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Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 13:38link do post | comentar

 

O último ano foi pródigo em investimentos televisivos tendo como pano de fundo o complexo mundo da política norte-americana. Já aqui dei conta da fantástica série protagonizada por Kelsey Grammer, The Boss, do canal Starz, que aborda, não tão ficcionadamente como possa parecer, a política de Chicago e a corrupção endémica que afecta a Wind City. Esta é, talvez, a minha série preferida dos últimos anos, onde o espectador é convidado a mergulhar no dark side da política.

 

De uma forma totalmente diferente, Veep é uma comédia da HBO, que tem na protagonista principal, a actriz popularizada por Seinfeld, Julia Louis-Dreyfus, uma Vice Presidente desajeitada e sem poder real, (mal) acompanhada por um staff de assessores muito pouco profissionais.

 

Scandal, da ABC, leva-nos aos bastidores da Casa Branca, guiados por uma ex-assessora perita em resolver escândalos. Esta, inspirada na famosa PR Judy Smith, que chegou a trabalhar com George H. Bush, vê-se envolvida numa trama de suspense na tentativa de salvar a presidência do seu amante, um republicano moderado que tem uma Vice Presidente conservadora.

 

Já durante este Verão estreou Newsroom de Aaron Sorkin, uma série que nos mostra a política do ponto de vista de uma redacção de um canal de notícias, onde a subjectividade e a parcialidade é norma, apesar de o quererem apresentarem de outra forma. Protagonizada pelo gigante Jeff Daniels, esta série da HBO tenta fazer uma crítica mordaz aos canais de cabo, onde a notícia é tantas vezes relegada para segundo plano. Diga-se que as críticas não têm sido muito positivas. 

 

Por fim, esta fim de semana estreou no USA Network Political Animals, uma série que nos conta a história de uma Secretária de Estado que perdeu a nomeação Democrata e que se divorciou do seu marido no dia em que perdeu as primárias, sendo este um mulherengo inveterado e antigo Presidente dos Estados Unidos. Familiar... 

 

Cinco séries que estrearam no último ano que têm em comum o mundo da político. Acreditando que a realidade é quase sempre é bem mais interessante do que a ficção, estas são, à sua maneira, uma boa oportunidade para espreitar a política americana. 

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sigo este blogue com alguma frequência e não percebo como, neste momento, a campanha do Romney está em tão maus lençóis e vocês escrevem sobre estas trivialidades...
Pedro Costa a 18 de Julho de 2012 às 15:48

Vejo que temos aqui um candidato a querer definir o que escrevo ou não. No entanto, e como só escrevo o que e quando me apetece, não terá sorte.
Nuno Gouveia a 18 de Julho de 2012 às 22:21

A agenda politicamente correcta europeia definiu já há muito o desfecho das eleições presidenciais americanas de 2012, e até pode ser que acerte. Mas, atendo-me ao seu comentário, eu diria que a campanha que está em maus lençóis é a de Obama. Nesta altura da corrida a sua eleição deveria ser um dado adquirido, e está longe de o ser, como o mais militante membro da máquina de Chicago lhe diria sorrateiramete se tivesse oportunidade para tal.

Seja como for, o seu comentário parece-me deslocado, pois temos abordado aqui muitos temas da campanha, e, apesar de todos os indicadores negativos contra si, Obama ainda é o favorito, tal como George W. Bush o era nesta altura em 2004 - "the power of incumbency" - embora a clarividente classe dos analistas europeus achasse que ele seria derrotado.

É que, para essa clarividente classe, os americanos são obtusos - para não dizer pior - quando votam nos republicanos, mas são iluminados quando votam nos democratas.

Mas, como muito bem disse o Nuno Gouveia, nós escrevemos acerca do que nos apetece, até, se necessário for, acerca do Daffy Duck. Vantagens da blogosfera e da independência!

Obrigado por gastar o seu tempo connosco!

Só mais um comentário:
Bastaria ler os posts anteriores ao meu, nomeadamente os escritos pelo Alexandre, para verificar que esse comentário não faz o mínimo sentido. Além que ninguém precisa de explicar o porquê de escrever sobre determinado assunto.
Nuno Gouveia a 19 de Julho de 2012 às 09:42

Vocês escreveram um post sobre os impasses da campanha do Mitt Romney em 9 de Julho... eles mantém-se. Foram ainda agravados pela questão dos impostos que ele pagou nos últimos anos (antes de ser candidato). Há republicanos a pedir que ele mostre essas declarações. E isto não é uma questão menor: se ele se candidata com o argumento que sabe gerir a economia, com base na sua experiência no sector privado... bem, então se não mostra com foi feita a gestão dessas empresas, o seu argumento cai por terra não? Ele pode ter cometido um crime federal ao mentir nas suas declarações! Isto não é apenas um questão de inveja da riqueza do Romney ou de simples ataque pessoal. Pode ser muito grave, e os republicanos do outro lado do Atlântico sabem. Sim, foi uma farpa, porque tenho que dizer umas coisas sobre as vossas respostas:

1º Eu não sou "cego": sei que os autores deste blog serão mais favoráveis aos conservadores, da mesma maneira que na Europa só se fala da "pop star" Obama mais do que o Obama propriamente dito. Sigo este blog como forma de equilibro desse tipo de informação.
2º Não quero de maneira nenhuma condicionar o que escrevem, essa afirmação é completamente ridícula. Alguém da uma opinião online e soltam logo os cães? Calma! Isto é a internet.
3º Vocês podem escrever muito bem o que quiserem na net. But guess what: eu também!
4º Querem falar do Donald Duck ou de outra coisa qualquer por puro gozo pessoal? Façam o favor rapazes!
Pedro Costa a 19 de Julho de 2012 às 15:42

Tudo assuntos interessantes. Vejo que repete as acusações dos "Bainers", que têm sido desmentidas até por alguma imprensa afecta aos Democratas. Isso não passa de uma linha de ataque, que se percebe perfeitamente. No entanto, algo que me diz que nem tudo corre bem aos democratas, como esta sondagem e dados que estão lá incluídos.

http://www.nytimes.com/2012/07/19/us/politics/poll-shows-economic-fears-undercutting-obama-support.html?_r=3&hp

Uma campanha presidencial é demasiado longa para transformar um assunto circunstancial ou mera linha de ataque num tema decisivo. Até porque os dados são bem contraditórios. Há uns tempos, depois de más semanas de Obama, criticas de responsáveis democratas e afins, parecia o apocalipse para os seus lados. Agora, é Romney que tem estado na linha de fogo.

Tenho ideia (e é apenas uma teoria, consubstanciada pelo rumo das sondagens, praticamente iguais nos últimos dois meses) que estes ataques e contra-ataques de ambas as campanhas não têm sido assim tão relevantes para os eleitores como muitos media, de um lado e de outros, os querem fazer parecer.

mas veremos.

Sobre se escreverei aqui de filmes, séries ou afins, continuarei com todo o gosto. O que aprecio nos EUA vai muito além do seu complexo mundo da política.

Mas ele (Romney) vai ter que mostrar os documentos em causa mais tarde ou mais cedo certo? Ou o número de anos de declarações de impostos que tem que apresentar pode variar?
Pedro Costa a 19 de Julho de 2012 às 16:15

Ele não tem que mostrar nada. Já mostrou tudo o que tinha a mostrar, segundo a lei.

Nuno,

Eu concordo que ele nada teria mostrar, de um ponto de vista legal. No entanto, essas declarações já causaram problemas a Romney durante as primárias.

Nas primárias da Carolina do Sul, Romney liderava com ampla margem, Gingrich tentava, sem sucesso, atacar o passado dele na Bain Capital (o infame "When Mitt Romney came to town"), quando, no penúltimo debate surgiu a questão do tornar pública a declaração; Romney hesitou, e aquele foi o ínicio da reviravolta que custou a Romney mas alguns meses de primárias (se tivesse ganho na Carolina do Sul, não haveria chance para Santorum criar os aborrecimentos que causou).

Me parece que o eleitorado médio não se opõe as atividades de Romney na Bain, seu sucesso, e seus ganhos milionários. Os EUA, (e mais importante, Ohio, Florida e Virginia) não são Massachussets, onde Ted Kennedy usou esse caso com sucesso. Contudo, não divulgar pode ser um problema se houver a percepção de que existe algo a esconder. Já vimos o efeito disso mesmo em um eleitorado insuspeito como o das primárias republicanas.

Mas eu creio que Romney é um candidato extremamente racional, hábil no enfrentamento de questões complicadas, e avalia muito bem riscos. Vimos isso nas primárias. A essa altura, o caso Bain já foi estimado em seus riscos e desdobramentos, e já há uma resposta para isso.
Nehemias a 19 de Julho de 2012 às 20:42

Nehemias,

sim, claro, estava a falar em termos legais. Em termos políticos é outra questão. O que eu penso, e concordo com a opinião que já li de alguns democratas, é que as declarações de impostos terão algo lá, não em termos criminais, que será prejudicial à sua campanha e a equipa de Romney, que avaliou as duas possibilidades, preferiu não os divulgar. Veremos se sucumbe à pressão.
Nuno Gouveia a 19 de Julho de 2012 às 21:16

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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