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Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 00:33link do post | comentar

 

O sempre bem informado Drudge Report anunciou há momentos que Mitt Romney terá divulgado a conselheiros uma shortlist final de potenciais nomes  para Vice Presidente e, surpresa, um dos nomes que lidera a lista é precisamente Condoleezza Rice, antiga Secretária de Estado. Apesar de ter feito parte da impopular Administração Bush, os seus créditos e popularidade manteve-se elevada ao longo destes anos e permanece como uma voz respeitada na comunidade de política externa americana. Recentemente esteve numa sessão com Romney onde foi amplamente elogiada. De facto, Condi acrescentaria vários contributos à candidatura de Romney: grande experiência em política externa (falta a Romney), afro-americana e mulher (as sempre relevantes minorias) e traria star power à campanha republicana. Além disso, ainda recentemente Ann Romney disse publicamente que o seu marido estava seriamente a considerar uma mulher para Veep. Se retirarmos as inexperientes Susana Martinez do Novo México ou Kelly Ayotte do New Hampshire, não haverá muitas mais nos nomes habitualmente referidos. 


Tendo escrito isso, devo dizer que não acredito nesta possibilidade. Condi Rice sempre tem dito que não pretende ser candidata a cargo algum, e tem um "pecado" que costuma ser mortal no Partido Republicano moderno: é a favor do aborto legalizado. Além do mais, e pela experiência do que tem sucedido nas últimas décadas, este tipo de informações que saltam cá para fora muitas vezes destinam-se a servir como contra-informação. Nas próxima semanas saberemos a resposta. 


Outro inconveniente grave de Condoleeza é sua ligação com o Governo Bush II, que mesmo parte significativa da base republicana tenta esquecer. Romney estaria oferecendo a campanha de Obama a possibilidade de colar a imagem de Mitt a um presidente que terminou seu mandato com 30 % de popularidade.

Sempre que vejo republicanos falando, sou levado por um momento a acreditar que Ronald Reagan foi o último presidente daquele partido. É como se Bush Pai e Bush Filho não tivessem existido. Além disso, mesmo reconhecendo os méritos de Condoleeza Rice, passado pouco tempo depois da maior parte da base republicana duvidar das credenciais conservadoras de Romney, escolher alguém "mildly pro-choice" pode ser um tiro no próprio pé.

É interessante que aqui no Brasil, toda vez que o Partido dos Trabalhadores se vê em dificuldades em eleições presidenciais, ele trata de colar a imagem do principal partido da oposição (PSDB) ao ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), que no final de seu governo enfrentou uma grande queda de popularidade. Em 2006 e 2010 funcionou (*).

Vejo enormes possibilidades para bons marqueteiros de associar Romney e Bush, caso Condi seja escolhida...

(* P.S: Pessoalmente, não creio que FHC tenha sido um presidente ruim. O ponto da comparação com Bush é que tanto um quanto outro terminaram seu governos com baixíssima popularidade).
Nehemias a 13 de Julho de 2012 às 21:01

Por acaso até penso que a questão Bush, na Condi, seria um pouco esbatida, pois ela foi Secretária de Estado e apenas esteve envolvida na política externa. Claro que talvez fosse atacada pela sua posição de apoio na Guerra do Iraque, mas não creio que a equipa Obama deseje levantar de novo os fantasmas da política externa de Bush, que aliás tem prosseguido em regra geral.

Confesso que fiquei surpreendido com as palavras de Palin sobre a "escolha maravilhosa" de Condi, mas não acredito que ela venha a ser a escolhida. Os conservador dificilmente aceitariam uma pro-choice. Mas nunca se sabe.
Nuno Gouveia a 14 de Julho de 2012 às 09:46

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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