Sullivan


Esta semana o nome de Julian Castro, mayor de San Antonio, no Texas, saiu do anonimato ao ser anunciado como Key Note Speaker da Convenção Nacional Democrata de Charlotte, que se realiza em Setembro. Com apenas 37 anos, este democrata formado em Stanford e Harvard, e descendente de mexicanos, é a grande aposta do seu partido para a convenção. Este discurso, se correr bem, poderá catapultar Castro para outros voos. Recordo que em 2004 ninguém conhecia o desconhecido Barack Hussein Obama quando foi convidado para John Kerry para proferir discurso idêntico na convenção. 

 

Ontem, Ted Cruz, descendente de cubanos e formado em Princeton e Harvard, venceu ontem no Texas a nomeação republicana para o Senado, o que na prática quer dizer que irá viajar para Washington em Janeiro do próximo ano para substituir Kay Bailey Hutchison no Senado americano. Solicitador-Geral entre 2003 e 2008, chegou também a fazer parte da Administração Bush, foi ganhou as primárias ao preferido pelo establishment estadual do GOP, mas obteve o apoio do Tea Party e das figuras mais proeminentes da ala conservador do Partido Republicano. Uma figura a ter em atenção no futuro.

 

A estes dois exemplos revelados esta semana junta-se Marco Rubio, o jovem senador da Florida que tem sido insistentemente apontado pelos media americanos como candidato a Vice Presidente de Mitt Romney; Susana Martinez, governadora republicana do Novo México e também ela tem constado na shortlist de Mitt Romney, Brian Sandoval, também ele eleito governador republicano do Nevada em 2008, Antonio Villaraigosa, mayor democrata de Los Angeles e provável futuro governador do estado. A ascensão de políticos hispânicos não surge por acaso: este é o grupo demográfico em maior crescimento no país e a sua influência na sociedade americana não vai parar de crescer nos próximos anos. Se os Estados Unidos elegeram pela primeira vez um afro-americano em 2010, não deverá estar muito longe a leição de um hispânico. Diria que, caso Obama seja reeleito, isso pode bem suceder já em 2016, com a provável candidatura de Marco Rubio. Destes nomes que referi, apenas Cruz nunca poderá candidatar-se ao cargo de Presidente, pois nasceu no Canadá, quando os seus pais estavam exilados de Cuba. 

 


O primeiro presidente de origem latina pode ser... Romney. O pai dele nasceu no México :-)
Joao Felipe a 1 de Agosto de 2012 às 19:56

Sandoval não foi eleito em 2010?
Joao Felipe a 2 de Agosto de 2012 às 00:16

Claro que sim. Engano meu :)
Nuno Gouveia a 2 de Agosto de 2012 às 08:59

Cruz não será, certamente, alguém a ter em conta no futuro. O facto de ganhar a um candidato do establishment a nomeação, não invalida o facto de ser um radical, próximo de doido varrido. Será, talvez, o principal responsável por um senador democrata no Texas. A guinada à direita, forçada pelo Tea Party, terá como consequência colocar em maus lençois os candidatos do GOP, empurrando o centro para os democratas.
João a 2 de Agosto de 2012 às 11:19

Discordo João, Dificilmente um democrata vencerá no Texas. Talvez isso que você falou aconteça em Indiana, mas há poucas pesquisas para tirar uma opinião.
Joao Felipe a 2 de Agosto de 2012 às 13:03

Felipe, suponho que a vitória será muito difícil, mas este tipo de candidato abre essa oportunidade, mesmo num estado como o Texas. Os representantes da linha do Tea Party são extremamente polémicos, mesmo em estados tendencialmente republicanos.
Caso Cruz e outros como ele sejam realmente eleitos, os efeitos a nível da governação do país são assustadores; com estes candidatos, não existe acordo possível, o discurso e a política radicalizam-se e o presidente terá, certamente muita dificuldade em gerar consensos. É um fenómeno um pouco assustador...
João a 2 de Agosto de 2012 às 15:00

Devido à mudança demográfica, o Texas daqui a uns ciclos eleitorais será um swing State, e com a radicação do Partido Republicano próximo da extrema direita faz com que os hipânicos fujam para o partido democrata. Basta ver o que os republicanos dizem sobre a emigração e o trabalho da Jan Brewer no Arizona para ver que por muito hispânicos que nomeiem, o partido republicano não vencerá este grupo demográfico.
HCarvalho a 2 de Agosto de 2012 às 17:59

Realmente a demografia é uma guerra que o partido republicano está perdendo. É preciso uma reorientação no partido para que ele não perca o bonde histórico. Mas acredito que ainda há tempo pra isso, e por alguns anos ainda acredito no Texas como bastião do partido, mas se o partido não se reformular até la...
Joao Felipe a 2 de Agosto de 2012 às 18:40

Surgiu outra pesquisa (da Pew) mostrando Obama acima dos 50% e com 10 pontos de vantagem sobre Romney. Pode-se questionar a metodologia desses institutos, mas não se pode negar que eles apresentavam resultados mais apertados anteriormente e que agora Obama está apresentando resultados melhores
Joao Felipe a 2 de Agosto de 2012 às 23:47

Confesso que achei estranha essa sondagem, dado até que dava Romney à frente de Obama por 45/43 nos independentes.

Repare na amostra:
459 Republicans
813 Democrats
599 Independents

Não sei com que base fizeram essa sondagem, ou até, se está de acordo com anteriores. Mas como não sou especialista em sondagens, não posso opinar muito mais do que isto. Vamos ver se isto é mais um outlier (há uns tempos surgiu uma que dava 14% de Obama à frente).
Nuno Gouveia a 3 de Agosto de 2012 às 10:32

O número de democratas está claramente inflado. Mas o ponto é que antes este instituto dava resultados mais apertados.
A pesquisa que você se refere é a da Bloomberg, que se não me engano era feita com \"Likely voters\" assim como a da Quinnipiac e a da Rasmussen. Me pergunto como cada instituto define que são os \"likely voters\"
Joao Felipe a 3 de Agosto de 2012 às 13:21

Não sei se tinham esta discrepância tão grande na anterior sondagem. A menos que haja outras a indicar o mesmo e com amostras mais representativas, parece-me que se deve deitar esta sondagem para o lixo. Nunca esta amostra pode ser representativa do número de eleitores que vão às urnas. Em 2008, os Democratas acorreram em muito maior número às urnas e penso que a sua percentagem no número final de eleitores foi mais 9% do que republicanos. Este ano, as sondagens têm indicado que o entusiasmo está do lado republicano, sendo de esperar que essa superioridade de 9% sejam reduzidos.

Penso que os LV são aqueles que dizem que vão votar. Claro que é apenas uma intenção.
Nuno Gouveia a 3 de Agosto de 2012 às 13:52

Por quê a Pew mudaria sua metodologia? Será algum intuito de inflar os resultados de Obama? Mas que eu saiba esse é um instituto respeitado nos EUA
Joao Felipe a 3 de Agosto de 2012 às 14:23

A Pew publica estudos muito interessantes e eu próprio utilizo muitos dos seus inquéritos. Mas esta amostra é um pouco estranha.

Não sou capaz de dizer as motivações da Pew e até admito que alguém que seja especialista em sondagens possa explicar esta discrepância.

Concordo com o que o Nehemias escreve no seu comentário.

O Electoral Vote comentou isso hj.

Cerca de 40 % da amostra da pesquisa é formada por telefones celulares. Deve ter sido uma tentativa de corrigir um viés que existe nas pesquisas com telefones domiciliares onde os eleitores mais jovens, ou mais pobres, ficam sub-representados.

No entanto parece que a "correção" criou mais problemas que resolveu:

http://www.electoral-vote.com/evp2012/Pres/Maps/Aug03.html#item-1

At the end of the story they let the cat out of the bag. They surveyed 1505 people on landlines and 1003 on cell phones. That is a lot of cell phones and it is well known that cell phones skew Democratic--well, their owners skew Democratic. Sure enough, the internals show there were 813 Democrats surveyed, 459 Republicans, and 599 independents (the others were either not registered voters or something else invalidated them). In sample, 43% were Democrats and 24% were Republicans. No conceivable electorate looks like this, with a 19-point Democratic advantage. The sample was corrected for gender, age, race, Hispanic origin and nativity, education and region, but there is no mention of correction for political party. You should take this poll with a grain (or better, a kilogram) of salt. But the lesson here is that polling with samples of 2500 people is a tricky business. Pew ought to know that.
Nehemias a 3 de Agosto de 2012 às 15:32

Por partes:

Entre os independentes, a pesquisa da Pew mostra Romney com 45 % e Obama 43 %. No mais, 90 % dos democratas votam em Obama, assim como 90 % dos republicanos em Romney (que são resultados consistentes com outras pesquisas). Ou seja, a pesquisa só aponta essa vantagem de Obama porque o número de democratas esta (muito) inflado, uma amostra mais realista levaria os resultados para o empate técnico.

No entanto, creio que as pesquisas de tracking, feitas diariamente, como Gallup e Rasmussen são melhores indicadores da situação do que as feitas esporadicamente, já que os erros estatísticos são diluídos. O que se vê nessas pesquisas é que embora Romney ou Obama possam ter seus dias de pico, a tendência clara é de empate técnico com uma notável estabilidade entre 44 a 48 %, com uma leve vantagem para Obama.

Nehemias
Nehemias a 3 de Agosto de 2012 às 14:26

Ainda desconfio um pouco da Rasmussen. Se tomarmos ela por base e aplicarmos a teoria do Alexandre sobre o voto dos indecisos, concluiremos que Romney terá uma vitória folgada, o que não me parece o caso. Confio muito mais na Gallup.
Joao Felipe a 3 de Agosto de 2012 às 15:06

O Race42012, que é um blog republicano, faz um gráfico com a média do Rasmussen com o Gallup, e o resultado é que não houve um único dia desde abril em que a diferença entre Obama e Romney fosse superior a 4 %, (em benefício de um ou de outro), e quase todo o tempo foi menor que 2 %.

Existem problemas metodológicos em fazer uma média como essa, mas o princípio básico é razoavel, e como indicador é bem interessante. O Gallup faz a pesquisa com votantes registrados, que favorece, em tese, Obama. O Rasmussen com eleitores prováveis, o que tende a favorecer Romney, a situação real do eleitorado deve estar em um meio termo dos dois...
Nehemias a 3 de Agosto de 2012 às 15:18

A teoria acerca do voto dos indecisos não é minha, mas de vários especialistas em sondagens, coisa que eu estou longe de ser.

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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