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Jun 12
publicado por Nuno Gouveia, às 22:42link do post | comentar

Barack Obama emitiu na sexta-feira uma ordem executiva para impedir que as autoridades deportem jovens ilegais que estejam a viver em território americano. Segundo as estimativas, serão perto de 800 mil que poderão ser abrangidos por esta espécie de amnistia. Apesar de haver quem considere que o Presidente não tem autoridade para decretar esta ordem executiva (Obama há um ano disse qualquer coisa semelhante), esta é uma medida que terá impactos na campanha. O Presidente continua a apostar em reforçar a sua base eleitoral, o que tem sido muito inteligente da sua parte. Depois do apoio ao casamento gay, para motivar o eleitorado jovem, agora esta medida executiva dedicada aos hispânicos, que também coloca problemas a Romney. Este tem um grande défice de apoio nesta comunidade, pois a última sondagem que li dava apenas 23% a Romney contra os 61% de Obama. Esta decisão atira para a agenda mediática a discussão sobre a imigração ilegal, uma área em que Obama não investiu nestes quatro anos e que tinha sido uma promessa de campanha. Apesar desta acção não atacar o problema de fundo (são cerca de 12 milhões de ilegais no país), dá-lhe algum fôlego eleitoral. 

 

Romney reagiu contra o método e não propriamente contra a medida, dizendo praticamente o mesmo que Marco Rubio, que poderá ser um dos beneficiados desta situação. Romney necessita de recuperar no eleitorado hispânico, e a sua grande cartada pode ser a escolha de Rubio para candidato a Vice Presidente. Por enquanto, as sondagens indicam que essa escolha lhe dará uma vantagem na Florida, mas é incerto que impacto terá no eleitorado hispânico de outros estados. Rubio é descendente de cubanos e há quem defenda que o resto dos hispânicos, que são maioritariamente oriundos do México e de outras comunidades do continente, não serão levados a votar em Romney por causa do senador da Flórida. Eu penso que não, e que Rubio pode ser uma boa ajuda para Romney em estados como o Nevada e Colorado, com grandes comunidades hispânicas e que as sondagens indicam estarem situação de empate técnico. De resto, nos restantes swing states, a Florida com Rubio estará quase assegurada e em estados como o Ohio, Iowa, Michigan, Wisconsin, Virgínia, Pensilvânia ou New Hampshire o voto hispânico é reduzido. Cada vez mais vejo Marco Rubio, senador de 41 anos, como candidato a Vice Presidente de Mitt Romney. E esta acção de Obama, que coloca os republicanos em dificuldades, poderá contribuir para que tal suceda. 


Acho que o melhor vice para Romney é Bob Mcdonnell. Rubio tem passado nebuloso, e não acho que sua presença será suficiente para ajudar o GOP com os latinos.
Sobre vices, o Crystal Ball fez um estudo interessante, desfazendo os mitos sobre a escolha do companheiro de chapa.
Joao Felipe a 18 de Junho de 2012 às 00:32

Não há mitos nenhuns. Os vices, normalmente ajudam pouco os candidatos. Aliás, desde 1960, quando Lyndon Johnson ajudou JFK a ganhar o Texas, e com isso a eleição, que a escolha de um VP não é considerada relevante. No entanto, podem ser uma ajuda em eleições bastante competitivas, como aconteceu em 1960, e como esta se adivinha. E se ajudar a ganhar a Florida, já será muito relevante. E se ajudar a ganhar um estado como o Colorado (a última sondagem dava empate), ainda melhor.

O que é isso de passado nebuloso? Iniciou a sua carreira política junto de um terrorista? Passou vinte anos junto de um pastor racista? Ou foi um consumidor habitual de droga na juventude? Talvez, quem sabe.
Nuno Gouveia a 18 de Junho de 2012 às 00:53

Não, o que há é que ele ascendeu na política como filho de cubanos que fugiram da ditadura castrista. Porém, surgiram rumores que sua família saiu de Cuba antes da revolução cubana.
Penso que é mais fácil Romney ganhar a Flórida sem Rúbio do que a Virgínia sem McDonnell. E acho que a melhor opção de vice para atrair latinos é a governadora do Novo México, Suzane Martínez.
Abs.
Joao Felipe a 18 de Junho de 2012 às 01:10

Isso não é nebuloso. Rubio tinha dito que era filho de pais exilados de Cuba por causa de Castro. O que foi revelado pela imprensa é que os pais foram para os EUA antes de Castro chegar ao poder, ao contrário da narrativa que Rubio tinha contado. Ele desculpou-se dizendo que os pais ganharam o estatuto de exilados por não poderem regressar a Cuba, o que é verdade. Esse assunto foi bastante noticiado no inicio do ano. Rubio não ficou muito bem na fotografia, é verdade, mas já foi totalmente discutido na imprensa. Não tem nada de nebuloso, foi apenas um político a exagerar na sua história pessoal.
Nuno Gouveia a 18 de Junho de 2012 às 01:20

E você não acha que Obama e os democratas usarão isso na campanha?
Já Martinez pode ter mais influência em estados como Arizona, Colorado, Nevada e Novo México. Além da própria Flórida. Além de poder ajudar o GOP com o eleitorado feminino.
Abs.
P.S.: Por favor, apague meu comentário repitido.
Joao Felipe a 18 de Junho de 2012 às 01:33

Martinez é uma desconhecida a nível nacional, não se sabe bem o seu nível de preparação (ao contrário de Rubio) e seria uma aposta que faria relembrar 2008, quando escolheram Sarah Palin. Penso que seria uma aposta arriscada, embora concorde que na teoria poderia ajudar nos estados do Oeste. Mas não acredito que Romney aposte nela.

É óbvio que Rubio seria atacado por isso e muito mais. Mas isso é a política americana a funcionar. Joe Biden em 1988 desistiu da candidatura presidencial depois de ter sido apanhado a plagiar um discurso de Neil Quinnock, na altura líder do Partido Trabalhista inglês. Foi por isso que foi impedido de chegar a VP? Todos os políticos têm problemas e são atacados por isso. Nem todos os problemas destroem carreiras políticas. E esse de Rubio não me parece nada destrutivo.
Nuno Gouveia a 18 de Junho de 2012 às 01:41

Em termos de passado de Rubio, não sei se a sua passagem pela Igreja Mormone não será mais problemática (ninguém o vai atacar abertamente por isso, mas ataques "não abertos" não me espantava).

Haverá também o problema de que, para alguns, ele não é um "natural born-citizen" (exemplo: http://gulagbound.com/20451/asking-marco-rubio-constitutionally-ineligible-to-be-president-so-why-talk-vp/); penso que esses "alguns" são ultra-minoritários e de qualquer forma nunca votarão nos Democratas (e ainda menos num "queniano"), mas podem abster-se.
Miguel Madeira a 18 de Junho de 2012 às 02:45

Miguel, penso que os birthers democratas terão tanto sucesso como os birthers republicanos :).

Em relação a ter sido mórmon quando era novo, não vejo problema. Romney ainda é mórmon...

Não consigo adivinhar o futuro, e muito pode acontecer a Rubio, como no passado já sucedeu com outras "rising stars" dos partidos. Mas diria que neste momento é o frontrunner para a nomeação republicana de 2016 ou 2020. Independentemente se for ou não candidato a VP este ano.
Nuno Gouveia a 18 de Junho de 2012 às 10:44

Sobre Biden, ele pagou o preço por sua gafe ao sair da corrida democrata em 88. É claro que 20 anos depois o assunto já acabou. Diferente do caso Rubio.
Não digo que isso ponha em risco seu futuro político, mas pode ser um contratempo para Romney, que precisa focar na administração econômica de Obama.
Abs.
Joao Felipe a 18 de Junho de 2012 às 11:55

Me parece que Obama tem seguido uma estratégia de reforçar sua base, tomando medidas e concedendo declarações que agradam aqueles que já estão predispostos a apoia-lo, como essa recente dos jovens latinos, bem como a do apoio ao casamento gay.

Eu creio que o cálculo é mais ou menos esse: "Romney tem que ganhar em (quase) todos os swing states para ser eleito, se bloquearmos seu caminho em alguns (como Colorado e Nevada) já será suficiente".

De fato, o Electoral Vote fez uma análise no início de junho http://www.electoral-vote.com/evp2012/Pres/Maps/Jun04.html#item-1

que aponta que Obama pode ser reeleito se conseguir manter sua liderança em PA, WI e VI, desde que ganhe em Nevada e Colorado, mesmo perdendo em todos os outros purple states.
Nehemias a 19 de Junho de 2012 às 20:27

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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