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Jul 12
publicado por Alexandre Burmester, às 16:45link do post | comentar

 

 

Aquilo que parecia ser uma recuperação lenta mas segura da economia dos E.U.A. tem sofrido sérios revezes nos últimos meses. O desemprego parece ter "encalhado" acima dos 8% (e isto usando apenas medidas restritivas da sua medição) e a actividade económica parece estagnada, ou mesmo, segundo alguns, a caminho da recessão.

 

 Com efeito, os índices de produção industrial e serviços do Richmond Fed cairam a pique este mês. Brevemente teremos números acerca do PIB no segundo trimestre e do emprego no mês de Julho. Os segundos serão especialmente importantes.

 

Perante isto, é normal que a Campanha Obama tente reforçar os seus ataques ao seu opositor. Da questão Bain/Impostos passámos agora para a questão da inexperiência de Mitt Romney em matéria de política externa (o mesmo se poderia dizer do Obama de 2008, claro, e não se tem saído mal de todo).

 

Mas os constantes ataques de Obama a Romney têm tido um efeito negativo para o Presidente: se bem que o seu índice de "Job Approval"  há muito seja basicamente negativo, o seu índice de popularidade pessoal permanecia em franco terreno positivo. Mas este último número já apresenta valores negativos em algumas sondagens, o que poderá ser consequência precisamente da campanha negativa que o Presidente se vê obrigado a conduzir - uma fatalidade, dado o fraco desempenho da Economia e a impopularidade relativa do seu principal feito doméstico, a reforma da saúde. 

 

Isto dito, a verdade é que os números de Romney nas sondagens também não têm progredido. Colocado na defensiva com os ataques constantes do campo contrário, Romney não tem sido capaz de transmitir uma imagem positiva ao eleitorado. Para vencer em Novembro não bastará a Romney fiar-se na opinião negativa do eleitorado acerca do actual ocupante da Casa Branca. Também tem de dar-se a conhecer a esse eleitorado e transmitir uma imagem positiva e de optimismo - como Ronald Reagan em 1980 e Bill Clinton em 1992.


Os indices de aprovação de Obama (cuja margem negativa é menos de 1% segundo a média do RCP) são mais próximos dos de Bush II em 2004 do que dos de Bush I em 92. Além disso, não há um terceiro candidato forte de quem Romney possa roubar votos como tiveram Reagan e Clinton, Portanto sua margem de crescoimento é bem menor. Se o desemprego ficar pelos 8%, não é um número bom, mas é bastante defensável.
Joao Felipe a 25 de Julho de 2012 às 21:30

Uma volta da recessão nos EUA esse ano é bastante improvável. O PIB americano inclusive, deve crescer mais que o brasileiro. Os grandes veículos britanicos: The Economist e Financial Times tem anàlises nesse sentido.
Joao Felipe a 25 de Julho de 2012 às 21:34

Aguardo os seus comentários, caro João Felipe, quando Economist e FT inexoravelmente mudarem de opinião!;-)

Uma pergunta que Obama pode fazer a Romney nos debates sobre suas medidas para acabar com a recessão de 2009, que acho, será espinhosa para ele, é essa:
\"O que você teria feito diferente?\"
O republicano parece não ter a resposta.
Joao Felipe a 25 de Julho de 2012 às 22:06

Romney adoraria que fosse o próprio Obama a fazer-lhe essa pergunta :)
Nuno Gouveia a 25 de Julho de 2012 às 22:10

Obama é um homem inteligente, e bom a debater. Nunca faria uma pergunta dessas. Isso seria expor o flanco.

Romney recebeu um grande aplauso num dos debates. O que faria diferente de Obama? Penso que a resposta foi mais ou menos isto: olhava para o que Obama fez e fazia tudo ao contrário :)
Nuno Gouveia a 26 de Julho de 2012 às 08:53

O que ele responderia?
Joao Felipe a 25 de Julho de 2012 às 22:18

Curiosidade: Li que Ann Romney irá participar das competições de hipismo nas olimpíadas. Não sei se isso é allguma piada, mas se for verdade teremos um \"duelo\" das esposas dos candidatos, pois Michelle Obama irá a cerimônia de abertura. A disputa està tão acirrada que chegou nas olimpíadas :-D
Joao Felipe a 26 de Julho de 2012 às 00:35

Falo das medidas que Obama tomou após assumir, como o socorro aos bancos e montadoras. Fiz essa pergunta a um ferrenho militante republicano noutro blog e ele me respondeu:
\"Ele não é presidente, vote nele e você verá\"
Outros republicanos do blog também calaram.
Joao Felipe a 26 de Julho de 2012 às 00:56

"o socorro aos bancos"

Penso que isso ainda foi uma medida do Bush

Sim, tem razão. Foi o Plano Paulson.

O Plano de Estímulos e a Lei da Saúde, as duas maiores "peças" legislativas de Obama, que não tiveram votos republicanos na House e no Senado (penso que a lei da saúde teve um voto na House), e que continuam impopulares. Bastaria a Romney dizer que não faria isso, que ficaria logo nas "boas graças" dos independentes.
Nuno Gouveia a 27 de Julho de 2012 às 10:10

Mas ele disse isso em um debate republicano, que é diferente de um debate contra Obama, onde os independentes estarão esperando propostas concretas. Ele teria que explicar por exemplo, sua oposição ao resgate das montadoras, que salvou milhares de empregos americanos.
Joao Felipe a 26 de Julho de 2012 às 11:05

João Filipe,

Do ponto de vista econômico, técnico, um republicano no lugar de Obama teria adotado medidas semelhantes, possivelmente com algumas nuances e diferenças.

Mas no debate, a discussão se dá politicamente. É outro plano. Romney já tem resposta a essa pergunta. Ele até já tomou o crédito do sucesso bailout http://www.forbes.com/sites/michelinemaynard/2012/05/08/mitt-romney-takes-credit-for-the-auto-bailout-say-what/

O que o eleitor vai ver no debate, de ambos os lados, vão ser algumas respostas cuidadosamente fabricadas, frequentemente superficiais, associadas a alguma frase de efeito. Nada aprofundado.

E a sua pergunta, do fazer diferente, levanta uma outra discussão: existem diferenças brutais de discurso entre os partidos, que revelam diferenças ideológicas reais, e outras não tão reais assim. Mas, no poder, eles se confrontam com problemas que não tem ideologia, e que as vezes reduzem a margem de manobra a umas poucas alternativas.

O candidato Romney pode dizer que não faria o Bailout. Mas o Presidente Romney, sentado na Casa Branca, com o risco da GM e de toda indústria automobilistica americana , e com ela o que sobrou de Michigan, e, possivelmente Ohio, não teria muita coisa a fazer se não intervir, fazendo algo muito parecido do que Obama fez.

Obviamente, como certamente haverão algumas diferenças, vão dizer que foram cruciais (ex. não cederia aos sindicatos, como Obama cedeu) .

Nehemias
Nehemias a 27 de Julho de 2012 às 15:57

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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