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Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:21link do post

A maioria dos analistas políticos estão convencidos que estas eleições vão ser renhidas. Os números da Gallup de ontem davam um empate e é bem provável que essa previsão se mantenha durante muito tempo. Larry Sabato, professor da Universidade da Virgínia, deixa-nos hoje um exercício interessante sobre o significado das sondagens neste momento da corrida. A conclusão é simples: muito pouco. Sabato analisou as sondagens da Gallup no mês de Junho em todos os anos de eleições presidenciais desde 1980 e apenas por duas vezes o resultado das eleições se aproximou das sondagens de Junho.

 

Em Junho de 1980 Jimmy Carter liderava Ronald Reagan por 39%-32%, com John Anderson, um republicano de Illinois que se candidatou como independente, com 21%. Como Sabato recorda e bem, a campanha foi bastante renhida quase até ao fim, e uma semana antes das eleições, as sondagens apontavam para um empate técnico. Foi apenas nos últimos dias da campanha que Reagan disparou, acabando por vencer com 51%, seguido de Carter com 41% e Anderson com 7%. Na campanha da reeleição, as sondagens deste mês já deixavam antever uma vitória confortável de Reagan, que se confirmou com 59% contra os 41% de Walter Mondale. 

 

Em 1988 por esta altura Michael Dukakis liderava confortavelmente George H. Bush, com 52%-38%. O Vice Presidente de Reagan acabaria por vencer com 53% dos votos. Passado quatro anos, com Bush a afundar-se nas sondagens, era o independente Ross Perot quem liderava as preferências dos americanos, seguido de Bush com 31% e Clinton com 25%. O resultado de Novembro foi bem diferente: Clinton com 43%, Bush com 37% e Perot com 19%. Na campanha de reeleição, pela a última vez as sondagens voltaram a acertar em Junho, pois já nessa altura colocavam Clinton à frente com 49% contra 33% de Bob Dole e 17%  de Perot. O resultado final seria ligeiramente diferente, mas com larga vantagem para Clinton. 

 

Em 2000 George W. Bush liderava Al Gore com 5 pontos de vantagem por esta altura, mas sabemos como as eleições acabaram: Bush venceu os votos no Colégio Eleitoral mas perdeu no Voto Popular. Em 2004, por esta altura adivinhava-se uma Presidência Kerry, como Senador do Masshusetts a ter 49% das intenções de voto contra os 43% de Bush. Por fim em 2008, em Junho McCain liderava Obama por 46%-45%, num dos raros momentos em que esteve na dianteira (a outra foi depois da convenção republicana, antes da crise do Lehman Brothers rebentar). Por esta altura as sondagens pareciam indicar uma eleição bem disputada, mas Obama acabou por ser eleito com relativa facilidade. 

 

Dito isto, é provável que este ano seja um dos que a Gallup acerta em Junho. A menos que aconteça algo excepcional nesta campanha, diria que Obama e Romney vão ter entre 48% e 52%. E não ficaria nada surpreendido que voltassem a acontecer situações idênticas às de 2000.


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Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
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Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
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Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
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