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Jun 12
publicado por Alexandre Burmester, às 22:21link do post | comentar

Escrevo estas linhas a propósito do artigo do Nuno sobre o actual mapa eleitoral.

 

As vantagens do Presidente Obama nos chamados "swing-states" são, regra geral, medidas por empresas que se baseiam em eleitores registados (excepção:  a Rasmussen que mede os votantes prováveis, medida mais rigorosa, mas também um método mais dispendioso de fazer sondagens).

 

O fundamental a reter das sondagens nesta altura da campanha, nomeadamente nos "swing-states", que são os que decidirão a eleição, é que Obama fica sempre aquém dos 50% das intenções de voto. E os estudos sobre esta matéria revelam que os indecisos acabam por se decidirem, numa margem de 80%/20% a favor do opositor do Presidente.

 

Assim sendo, eu diria que, nesta altura, as perspectivas não são muito animadoras para Obama. Os actuais números são semelhantes aos que Gerald Ford e Jimmy Carter apresentavam por esta altura (os de Carter até eram melhores, diga-se).  E não falo de George H.W. Bush, o qual, provavelmente, teria sido reeleito não fora a emergência do candidato independente Ross Perot, o qual fez de Bill Clinton o único presidente a ser eleito duas vezes sem uma maioria do voto popular.

 

Ainda vamos ter as convenções partidárias, e só a partir dessa altura os 15% de eleitores - grosso modo - que decidem as eleições vão verdadeiramente prestar atenção à campanha.

 

Uma campanha em que um presidente se recandidata acaba sempre por ser um referendo à sua governação e, neste contexto, surge cada vez mais pertinente a pergunta de Ronald Reagan aos eleitores aquando de um (penso que o último) debate com o Presidente Jimmy Carter: "Vocês acham que estão hoje melhor que há quatro anos?" 


Você esqueceu de George W. Bush, que estava na mesma situação que Obama está hoje, em 2004.
Os números de Carter não eram melhores.
E essa metodologia da Rasmussen é duvidosa.
Dei uma olhada em 2008 e ví que ele quase sempre dava resultados para McCain, melhores do que ele obteve.
E Bush pai não seria reeleito. Sem Perot a maioria dos votos teria ido para Clinton
Joao Felipe a 16 de Junho de 2012 às 00:39

Não me esqueci de George W. Bush, meu caro, pois estava apenas a comparar Barack Obama com presidentes que foram derrotados.


Não é apenas a Rasmussen que dá números abaixo dos 50% a Obama nos "swing-states", que fique claro.

E o que uma sondagem (da Rasmussen ou de outro qualquer) diz em Agosto e Setembro não representa a posição do eleitorado em Novembro, obviamente.

"Os números de Carter não eram melhores."


"Craig Shirley’s book Rendezvous With Destiny reminds us that 10 days before the 1980 election, Jimmy Carter led Ronald Reagan by one point in a CBS News/New York Times poll; and the morning of the presidential debate (October 29), a Gallup Poll reported that Carter had a three-point lead over Reagan."

http://www.commentarymagazine.com/2012/06/15/five-reasons-why-romney-is-the-favorite/

Mas eu até estou a escrever em Junho, e em Junho de 1980 a vantagem de Carter sobre Reagan até era mais apreciável.

Eleição não significa referendo. Harry Truman tinha aprovação baixíssima (menos de 40%) mas conseguiu vencer.
Richard Nixon tinha uma aprovação bem menor do que os 61% que recebeu em 1972.
Além disso, os indecisos podem muito bem ficar am casa em novembro.
Joao Felipe a 16 de Junho de 2012 às 00:54

"Além disso, os indecisos podem muito bem ficar am casa em novembro."

Meu caro, se se faz uma sondagem baseada em "votantes prováveis" é precisamente para não introduzir na amostra o "ruído" dos que acabarão por ficar em casa.

sobre presidentes eleitos duas vezes sem maioria popular, também estão na lista Grover Cleveland (não consecutivamente) e Woodrow Wilson.
sobre 1992, As pesquisas mostraram que a maioria dos eleitores de Perot tinham Clinton como segunda opção. O que Perot fez foi evitar que Bush pai tivesse sofrido uma derrota humilhante. Tanto que Bush pai comemorou quando Perot retornou a disputa depois de haver desistido.
Joao Felipe a 16 de Junho de 2012 às 01:01

Quanto a Grover Cleveland e Woodrow Wilson, é verdade o que diz. Eu queria escrever "fez de Bill Clinton o único presidente do pós-Guerra a ser eleito duas vezes sem uma maioria do voto popular" mas, por lapso, escapou-me o "pós-Guerra".

Citei 2004 pois acho que a é a eleição mais parerida. Bush e Kerry ficaram próximos durante todo o ano.
Em 1976 Ford começou bem atrás e depois foi diminuindo a diferença.
Em 1980 e 1992 havia um terceiro candidato disputando o voto anti-Carter e anti-Bush. Carter se manteve no mesmo patamar que as pesquisas mostravam. Reagan conseguiu subir tomando votos de Anderson.
Não há ninguém que Romney possa roubar votos além de Obama. Situaçâo igual... a 2004
Joao Felipe a 16 de Junho de 2012 às 18:42

Sobre a rasmussen, quero dizer que não estou desqualificando-a. Apenas refuto a idéia de que seja a mais precisa.
Olhando 2008 ví que na maioria das vezes de resultados maoires que McCain conseguiu. Boa mesma é a média do RCP. chegou bem próximo dos resultados em 2004 e 2008
Joao Felipe a 16 de Junho de 2012 às 19:02

Em 80 92 e 96 havia terceiros candidatos. Em 2004 e 2012 Não.
comparemos os números de gallup em junho com o resultado final:
1980
Carter 39 e 41
Reagan 32 e 51
Anderson 21 e 7
1992
Bush 31 e 37
Clinton 25 e 43
Perot 39 e 19
1996
Clinton 49 e 49
Dole 33 e 41
Perot 18 e 8
Presidentes oscilaram pouco enquanto seus oponentes roubaram votos dos terceiros.
Não houve isso em 2004 e não haverá em 2012

Joao Felipe a 16 de Junho de 2012 às 19:43

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José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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