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Jun 12
publicado por Alexandre Burmester, às 17:14link do post | comentar

Embora as opiniões na sua maioria - incluindo a nossa neste blogue - se inclinem há muito para o Sen. Marco Rubio como companheiro de Mitt Romney na corrida presidencial, eu começo a ter as minhas dúvidas.

 

Há uma certa tendência no facto de a escolha do candidato a Vice-Presidente ser uma surpresa - e os exemplos são numerosos: Richard Nixon (com Dwight Eisenhower em 1952), Spiro Agnew (com o referido Nixon em 1968), Geraldine Ferraro (com Walter Mondale em 1984), Dan Quayle (com George H.W. Bush em 1988), Al Gore (com Bill Clinton em 1992), Jack Kemp (com Bob Dole em 1996), Dick Cheney (com George W. Bush em 2000) e, acima de todas, talvez, Sarah Palin (com John McCain em 2008).

 

 

 

Significa isto que a sabedoria convencional, digamos assim, é muitas vezes derrotada nestes vaticínios. E quer-me parecer que o mesmo vai suceder este ano na candidatura republicana. Apesar de tudo o que se diz acerca de Rubio, Chris Christie e Bob McDonnell, aparentemente os holofotes da Campanha Romney estarão cada vez mais focados em dois homens do Mid-West: o Senador Rob Portman do Ohio, antigo congressista e antigo Director do Gabinete de Gestão e Orçamento sob George W. Bush, e Tim Pawlenty, antigo Governador do Minnesota, e ex-candidato nas primárias republicanas deste ano.

 

A escolha de um ou de outro, a acontecer, revelaria duas coisas: a importância que a campanha de Romney estará a dar ao Mid-West, e o importante factor da experiência executiva. Marco Rubio poderá - e é decerto - ser um nome  e uma figura apelativa, tanto pela sua história pessoal como pelo seu potencial apelo num determinado sector do eleitorado - no seu caso, o hispânico.

 

Mas uma das armas que Romney e a sua campanha brandem contra o Presidente Obama é a sua falta de experiência - nomeadamente executiva - e Rubio cai facilmente na mesma categoria. Já Portman e Pawlenty - além de serem do Mid-West - e o primeiro do fulcral estado do Ohio - são figuras com a tal experiência executiva.

 

Acresce que Pawlenty era o favorito número um dos "especialistas" em 2008, mas John McCain surpreendeu tudo e todos com a inusitada escolha de Palin. 

 

 

 

Se eu tivesse de apostar na escolha de Romney iria num destes dois. E poderia enganar-me redondamente, claro, pois, como atrás disse, a escolha do candidato vice-presidencial é uma caixinha de surpresas.

 

 

 

 

Fotos: Em cima: o Sen. Rob Portman; em baixo: o ex-Governador do Minnesota, Tim Pawlenty. 


Por um tempo achei Portman um bom nome, mas na última pesquisa que ví, a presença dele não influiria nas intenções de voto em Ohio. Já Pawlenty será um erro, pois só estaria adulando a base conservadora, que já está com ele, e não impedirá a vitória de Obama em Minnesota.
Continuo achando Bob McDonnell a melhor opção.
Joao Felipe a 27 de Junho de 2012 às 00:06

O Larry Sabato faz uma análise dos candidatos a VP de Romeny aqui
http://www.centerforpolitics.org/crystalball/articles/veepwatch-2-0-boring-all-the-better/

Ele coloca Portman em primeiro, depois Pawlenty, Thune, e Rubio em 4° lugar.

Ele avalia que os dois fatores que Romney busca é a) alguém que não cause problemas b) alguém que não apareça mais que ele. Ou seja, um "não-Palin".

Em relação a base conservadora, eu acho que prefeririam Bob Jindall ou mesmo Rubio a Pawlenty. A vantagem de Pawlenty é ser do Meio-Oeste, já ter passado pelo processo de "vetting", interagir bem com Romney, e ser filho de um caminhoneiro. E quanto a Rob Portman, além de acrescentar pouco em Ohio, tem a desvantagem de suas ligações com o Governo Bush.

Mas continuo achando que Romney deveria apostar em alguém com algum apelo para mulheres e/ou hispânicos. Entendo que as elites republicanas tenham medo de uma nova Sarah Palin, mas algum risco terão que correr.

Nehemias
Nehemias a 27 de Junho de 2012 às 18:41

Nehemias, pelos seus critérios, o melhor nome seria uma pessoa que eu mencionei outro dia: Suzane Martinez, governadora do Novo México.
Abs.
Joao Felipe a 27 de Junho de 2012 às 23:08

Mas penso que essa declarou não querer seguir para cargos mais altos porque tem que cuidar de uma irmã deficiente.

Miguel,

Isso mesmo. Foi alegado que isso dificultaria sua saída do estado.

João Felipe,

Pessoalmente, acho que Suzana Martinez ou alguém com perfil semelhante seria uma das possibilidades mais interessantes disponiveis para Romney.

No entanto, me parece que eles temem uma nova Sarah Palin, alguém que fique em mais evidência que o próprio candidato. Além disso, existe o problema do "Vetting", ao colocar alguém pouco conhecido subitamente no palco nacional e mundial, existe o risco de algo problemático do passado do candidato ser exposto, ou então do VP não estar suficientemente preparado para lidar com imprensa.
Nehemias a 28 de Junho de 2012 às 13:25

É verdade que todos os políticos dizem "não tenho planos para concorrer a [cargo]"; mas o motivo que ela apresentou não me parece que permita uma reviravolta muito fácil

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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