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Jul 12
publicado por Nuno Gouveia, às 15:42link do post | comentar

Os números do desemprego revelados na sexta-feira foram muito maus para a Administração Obama. A economia continua a mostrar sinais de grande fragilidade e a popularidade de Barack Obama permanece abaixo dos 50%. No mesmo dia foi anunciado que Mitt Romney, juntamente com o fundo constituído pelo RNC, angariou mais de 100 milhões de dólares. E, no entanto, a corrida permanece com ligeira ascendência de Barack Obama. Hoje o USA Today publica uma sondagem em 12 Swing States que oferece uma vantagem de 2% a Obama e na média do Real Clear Politics tem também a liderança por 2,6%. A eleição continua bastante renhida e até Novembro tudo pode acontecer. Mas nesta última semana vários conservadores surgiram em público a criticar a estratégia de Mitt Romney e, sobretudo, a sua equipa de assessores. Bill Kristol, o editorial do Wall Street Journal e até Rupert Murdock pediram alterações substanciais na campanha de Romney. A principal crítica é que o candidato não tem respondido com eficácia aos ataques de Obama ao seu currículo e pode estar a perder uma oportunidade de ouro para derrotar o Presidente. As críticas de Obama à Bain Capital tem surtido algum efeito nos swing-states e Romney tem estado em silêncio. Hoje foi revelado que nos últimos meses, Obama e os seus aliados têm investido muito mais do que Romney, numa ordem de 3 para 1. Será isto mau sinal para Romney?

 

Jay Cost, na Weekly Standard, aborda hoje esta temática e defende que Mitt Romney está em boa posição para derrotar Obama. Em todas as campanhas há momentos em que parece que tudo está a correr mal e o abismo parece certo. Ainda há um mês muitos analistas, incluindo vários democratas, disseram o mesmo da campanha de Obama. Eu permaneço com a mesma opinião: esta vai ser uma eleição disputadíssima e até Outubro será difícil de fazer prognósticos factuais sobre o vencedor. As convenções e principalmente os debates terão um papel importante, mas será sobretudo o rumo da economia até Novembro que irá influir no resultado final. Esta última questão entrará em confronto com a forma como a equipa de Obama conseguir "pintar" Mitt Romney. Este, conforme temos visto, terá muito dinheiro nos cofres para começar a responder aos ataques que ainda vai sofrer. 


Tenho dificuldade em compreender algumas dessas críticas.

Desde o tempo de Roosevelt, o presidente candidato a reeleição tem derrotado o desafiante, com excessão das eleições de 1976 (Carter venceu Ford), 1980 (Reagan venceu Carter) e 1992 (Clinton venceu Bush I).

Em 76 a vantagem de Carter foi muito pequena, cerca de 2 %. Em 1980 Reagan ganhou com grande vantagem, mas até algumas semanas antes da eleição as pesquisas apontavam empate técnico. A eleição de 1992 foi atípica, pela presença de Ross Perot, mas, se não me engano, Clinton só obteve a liderança após a convenção democrata.

Então qual é o problema? Me parece que o fato de estar empatado com Obama demonstra competitividade. A perspectiva que Romney estivesse liderando por larga vantagem, , por mais fraco que esteja o presidente, não parece realista.

Nehemias
Nehemias a 9 de Julho de 2012 às 21:46

Nehemias, em 76 Carter iníciou a campanha com mais de 20 pontos, em 80 Reagan drenou os votos de Anderson que eram em sua maioria anti-Carter e em 92 Bush pai sempre esteve em segundo. Antes de Clinton, ficou atras de Perot. Alem disso, Truman em 52 e Johnson em 68 desistiram frente a uma possivel derrota e Truman em 48 e Bush filho em 2004 quase foram derrotados. É exagerada essa perspectiva de uma enormw vantagem do incubente
Joao Felipe a 9 de Julho de 2012 às 23:32

João Felipe,

Interessante, não tinha pensado em Truman 52 e Lyndon Johnson 68. Quando penso em reeleição a lembrança é quase automática das campanhas de 1948 e 1964, que eles ganharam. Mas, de qualquier forma, eles eram elegíveis nessas disputas, e desistiram pelo fato de até a indicação ser incerta em suas maquinas partidárias.

Quanto a Carter, Ford e Bush, vale a pena consultar essa verdadeira Arca do Tesouro no site do Gallup, as pesquisas presidenciais americanas de 1936 a 2008
http://www.gallup.com/poll/110548/gallup-presidential-election-trialheat-trends-19362004.aspx

Lá podemos ver que Bush I liderou até meados de maio, foi ultrapassado por Perrot, recuperou brevemente a liderança, até ser atropelado por Clinton. Em 1980, Carter tinha amplo domínio da campanha presidencial até junho, perdeu a liderança para Reagan, a reconquistou posteriormente atingindo 44 % nas pesquisas, até ser decisivamente derrotado por Reagan naquele debate na semana anterior da eleição. Por fim, como vc disse, Carter manteve uma vantagem de dois dígitos sobre Ford por quase toda campanha, mas quase perdeu a eleição no último mês.

Mas o ponto é que mesmo presidentes enfraquecidos no último ano de mandato, como Ford em 76 e Carter em 80, (assim como Truman em 48) com popularidades inferiores a 40 %, foram competitivos na campanha presidencial. Obama está com um nível de popularidade semelhante ao de Bush II em 2004, que foi uma campanha disputadíssima, logo a comparação com a situação mostra Romney mas ou menos aonde se esperaria que ele estivesse.
Nehemias a 10 de Julho de 2012 às 13:47

O engraçado é que há alguns dias esse blog afirmada que a campanha sobre a Bain capital havia falhado. Essa eleição é mesmo imprevisivel. De resto concordo com o artigo, Romney tem boas perspectivas, assim como Obama
Joao Felipe a 9 de Julho de 2012 às 23:35

Penso que, nos últimos 80 anos, em quase todas as eleições presidenciais que ganharam, os Republicanos conseguiram criar a imagem do partido (ou pelo menos, do candidato) do "americano típico" contra as "elites" (os "eggheads" de Adlai Stevenson, os "meninos ricos" anti-guerra das universidades, a "elite liberal", etc.). Creio que a única excepção terá sido G H Bush (que 4 anos depois não teve um grande destino).

Até é relativamente fácil pintar Obama como um "elitista", mas já não é assim tão fácil pintar Romney como um "americano típico".

Miguel Madeira a 10 de Julho de 2012 às 01:50

Penso que li há tempos que Romney será, se for eleito, o Presidente mais rico da história, apenas atrás de George Washington, se considerarmos a fortuna dele aos números actuais. Nesse prisma, Romney nunca será o americano típico, por muito esforço que a sua candidatura o tente pintar de outra forma.
Nuno Gouveia a 10 de Julho de 2012 às 09:09

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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