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Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:51link do post | comentar

Desde que Mitt Romney garantiu a nomeação que as sondagens não têm tido grandes oscilações. Hoje foram publicadas cinco sondagens nacionais, onde Mitt Romney lidera em duas por 1%, Barack Obama está à frente em duas por 2 e 4%, enquanto numa estão empatados. Sem nunca perder a liderança da média do Real Clear Politics, a vantagem de Obama tem oscilado entre 3 pontos e 0,2. Estes números indicam que, apesar dos ataques, das gaffes ou dos períodos menos bons dos candidatos, as intenções de voto têm-se mantido relativamente estáveis. Significativo é também o número de incecisos, que andará à volta dos 10% e que não têm sofrido grandes modificações. O que signfica isto?

 

Como temos dito aqui,  e a menos que suceda algo de extraordinário até Outubro, esta eleição será itensamente disputada. Barack Obama tem a vantagem de ser o Presidente em exercício, e de, apesar das suas políticas serem impopulares, a sua personalidade continuar a grangear simpatia no eleitorado. Romney, pelo contrário, tem baixos indices de popularidade, mas tem apresentado vantagem na economia aos olhos dos eleitores. Em relação à rumo da campanha, há duas perspectivas antagónicas. Obama tentará transformar esta campanha num referendo ao passado de Mitt Romney, tentando caracterizá-lo como inelegível. Os recentes ataques à Bain Capital e à riqueza de Mitt Romney inserem-se nessa estratégia, sendo uma cópia, com as devidas diferenças, do que George W. Bush e os seus aliados fizeram a John Kerry em 2004. Pelo seu lado, o candidato republicano tentará que este seja um referendo às impopulares políticas do Presidente. Neste aspecto os indicadores económicos parecem favorecer Romney, pois as previsões apontam para que a situação económica se continue a degradar até Novembro. O facto desta ofensiva mediática contra Romney não estar a resultar, pelo menos segundo as sondagens, são sinais preocupantes para Obama, mas não invalida que ainda possa haver uma reviravolta nesta matéria. Até porque às vezes este tipo de imagem demora a colar a um candidato. Como temos vindo aqui a dizer, os indecisos normalmente costumam pender para o lado do challenger, mas os dados históricos nem sempre nos mostram o futuro. 

 

E quais os momentos que poderão ser decisivos nesta campanha? Ao contrário do que o aparato mediático poderá levar-nos a pensar, a maioria dos americanos apenas começa a seguir com atenção a campanha presidencial a partir das convenções. Portanto, a forma como estas decorrerem, grandes espectáculos preparados sobretudo para os eleitores em casa, terá a sua importância. Depois haverá outros dois momentos relevantes. Numa campanha disputada, os debates terão dezenas de milhões de telespectadores. Nem sempre os debates são decisivos, mas podem ter a sua influência. Em 1980, Reagan e Carter estavam empatados até à realização do debate, uma semana antes das eleições, onde Reagan provou estar à altura do cargo que ocupava. Venceu em 44 estados. Em 2000, George W. Bush, apesar de não ser grande especialista e de nem ter estado particularmente bem, evidenciou qualidades que os eleitores apreciaram, ao contrário do robot Al Gore, que parecia ter estado uma vida à espera daquele momento. Ainda há quatro anos, o Barack Obama que já inspirava grande parte do eleitorado que lhe deu a vitória, utilizou os debates para convencer os americanos que a sua inexperiência não seria um obstáculo. Este ano, os três debates podem contribuir para o desfecho desta eleição, caso um dos candidatos consiga superar o adversário, o que poderá se consunstanciar num pormenor num dos debates ou, por exemplo, na consistência evidenciada no conjunto. Por fim, a forma como a campanha de ambos decorrer nas últimas semanas, sem gaffes e com uma mensagem bem direccionada para os indecisos nos swing-states, poderá fazer a diferença. Além disto, há sempre a possibilidade de uma October Surprise, um dos mitos de uma campanha presidencial americana. 

 

Adenda: Para Mitt Romney, haverá um momento também ele muito importante: a escolha do VP. O nome em si e o formato como decorrer a sua apresentação ao povo americano poderá ajudar a sua campanha. 


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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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