24
Mai 12
publicado por Nuno Gouveia, às 16:11link do post | comentar

A CNN é certamente o canal de notícias mais famoso do mundo. E, arrisco-me a dizer, o que tem mais credibilidade. A revolução que introduziu no panorama noticioso em todo o mundo só terá paralelo com a MTV na música. A televisão fundada por Ted Turner, em Atlanta em 1980, fez escola e iniciou aquilo que hoje chamamos de ciclo noticioso de 24 horas. Por lá passaram alguns dos nomes mais famosos da área, como Bernard Shaw, Larry King, Peter Arnett ou Wolf Blitzer e Anderson Cooper que ainda lá estão. Mas entretanto a concorrência aumentou, primeiro nos Estados Unidos e depois no mundo, e a CNN foi perdendo influência. Até chegar aqui.

 

Nos últimos anos a CNN foi relegada para terceiro canal de notícias dos Estados Unidos, atrás da MSNBC e da Fox News, tendo atingido há duas semanas o pico negativo nas audiências em horário nobre. Por vezes tem sido mesmo ultrapassada pela HLN, um canal de notícias do grupo da CNN. Enquanto a Fox News assumiu um pendor conservador, especialmente nos horários da noite, a MSNBC para fazer o contraponto transformou-se num canal "liberal", no sentido americano. No meio ficou a CNN, tentando manter-se com uma cobertura tendencialmente neutra (apesar das críticas que normalmente recebe dos conservadores). Isto transformou a CNN, a outrora televisão mais influente da política americana, num canal quase irrelevante. Nos últimos anos os administradores da estação têm tentado de tudo para recuperar as audiências. Enquanto as grelhas da Fox News e MSNBC têm-se mantido estáveis e com poucas alterações, na CNN tem sido um corrupio de mudanças. Ainda ano passado tentaram ter um programa de opinião em horário nobre, com o antigo governador de Nova Iorque, o democrata Eliot Spizer e Kathleen Parker, uma comentadora de centro-direita. Mas, e como tem sucedido quase sempre, este programa foi um fracasso. Este ano lançaram o jornalista tabloide Piers Morgan no último horário da noite, mas o inglês tem tido audiências miseráveis. Por enquanto a situação financeira ainda não é preocupante, mas já se anunciam mudanças para breve. Como antigo espectador da CNN, gostava que esta recuperasse algum do fulgor, mas temo que tal não vá suceder. 

tags: ,

Em destaque
José Gomes André

Investigador de Filosofia Política, redigiu tese de doutoramento sobre James Madison. Autor de "Sistema Político e Eleitoral Norte-Americano: um Roteiro" (Esfera do Caos, 2008). Escreve também no Delito de Opinião.
ver perfil
ver posts
Nuno Gouveia

Autor de uma tese de mestrado sobre as eleições presidenciais americanas de 2008. Escreve também no 31 da Armada e Cachimbo de Magritte.
ver perfil
ver posts
Alexandre Burmester

Define-se como um "ávido seguidor amador" da política americana, que acompanha há mais de 40 anos. As suas habilitações académicas situam-se na área da Língua e Literatura Inglesas e foi quadro de uma multinacional canadiana
ver perfil
ver posts
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


pesquisar neste blog